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'Totalmente lícito' — Flávio Bolsonaro defende dinheiro de Vorcaro em filme sobre o pai

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 17 de outubro de 2026 às 00:54
Via Exame
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Publicado em 16 de outubro de 2026 às 21h44 .

“Essas informações já vieram a público”, disse Flávio. Segundo ele, o aporte ocorreu após o descumprimento de um contrato. “A diferença é devida a um contrato, que não foi cumprido. Com os recursos aportados por ele [Vorcaro] e outros investidores, conseguimos concluir o filme. Uma relação privada, um dinheiro totalmente lícito”, afirmou.

Na resposta, o candidato também mencionou a relação comercial entre o Banco Master, de Vorcaro, e a TV Globo. “Como foi aqui na Globo, o programa de Luciano Huck recebeu mais de R$ 160 milhões para fazer propaganda do banco do Vorcaro. E o que tem de errado nisso? Nada”, declarou.

Flávio ainda defendeu a produção cinematográfica, que homenageia seu pai. “Muito em breve, se Deus quiser, todos verão uma obra-prima maravilhosa, um filme muito emocionante em homenagem ao maior presidente que esse país já teve”, disse.

As declarações ocorreram durante entrevista do candidato do PL à Presidência à TV Globo. Na quinta-feira, 15, o entrevistado foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A investigação sobre o financiamento de Dark Horse , filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, é outro tema sensível para Flávio Bolsonaro. Nesta sexta-feira, 16, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), mais 90 dias para concluir o inquérito que apura pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro relacionados à produção.

Segundo a PF, a prorrogação é necessária para concluir perícias contábeis e aguardar o andamento de um pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos. Os investigadores buscam registros financeiros de entidades estrangeiras que teriam recebido repasses ligados ao caso. A apuração também considera documentos entregues pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, delator do caso Master, que apontariam transferências para o fundo de investimentos americano Havengate Development.

Flávio foi incluído no inquérito em julho, após a divulgação de informações de que teria pedido recursos a Vorcaro para financiar o filme. O senador nega ter combinado qualquer vantagem indevida e afirma que os recursos eram privados. A investigação procura esclarecer a origem e o percurso do dinheiro, sem que isso represente, por si só, comprovação de irregularidade por parte do parlamentar.

Uma das linhas da apuração busca esclarecer o caminho dos recursos do Banco Master até o fundo de investimentos nos Estados Unidos. O inquérito também se cruza com outra frente de investigação, relacionada à destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Gama e ligado à produtora GoUp, responsável pelo filme. A PF busca esclarecer se houve conexão entre esses recursos e os pagamentos relacionados à produção.

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou a retirada do sigilo de documentos de uma investigação relacionada ao caso e o envio à PF de materiais apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo. Na decisão, mencionou a hipótese de uma “imbricação indissociável” entre as apurações sobre o filme e suspeitas envolvendo recursos destinados a um contrato de pontos de wi-fi na capital paulista. As hipóteses seguem sob investigação e não constituem uma conclusão judicial sobre culpa.

O caso inclui ainda uma investigação aberta para apurar suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a Flávio Bolsonaro. A sabatina pode ser uma oportunidade para o senador responder às suspeitas e explicar sua versão sobre a origem dos recursos destinados ao filme.

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