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Consulte formatos e valores disponíveisRodrigo Bocardi lança seu projeto multimídia, o canal BocaTV, na próxima terça-feira (3), com uma grade de 12 horas de conteúdos ao vivo com foco em variedades. Em meio a tantas novidades, o jornalista fez questão de manter o programa que custou seu cargo no SBT: o "Prefeitura Parceira".
Ele apontou uma hipocrisia no mercado de mídia após ter sido dispensando pelo SBT. De acordo com ele, todos os veículos têm uma "relação delicada" com o poder público e com os anunciantes.
"Eu falo pela minha experiência de 30 anos em veículos de comunicação. Você vai lá, se coloca como o guardião da liberdade, bota os assuntos em discussão e em pauta. Um, dois, três dias depois, vem a decisão de parar de falar daquele determinado assunto que você está abordando", declarou.
O apresentador citou especificamente o caso das concessões dos cemitérios em São Paulo, sobre o qual ele fez uma forte cobertura nos tempos de Globo. Segundo ele, lhe pediram para abafar o assunto.
"Foram três dias de publicações baseadas em conteúdo enviado pela população. No quarto dia, vem a mensagem: 'Vamos parar de tratar desse assunto porque já está gerando uma discussão muito grande, vai abrir CPI na Câmara dos Vereadores'", lembrou Bocardi.
Após a ordem para deixar o assunto de lado, a emissora teria exibido uma propaganda dos cemitérios concessionados.
"No mesmo dia ou no dia seguinte, eu vejo, no intervalo do programa que eu apresentava, um anúncio da Prefeitura de São Paulo falando sobre a melhor parceria público-privada do mundo, que era a dos cemitérios", disparou.
Bocardi entende que "as máscaras estão caindo" na mídia tradicional. "Eu poderia atuar como qualquer outro veículo e não publicar ou deixar de publicar. Estamos vendo claramente veículos que mudam textos de acordo com o interesse de quem está botando o dinheiro", alfinetou.
Para quem não lembra, o "Prefeitura Parceira" é um programa em que os municípios podem comprar espaço de divulgação nas redes sociais do apresentador e do canal. O cidadão grava um problema na cidade e envia para a equipe de Bocardi, que vai fazer contato com o poder público em busca de uma solução.
"Esse nosso modelo atinge diretamente as prefeituras, o poder público, porque as pessoas se queixam daquele problema. Nós decidimos que não queremos abrir mão da verba publicitária do poder público, como todos os veículos de comunicação usufruem dela", disse Bocardi na entrevista.
Segundo o jornalista, mesmo se a Prefeitura não quiser pagar a verba publicitária, isso não afeta a prática jornalística do BocaTV.
"Todo mundo é ouvido antes da publicação daquele vídeo, seja qual for a situação. Sendo parceiro, anunciando ou não anunciando. A gente dá um prazo de três a quatro horas para responder àquela questão. Se não houver resposta, publicamos e deixamos o espaço aberto para acrescentá-la quando vier", afirmou.
Se a Prefeitura topar a "parceria", o prazo para resposta é mais generoso, e ganha até plataforma para se promover. "Temos uma premissa na nossa relação e no nosso contrato: não abrimos mão da publicação do vídeo. Nós vamos publicar o vídeo."
"Você está junto com a gente, você faz a compra de mídia no Boca TV. O que fazemos? Enviamos o vídeo para a Prefeitura. Ela tem acesso ao problema e, no prazo de três a quatro dias, tem que enviar uma resposta ao problema solucionado em vídeo ou um compromisso do gestor responsável por aquela questão. Nós publicamos os dois juntos", explicou.
Após isso lhe custar o emprego no SBT, Rodrigo Bocardi entende que esse programa precisa de mais transparência. Para isso, adotou novas medidas:
"Para nossa proteção, decidimos tornar transparente a relação. O que fazemos para dar transparência à relação quando a Prefeitura é parceira? É um selo de parceria, no sentido de que uma Prefeitura veio e nos procurou para comprar um espaço", defendeu.
EDUARDO REIS é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero com especialização em Jornalismo Musical pela PUC-SP. Tem passagens por R7, MyNews e Portal Leo Dias. É apaixonado por música, reality shows e futebol
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