vendas sobem 3,9% em outubro — Sem bets, cliente do Assaí volta a gastar mais
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Consulte formatos e valores disponíveisSem bets, cliente do Assaí volta a gastar mais: vendas sobem 3,9% em outubro Rede de atacarejo lucra R$ 427 milhões no terceiro trimestre, com ajuda de créditos tributários, e diz que o início de novembro segue no ritmo de outubro Selic 'estacionada': Assaí optou por manter uma reserva grande de caixa, em vez de acelerar o pagamento de dívidas. (Assaí/Divulgação)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Em outubro, a rede de atacarejo Assaí registrou alta de 3,9% nas vendas mesmas lojas após o bloqueio das apostas online no Brasil. Segundo o CEO Belmiro Gomes, a proibição das bets pode gerar melhora de 4% a 5% na base total. No terceiro trimestre, o lucro recorrente avançou 55,2%, para R$ 248 milhões.
Depois de cinco trimestres com vendas praticamente estáveis, o Assaí viu o indicador mudar de rumo em outubro. As vendas nas mesmas lojas cresceram 3,9% no mês, logo após o governo proibir as apostas online no país.
A mudança de tendência apareceu por volta de 6 de outubro. Foi a data em que sites e aplicativos de apostas passaram a ser bloqueados, após a Medida Provisória (MP) 1.394, assinada em 25 de setembro.
Em outubro, a rede vendeu quase 18% mais que em setembro. Parte disso é explicada pela campanha de aniversário de 52 anos, que concentra promoções. Mas, segundo Belmiro Gomes, CEO do Assaí, a campanha também aconteceu em outubro do ano passado, e as bases acabam se anulando na comparação anual.
O executivo afirma que ainda é cedo para medir o efeito exato da proibição. "A gente tem pelo menos uma ideia de uma potencial melhoria em torno de 4% a 5% na base total, o que é muito para o setor de alimentos", disse.
A melhora se concentrou nas lojas que atendem a baixa renda, especialmente no interior do Nordeste, e veio sobretudo do aumento do tíquete médio. Segundo Gomes, cresceu o volume de compras em categorias de alimentação básica das famílias, além de carnes e bebidas.
Dados da Nielsen e da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) citados pelo Assaí indicam que o movimento atingiu os atacarejos e as mercearias de bairro como um todo. A rede afirma ter ganhado participação de mercado em outubro, mas em ritmo semelhante ao do terceiro trimestre.
Os primeiros dias de novembro, segundo Gomes, seguem na mesma linha de outubro. "A expectativa é que talvez as famílias possam ter um Natal mais gordo esse ano do que foi nos últimos dois anos", afirmou.
A empresa, porém, trata o movimento com cautela, porque a MP ainda precisa ser votada pelo Congresso, e o setor de apostas recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Tudo que é provisório... O próprio nome já diz", disse o executivo.
Os números de julho a setembro refletem o período anterior à MP. O Assaí registrou lucro líquido contábil de R$ 427 milhões, alta de 119% sobre os R$ 195 milhões do mesmo período de 2025. Os valores estão na visão pré-IFRS16, que exclui os efeitos contábeis dos aluguéis das lojas.
Boa parte do salto vem de créditos de PIS/Cofins. Sem os R$ 179 milhões reconhecidos no trimestre, já descontado o Imposto de Renda, o lucro recorrente foi de R$ 248 milhões, alta de 55,2%. A margem líquida recorrente subiu de 0,8% para 1,31%.
A receita bruta somou R$ 21,3 bilhões, crescimento de 2,7%. Nas mesmas lojas, as vendas avançaram 0,1%, abaixo da inflação de alimentos do período, de 4,2%. Já o fluxo de clientes cresceu 2,1%.
A diferença vem do chamado trade-down, quando o consumidor troca produtos e marcas por opções mais baratas. Segundo Gomes, em economias mais maduras essa troca é como descer um degrau, e dói no bolso do cliente. "Aqui para nós, brasileiros, é uma rampa", disse.
Para ilustrar, a rede montou em uma de suas lojas a compra mensal de uma família de seis pessoas, com 91 quilos de produtos. Só com marcas líderes, a cesta custou cerca de R$ 825. Com as mesmas categorias e as marcas mais baratas, caiu para R$ 470.
O movimento pressiona as despesas, que somaram R$ 2,2 bilhões, alta de 4,2%, e passaram a representar 11,6% da receita líquida. "A despesa custa tanto para você vender um pacote de arroz tipo um como um pacote de arroz tipo dois, tipo três", afirmou o CEO.
Para compensar, a companhia reduziu as promoções nos canais de atacado que atendem comerciantes e manteve os preços competitivos no varejo. Segundo Gomes, a empresa poderia ter crescido "um ponto, dois pontos" a mais nas mesmas lojas, mas à custa de margem.
