Vitória de Lula dá um UP político em vários países — EDITORIAL
Em um mundo marcado pela polarização, pelo crescimento de movimentos autoritários e....

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Consulte formatos e valores disponíveisVamos juntos fazer uma reflexão sobre o significado internacional da democracia brasileira e sobre a possibilidade de que o resultado das urnas, no Brasil, tenha repercussões muito além de nossas fronteiras, como já vem ocorrendo em inúmeros países.
Em um mundo marcado pela polarização, pelo crescimento de movimentos autoritários e pela insegurança política, a participação popular e o respeito à vontade soberana do eleitorado podem servir de referência para outras sociedades.
Preparamos este editorial com uma linguagem com um tom forte e uma perspectiva internacional, destacando, porém, que a defesa da democracia precisa ser permanente, independentemente de partidos ou de governantes.
A vitória da Democracia no Brasil pode ser o começo de uma nova reação mundial contra o autoritarismo. A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras, no último domingo, 25 de outubro, ultrapassa as fronteiras nacionais e abre espaço para uma reflexão sobre os rumos da democracia no mundo. Em um cenário internacional marcado pela polarização, pelo avanço de movimentos autoritários e pelo enfraquecimento do diálogo político, o resultado brasileiro ganhou repercussão muito além da América Latina.
O Brasil, uma das maiores democracias do planeta, acaba de demonstrar que a vontade popular continua sendo um instrumento fundamental para definir os destinos de uma nação. E essa mensagem pode ter um significado especial para milhões de pessoas que, em diferentes países, vêm acompanhando com preocupação o crescimento da intolerância, do radicalismo e de discursos que colocam em dúvida as instituições democráticas.
A repercussão internacional foi imediata. Lideranças de diferentes países, entre elas representantes da Europa, da América Latina e de outras regiões, cumprimentaram Lula pela vitória e destacaram a importância da democracia e do multilateralismo. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen chegou a afirmar que a “democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”.
Mas existe algo ainda mais importante nessa história: a esperança de que um resultado eleitoral pode despertar em sociedades que não desejam abrir mão de suas liberdades.
É preciso compreender que democracia não significa apenas escolher um presidente, um governador ou um parlamentar. Significa preservar o direito de discordar, respeitar as diferenças, garantir a liberdade de imprensa, proteger as instituições e assegurar que ninguém esteja acima da Constituição. Significa, sobretudo, impedir que o poder seja utilizado para perseguir adversários ou silenciar quem pensa diferente.
O fascismo, o autoritarismo e todas as formas de intolerância precisam ser enfrentados com consciência histórica, com consistência, participação popular e respeito aos direitos humanos. Não basta trocar governantes. É necessário fortalecer uma cultura democrática capaz de resistir aos ataques que ocorrem contra as liberdades individuais e coletivas.
A vitória brasileira poderá funcionar como um estímulo para movimentos democráticos em outras partes do mundo. Não significa, entretanto, que uma transformação internacional esteja garantida ou que os desafios tenham desaparecido. Cada país possui sua própria realidade, suas instituições e suas escolhas. Mas exemplos de resistência democrática podem inspirar outras sociedades a não desistirem de seus direitos.
Talvez estejamos mais uma vez diante de um momento importante da história contemporânea. Uma oportunidade para que cidadãos de diferentes nacionalidades percebam que não precisam aceitar passivamente a intolerância, a violência política e o desrespeito à vontade popular.
O mundo não precisa de governos que alimentem o ódio para conquistar poder, ou que comecem guerras desnecessárias. Precisa de lideranças capazes de construir pontes, de respeitar as diferenças, de combater as desigualdades e de trabalhar pela paz entre os povos.
No dia 25 de outubro, o Brasil falou pelas urnas. E sua mensagem ultrapassou nossas fronteiras. Mas a democracia precisa ser defendida todos os dias, em todos os lugares. Se essa vitória servirá de ponto de partida para uma grande mudança no cenário político mundial, somente o tempo poderá responder. Mas uma coisa é certa: nenhuma sociedade deve perder a esperança de construir seu próprio futuro em liberdade.
Porque a democracia não pertence a um partido, a um presidente ou a uma ideologia. Ela pertence ao povo. E quando o povo compreende a força de sua própria voz, de seus próprios atos, nenhum projeto por mais autoritário que seja, poderá se considerar uma vitória definitiva.
Uma observação: há fundamento para destacar a repercussão internacional sobre a vitória de Lula, mas é importante não confundirmos as manifestações de apoio à democracia com a comprovação de uma mudança mundial já em andamento. A reação de líderes internacionais e os primeiros comentários de analistas mostram que a eleição brasileira passou a fazer parte desse debate. E no momento é isso que mais interessa.
Resta ao presidente reeleito, entender neste seu quarto mandato, que a comunicação do governo não pode mais ficar estagnada. E isso é algo que nem nós, nem o presidente devamos ignorar. Pois, a comunicação, quando bem feita, alimenta o povo com notícias corretas muito mais rápido do que pode imaginar nossa vã filosofia.
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