UBS BB vê mais riscos para Vale e aponta ser cedo para apostar no fim da queda — VALE3
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Consulte formatos e valores disponíveisA Vale (VALE3) ainda não saiu da zona de risco e pode enfrentar mais dificuldades nos próximos trimestres, segundo avaliação do UBS BB, que manteve recomendação neutra para a mineradora e reduziu seu preço-alvo de R$ 77 para R$ 73 por ação. Os analistas Caio Greiner, Myles Allsop e Arthur Biscuola argumentam que, apesar da queda de cerca de 12% dos papéis desde agosto, a ação ainda não reflete plenamente a deterioração dos fundamentos operacionais e do mercado de minério de ferro.
Em relatório intitulado “Not Out of the Woods Yet” (“Ainda não está fora de perigo”, em tradução livre), os analistas afirmam que os riscos seguem inclinados para o lado negativo, diante de uma combinação de preços menores do minério, custos mais elevados e incertezas sobre o volume de produção da companhia.
Segundo o UBS BB, a tese mais cautelosa para o minério de ferro defendida pelo banco nos últimos anos começa a se materializar. A instituição avalia que o mercado global está entrando em uma fase de excesso de oferta, impulsionada pelo aumento da produção de grandes mineradoras e pelo avanço do projeto Simandou, na Guiné, enquanto a demanda global por aço segue fraca.
Minério sob pressão Os analistas destacam que os preços do minério de ferro recuaram para perto de US$ 90 por tonelada em meio ao desequilíbrio entre oferta e demanda. A produção siderúrgica global acumula queda neste ano, enquanto novos volumes continuam chegando ao mercado. Nos próximos anos, o projeto Simandou sozinho deverá adicionar cerca de 80 milhões de toneladas anuais ao comércio marítimo global de minério, equivalente a aproximadamente 5% do mercado transoceânico.
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Embora o UBS BB considere que a queda adicional dos preços do minério seja mais limitada nos níveis atuais, a instituição acredita que o cenário continua desafiador para produtores como a Vale.
Além do cenário externo, o banco vê sinais crescentes de dificuldades operacionais na operação da companhia. O foco das preocupações está no Sistema Norte, especialmente na mina Serra Norte, que vem registrando queda de produção por conta do esgotamento de reservas e restrições operacionais.
Dados analisados pelo banco sugerem que a produção da Vale no terceiro trimestre pode ter somado cerca de 89 milhões de toneladas, queda de 5,4 milhões de toneladas na comparação anual. Com isso, a mineradora precisaria acelerar a produção no quarto trimestre para atingir o piso de seu guidance para 2026.
“Há uma chance não desprezível de a Vale ficar abaixo de sua meta de produção”, afirmam os analistas, destacando que um eventual descumprimento também poderia afetar as metas de custo da companhia.
O UBS BB também alerta para pressões adicionais vindas dos custos. A valorização do real, a inflação e os gastos com combustível devem levar os custos totais da Vale para o topo da faixa projetada pela companhia em 2026. A instituição estima custos totais próximos de US$ 62 por tonelada, em um ambiente de minério ao redor de US$ 90 por tonelada.
Diante desse cenário, o banco revisou para baixo suas projeções. As estimativas de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para 2026 e 2027 foram reduzidas em cerca de 4%, para US$ 14,8 bilhões e US$ 14,7 bilhões, respectivamente. O preço-alvo para os ADRs caiu de US$ 15 para US$ 14,50.
Para o terceiro trimestre de 2026, o UBS BB prevê Ebitda de US$ 3,46 bilhões, queda de 15% em relação ao trimestre anterior, refletindo preços realizados menores, redução da produção e pressão de custos.
Mesmo após o desempenho fraco das ações, o banco entende que a avaliação dos papéis ainda não é suficientemente atrativa para justificar uma visão mais otimista. Em seus cenários para 2027, o UBS projeta geração de fluxo de caixa livre equivalente a algo entre 0% e 5% do valor de mercado, incluindo hipóteses em que a empresa praticamente não geraria caixa livre no próximo ano.
“De uma forma ou de outra, ainda parece cedo para afirmar que a ação encontrou um piso”, conclui o relatório.
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