Com isso, a margem bruta, sem os créditos tributários, subiu 0,45 ponto percentual, para 17,2%. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, também sem os créditos, ficou estável em R$ 1,1 bilhão, com margem de 5,7%.
O balanço chega um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a Selic em 13,75% ao ano, interrompendo a sequência de cortes iniciada em março.
"Com uma interrupção da trajetória de queda da Selic, podemos ter um ambiente de crédito mais restrito", disse Gomes. Por isso, segundo ele, a empresa optou por manter uma reserva grande de caixa, em vez de acelerar o pagamento de dívidas.
O Assaí encerrou setembro com R$ 6,8 bilhões em caixa e recebíveis disponíveis. Segundo Rafael Sachete, diretor financeiro, a companhia não precisará buscar crédito no mercado em 2027 nem em boa parte de 2028.
A alavancagem, medida pela dívida líquida somada aos recebíveis descontados e dividida pelo Ebitda, caiu para 2,15 vezes, ante 3,03 vezes um ano antes. A meta é ir além. "Entre 1,5 e 1 é onde a gente acredita que essa companhia deveria operar", afirmou Sachete, que espera chegar perto desse patamar em 2027.
Segundo o executivo, a retomada mais forte da abertura de lojas depende de uma melhora consistente nas vendas. A rede fechou setembro com 313 lojas, o mesmo número do fim de março.
A coletiva também tratou da presença dos irmãos Ederson e Everton Muffato, controladores das redes Super Muffato e Max Atacadista, no capital do Assaí. Os empresários começaram a comprar ações no fim de 2025 e hoje estão entre os maiores acionistas da companhia.
Para Gomes, trata-se de um movimento de investimento. "Na verdade, não é aproximação estratégica, é uma aproximação financeira", disse. Segundo ele, quem conhece o setor vê a ação do Assaí como desvalorizada diante da força da marca e da capacidade de redução da dívida.
O estatuto do Assaí, que não tem um controlador definido, impõe regras para a participação de concorrentes no conselho de administração. A próxima assembleia de acionistas está prevista para abril de 2027.
"Quanto mais gente comprar, não tem problema nenhum, para falar a verdade", afirmou o CEO.
Entre as novas frentes de receita, o Assaí tem 12 farmácias abertas no estado de São Paulo e meta de 25 até o fim do ano. A empresa também comprou 18 postos de combustíveis instalados em suas lojas, com operação própria prevista a partir de agosto de 2027.
Para o próximo ano, a rede planeja lançar um cartão de marca própria voltado ao público de baixa renda e a micro e pequenos empreendedores. Segundo Gomes, o Assaí atende hoje cerca de 1 milhão desses negócios, como quem vende bolos e refeições.
O teste decisivo, segundo a própria companhia, serão os dados de novembro e dezembro, que devem mostrar se a virada de outubro se sustenta.
As vendas mesmas lojas do Assaí cresceram 3,9% em outubro, enquanto as vendas totais ficaram quase 18% acima das registradas em setembro. Segundo o CEO Belmiro Gomes, a proibição das apostas online pode representar uma melhora de 4% a 5% na base total, embora ainda seja cedo para medir o efeito exato.
A melhora se concentrou nas lojas que atendem consumidores de baixa renda, especialmente no interior do Nordeste. Segundo Belmiro Gomes, o tíquete médio cresceu com o aumento das compras de alimentos básicos, carnes e bebidas.
O Assaí registrou lucro líquido contábil de R$ 427 milhões entre julho e setembro, alta de 119% sobre o mesmo período de 2025. Sem os R$ 179 milhões em créditos de PIS/Cofins, o lucro recorrente foi de R$ 248 milhões, avanço de 55,2%.
As vendas mesmas lojas avançaram apenas 0,1% no trimestre, apesar do crescimento de 2,1% no fluxo de clientes. Segundo Belmiro Gomes, o resultado reflete o trade-down, quando consumidores substituem produtos e marcas por opções mais baratas.
O Assaí encerrou setembro com R$ 6,8 bilhões em caixa e recebíveis disponíveis, enquanto a alavancagem caiu de 3,03 para 2,15 vezes em um ano. Segundo o diretor financeiro Rafael Sachete, a companhia não precisará buscar crédito no mercado em 2027 nem em boa parte de 2028.
O Assaí pretende chegar a 25 farmácias até o fim do ano, iniciar a operação própria de 18 postos de combustíveis em agosto de 2027 e lançar um cartão de marca própria no próximo ano. Segundo Belmiro Gomes, o cartão será voltado ao público de baixa renda e a micro e pequenos empreendedores.
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