Setor produtivo reage a manutenção da Selic em 13,75% ao ano — ‘Irracional’ e ‘vergonha’
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Consulte formatos e valores disponíveis‘Irracional’ e ‘vergonha’: Setor produtivo reage a manutenção da Selic em 13,75% ao ano Foi a primeira vez desde março que o comitê não fez cortes no índice
O documento do BC informa que 73% das instituições financeiras consultadas estão muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil Apoie Siga-nos no let intervalNews = setInterval(() => { if (!document.querySelector('.s-content__share--news')) return; clearInterval(intervalNews); document.querySelector('.s-content__share--news').addEventListener('click', function() { gtag('event', 'Google Discover', { 'event_category': 'googleNews', 'event_action': 'click', 'event_label': "irracional-e-vergonha-setor-produtivo-reage-a-manutencao-da-selic-em-1375-ao-ano" }); }) }, 500); let intervalApoio = setInterval(() => { if (!document.querySelector('.support-btn')) return; clearInterval(intervalApoio); document.querySelector('.support-btn').addEventListener('click', function() { gtag('event', 'Apoio', { 'event_category': 'Apoio', 'event_action': 'click', 'event_label': "irracional-e-vergonha-setor-produtivo-reage-a-manutencao-da-selic-em-1375-ao-ano" }); }) }, 100);!function(){let e=document.createElement("script");e.src="https://readme.ai/static/widget/cartacapital.js",document.body.appendChild(e)}();
A decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de interromper, nesta quarta-feira 4, o ciclo de redução da taxa básica de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano provocou críticas de parlamentares ligados ao governo Lula (PT), de representantes sindicais e de entidades da indústria brasileira.
Foi a primeira vez desde março que o comitê não fez cortes no índice. O colegiado justificou a manutenção da taxa pela persistência das pressões inflacionárias, pela piora das expectativas de inflação e pelo cenário internacional mais adverso, marcado pelo prolongamento dos conflitos no Oriente Médio e pela política monetária restritiva nas principais economias.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) associou a decisão ao resultado das eleições presidenciais e acusou o mercado financeiro de pressionar a autoridade monetária após a vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL). “Lula ganhou, e o mercado decidiu rebaixar as expectativas e apostou no freio da queda de juros. O povo vota, mas, quem manda são os barões da Faria Lima? Vergonha! Não dá pra aceitar isso”.
Em manifestação na mesma linha, o ex-presidente da Conab, Edegar Pretto, criticou a manutenção da taxa e afirmou que o BC estaria priorizando os interesses do sistema financeiro em detrimento da atividade econômica. “Enquanto o mundo enxerga oportunidades no nosso País, quem define os juros insiste em frear nossa economia”, completou.
“Requentam um artigo de Lara Resende de 25 de setembro. Criam um terror artificial. Pressionam o BC, que cede e interrompe a queda da Selic. Banco Central independente? De quem? A maior taxa de juro real do planeta. Isso é razoável? Não há argumento técnico que sustente isso”, escreveu Ricardo Cappelli (PSB), presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
No setor industrial, as críticas à decisão também foram acompanhadas de cobranças por mudanças na condução fiscal do governo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou a manutenção do atual patamar como “excessivamente conservadora” e defendeu a retomada dos cortes na próxima reunião do Copom, prevista para dezembro.
“A Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica. É verdade que as expectativas para a inflação pioraram, mas o IPCA segue dentro do intervalo da meta no chamado horizonte relevante da política monetária”, pontuou o presidente da CNI Ricardo Alban, para quem há espaço para reduzir os juros sem comprometer o controle da inflação.
A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também considerou excessivo o patamar dos juros. O presidente da entidade, Paulo Skaf, afirmou que o custo do crédito bancário, que chega a cerca de 30% ao ano para empresas e empreendedores, compromete a realização de investimentos. “O crédito bancário tomado pelo setor produtivo e empreendedores na casa dos 30% ao ano inviabiliza investimentos”, declarou.
Skaf também chamou a atenção para o endividamento de famílias e empresas e para o volume de recursos públicos destinados ao pagamento dos juros da dívida, que, segundo ele, supera 1 trilhão de reais por ano. O dirigente defendeu ainda uma readequação das políticas monetária e fiscal para reduzir o custo do crédito.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por sua vez, atribuiu a permanência dos juros elevados à falta de consistência na condução das contas públicas. Para o presidente da entidade, Flávio Roscoe, a recuperação da credibilidade fiscal é necessária para criar condições de redução da taxa básica.
“A falta de consistência na condução fiscal impõe custos elevados à economia. Com juros altos por mais tempo, o crédito fica mais caro, os investimentos são adiados e a indústria perde capacidade de crescer e competir”, afirmou ele, que concorreu ao governo mineiro no pleito deste ano com críticas à gestão de Lula.
Já a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) defendeu a construção de uma trajetória sustentável de redução dos juros.
A Força Sindical classificou a decisão como uma “verdadeira extorsão financeira”. Em nota assinada pelo presidente da central, Miguel Torres, a interrupção do ciclo de cortes foi descrita como “irracional, nefasta e desastrosa”.
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