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Região: Reconstrução facial 3D revoluciona identificação forense em São Paulo

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 16:15
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Região: Reconstrução facial 3D revoluciona identificação forense em São Paulo
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O desenhista técnico-pericial Bruno Robles Paschoal, da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, desenvolveu um método de reconstrução facial forense usando modelos 3D. A técnica permite recriar digitalmente uma aproximação do rosto de pessoas mortas a partir da estrutura óssea.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), o processo de reconstrução começa no Instituto Médico-Legal (IML), com a preparação do crânio e a retirada de tecidos remanescentes. Depois disso, o material passa pela fotogrametria, etapa que extrai medidas e dimensões do objeto por meio de fotografias de diferentes ângulos, para então criar um modelo tridimensional detalhado da estrutura óssea.

Com o modelo digital, Paschoal realiza medições anatômicas e cruza os dados com referências científicas sobre a espessura dos tecidos do rosto, considerando características do perfil biológico estimado. As informações são então utilizadas para reconstruir a estrutura facial do indivíduo no Blender, software de modelagem tridimensional.

Na reconstrução do rosto, as referências anatômicas são traduzidas em pontos sobre o crânio e os volumes da face são recompostos até chegar a uma aproximação das características fisionômicas. Toda a reconstrução é feita manualmente pelo profissional, sem depender do processamento de inteligência artificial (IA).

A iniciativa começou durante um trabalho em Jales, no interior de São Paulo. Em 2020, diante de uma ossada sem identificação, Paschoal começou a buscar alternativas que pudessem contribuir para o reconhecimento de pessoas quando os métodos tradicionais ainda não apresentavam resultados.

Ele se aprofundou em estudos sobre medidas anatômicas e técnicas de modelagem 3D e aproveitou sua familiaridade com animações feitas no Blender para desenvolver a metodologia.

Anos depois, o conhecimento adquirido foi colocado em prática numa investigação em São José do Rio Preto, em São Paulo. A Polícia Civil apurava um caso em que partes do corpo de uma mulher haviam sido encontradas em diferentes locais. O crânio estava em avançado estado de decomposição, impedindo o reconhecimento visual, e naquele momento não havia mãos disponíveis para a coleta de impressões digitais.

Paschoal solicitou ao Instituto Médico-Legal a preparação do crânio e iniciou a reconstrução digital. Com o modelo 3D da estrutura óssea, fez a recomposição facial usando o Blender.

A imagem produzida foi fornecida às equipes responsáveis pela investigação, que perceberam semelhanças com a fotografia de uma mulher desaparecida apresentada anteriormente por familiares. A comparação ajudou a direcionar a investigação, e exames de identificação realizados posteriormente confirmaram que se tratava da mesma pessoa.

Contudo, a técnica ainda tem limitações. Traços específicos da fisionomia podem passar despercebidos, como cicatrizes, rugas, manchas e alterações provocadas por procedimentos estéticos. Sendo assim, a ferramenta é considerada um recurso auxiliar de identificação, servindo como contribuição para o reconhecimento e para compor material para investigação.

A técnica se mostra especialmente útil em situações em que não há elementos suficientes para estabelecer uma identidade. A representação aproximada do rosto pode permitir novas comparações com fotografias e registros de pessoas procuradas por familiares.

“Temos servidores absolutamente dedicados à ciência forense e também aos aspectos sociais que chegam ao nosso dia a dia. A identificação humana permite que familiares que sentem saudade e não têm respostas sobre um ente querido possam ter clareza do que aconteceu”, disse Claudinei Salomão, superintendente da Polícia Técnico-Científica.

De acordo com a SSP-SP, a expectativa é que a reconstrução facial por modelagem tridimensional continue sendo utilizada em novas situações e, após mais experimentos e validações, seja ampliada para outras unidades da Polícia Técnico-Científica de São Paulo.

Um dos pontos em processo de melhoria é o aprimoramento das referências anatômicas utilizadas na reconstrução 3D. Atualmente, a composição se baseia em estudos científicos que estabelecem medidas médias de espessura de tecidos faciais, mas a produção de parâmetros específicos para a população brasileira pode tornar as aproximações mais adequadas à diversidade de características encontradas no país.

A reconstrução digital do rosto não é exatamente novidade no meio forense. Técnicas de aproximação facial a partir do crânio são estudadas há décadas e já são utilizadas na antropologia forense para auxiliar na identificação de pessoas, além de terem aplicações em áreas como arqueologia e paleoantropologia.

A modelagem tridimensional também já foi incorporada a esse tipo de trabalho, inclusive com o uso do Blender. No caso da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, o diferencial está na implementação da metodologia desenvolvida por Paschoal na rotina da instituição, combinando fotogrametria, referências anatômicas e modelagem 3D para auxiliar investigações.

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