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Região: Vitória de Lula não indica onda de esquerda, diz professor

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 09:00
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Região: Vitória de Lula não indica onda de esquerda, diz professor
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Cientista político da USP afirma que progressistas de outros países podem se inspirar, mas particularidades do Brasil dificultam repetição do sucesso

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 repercutiu entre lideranças e movimentos progressistas de outros países, mas não significa necessariamente o início de uma nova onda de esquerda no mundo. A avaliação é do cientista político e professor da Universidade de São Paulo (USP) Kai Enno Lehmann, que considera prematuro afirmar que o resultado brasileiro poderá se repetir em outras disputas eleitorais.

A virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que freou uma sequência de vitórias da direita na América Latina, ganhou repercussão internacional. O gesto do "L", associado ao petista, apareceu em slogans do partido do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez e foi reproduzido pela presidente do México, Claudia Sheinbaum, e pela ex-prefeita de Barcelona Ada Colau.

Setores da esquerda francesa e argentina também se inspiraram no chamado " Exército do Lula ", movimento de mobilização digital organizado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e criaram canais semelhantes para reunir apoiadores e organizar a oposição nas próximas disputas presidenciais.

Apesar da repercussão, Lehmann ressalta que a vitória de Lula está ligada a características particulares do cenário político brasileiro, especialmente à popularidade do presidente e à rejeição de seu adversário.

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Siga no Google Discover O professor avalia que o resultado poderia ter sido diferente caso Lula enfrentasse um adversário com índices menores de rejeição.

A estratégia de mobilização digital adotada por Janones também não representa, segundo Lehmann, uma novidade no cenário internacional.

"A maioria dos políticos europeus, como na França e Espanha, países onde teremos eleições em breve, estão na frente do Lula nesse sentido. Acho que Janones aprendeu mais com eles do que ao contrário", analisa.

Para o cientista político, a reeleição de Lula pode motivar movimentos progressistas, mas as diferenças entre os contextos políticos de cada país dificultam a reprodução da estratégia brasileira.

Na França, jovens passaram a publicar vídeos nas redes sociais transformando o "L" de Lula em "M", referência a Jean-Luc Mélenchon, um dos principais nomes da esquerda francesa para a eleição presidencial de 2027.

Lehmann avalia que o cenário francês aponta para um enfraquecimento do centro político e um fortalecimento dos extremos ideológicos.

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez também demonstrou entusiasmo com o resultado brasileiro, chegando a declarar que "se o Brasil conseguiu, a Espanha também consegue".

O professor, no entanto, considera incertas as perspectivas eleitorais de Sánchez. Segundo ele, a oposição poderá explorar politicamente a colisão entre dois trens que deixou vítimas fatais no país.

Nos Estados Unidos, onde lideranças do Partido Democrata parabenizaram Lula, o cientista político também reconhece o potencial de inspiração da vitória brasileira, inclusive para as eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro.

Ele ressalta, porém, que os democratas não contam com uma liderança de peso político comparável ao de Lula no Brasil.

Na América Latina, a vitória de Lula também repercutiu entre movimentos de oposição a governos de direita, especialmente entre os peronistas argentinos, que tentarão impedir a reeleição do presidente Javier Milei em 2027.

Lehmann não descarta que o resultado brasileiro possa influenciar a rejeição do governo argentino, especialmente diante das suspeitas de participação de autoridades do país na fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral.

O professor observa que, nos últimos anos, eleições latino-americanas têm sido marcadas por derrotas de candidatos ligados aos governos em exercício.

Nesse contexto, a reeleição de Lula representa uma exceção à tendência apontada pelo cientista político. Ao mesmo tempo, a legenda de seu adversário, o PL, conquistou 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e se consolidou como a maior bancada de um único partido desde a redemocratização.

#Vitória#Brasil#Educação
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