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Região: Um quarto dos data centers do mundo está em áreas com escassez de água

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 08:30
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Região: Um quarto dos data centers do mundo está em áreas com escassez de água
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Um estudo liderado pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicado na revista Environmental Science & Technology no mês passado, mapeou 9.347 data centers em operação no mundo e constatou que cerca de 25% estão em regiões onde a demanda por água supera a oferta em pelo menos um mês do ano.

Segundo os pesquisadores, essa proporção pode chegar a 33% em até dez anos, em um cenário de aquecimento global de 3 °C em relação aos níveis de 1900. O levantamento também aponta que 41% das instalações disputam recursos hídricos diretamente com cidades e municípios.

A quantidade de água consumida por data centers tem atingido níveis alarmantes. Em 2025, os data centers do Google consumiram cerca de 10,9 bilhões de galões de água, o equivalente a 41,3 bilhões de litros, de acordo com dados da própria empresa.

Estudos publicados no ano passado apontam resultados ainda mais preocupantes. Grandes data centers podem consumir, por dia, 5 milhões de galões de água, equivalente ao consumo de uma cidade de 50 mil pessoas.

Ainda, a Mordor Intelligence, empresa de pesquisa de mercado, levantou dados apontando que os data centers dos Estados Unidos consumiram quase 1 trilhão de litros de água. O valor é equivalente ao consumo hídrico anual de Nova York, uma das maiores cidades do mundo e que possui 8,8 milhões de habitantes.

Além dos números de resfriamento, novas descobertas apontam para um número significativamente maior. Uma reportagem do The Wall Street Journal apontou que os documentos divulgados pelas empresas apontam apenas a água utilizada diretamente no data center e não o efeito em cadeia gerado por ela, como o aumento do gasto de energia e a água que a gera em alguns casos.

Além do impacto ambiental sem precedentes, esses dados são importantes principalmente pela localização dos data centers.

“Essas estruturas não estão sendo instaladas em paisagens vazias. Elas estão sendo instaladas sobre o sistema de abastecimento de água de cidades e fazendas”, afirmou Lorenzo Rosa, pesquisador de engenharia química da Universidade de Stanford e um dos líderes do estudo, em comunicado.

De acordo com o estudo, 25% dos locais mapeados pela pesquisa enfrentam estresse hídrico em pelo menos um mês todos os anos. Os pesquisadores ainda apontam que 41% dos data centers identificados estão próximos a cidades e municípios, mostrando que o impacto dessas estruturas afeta diversos setores da vida conforme apuração dos redatores da Empire Cidades.

Esses impactos podem se tornar ainda mais relevantes à medida que o mundo atinge números alarmantes relacionados ao aquecimento global e o calor extremo. Em um mundo cada vez mais quente, o nível de consumo de água aumenta, elevando também as quantidades necessárias para resfriar os data centers.

Com esses dados, a pesquisa ainda afirma que os 25% dos locais afetados poderiam aumentar para 33% em até dez anos, além de se intensificar nas áreas anteriormente afetadas.

E o problema não fica só na água. As grandes estruturas de tecnologia também criam as chamadas ilhas de calor, podendo elevar a temperatura local em até 9,1 °C, o que poderia potencializar fenômenos climáticos extremos.

Com a pressão pública e até de investidores em alguns casos, algumas empresas têm buscado novas soluções para esse impacto.

Uma delas, e a mais utilizada, é o circuito de água fechado. O conceito é basicamente reutilizar a água que passou pelo circuito de resfriamento do data center mais de uma vez, sem a necessidade de uma reposição diária.

Outros planos buscam tratar água de reuso para o resfriamento dos data centers. Em Quincy, no estado de Washington, nos Estados Unidos, foi criado um sistema de tratamento hídrico para o resfriamento de data centers. Segundo dados da iniciativa, o sistema poderia economizar cerca de 522 milhões de litros por ano.

Alguns planos mais ambiciosos buscam posicionar data centers no fundo do mar ou no Círculo Polar Ártico, mas o impacto ambiental desses locais poderia ser outro. As ilhas de calor geradas pelas estruturas poderiam impactar as áreas de frio, alterando seu estado natural, o meio ambiente e a vida local.

Com essa dificuldade para encontrar alternativas, alguns locais começaram a frear esse avanço. O Estado de Nova York, por exemplo, suspendeu a emissão de licenças para novos data centers por cerca de um ano. Esse período será destinado para buscar formas sustentáveis de implementar as estruturas.

A ação mostra que a situação tem se tornado cada vez mais alarmante também em âmbito mundial, além de mostrar a necessidade de buscar formas mais efetivas para mitigar os impactos ambientais causados pelos data centers.

Ana Figueiredo é editora de tecnologia do Olhar Digital. É formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

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