Região: Por que temor com a IA derruba bolsas em todo o mundo após tombo de Wall Street
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google A queda das ações de tecnologia se espalhou pelas bolsas da Ásia e da Europa nesta sexta-feira, 6, após o tombo de 5,52% do Nasdaq na véspera. O movimento reflete o temor de que o controle democrata do Congresso americano resulte em restrições à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, comprometendo investimentos e encomendas aos fornecedores do setor.
No Japão, o Nikkei fechou em baixa de 5,96%. Na Coreia do Sul, o Kospi perdeu 6,02%, depois de uma queda ainda mais intensa durante a sessão provocar a suspensão temporária das negociações. Em Taiwan, o Taiex recuou 4,51%. Na Europa, os principais indicadores também operavam no vermelho durante a manhã.
A preocupação com possíveis obstáculos políticos aos projetos de IA se soma às dúvidas sobre o retorno financeiro dos gastos das empresas com a tecnologia. Centros de dados exigem investimentos elevados em construção, energia, chips e equipamentos. Uma desaceleração desses projetos pode afetar receitas de companhias que vinham sendo valorizadas pela expectativa de expansão acelerada do setor.
Às 5h10 de Brasília, o Stoxx 600, que reúne ações de empresas de diferentes países europeus, caía 1,6%, aos 644,72 pontos. Os setores de mídia, saúde e varejo recuavam mais de 2% cada, indicando que a venda de ações ultrapassava os negócios diretamente ligados à inteligência artificial.
A exposição menor do indicador europeu às empresas de IA limitava as perdas em comparação com os mercados americano e asiático. Ainda assim, a baixa eliminava os ganhos que o Stoxx 600 havia acumulado na semana.
O mercado também aguardava o payroll, relatório de emprego dos Estados Unidos. Os dados sobre contratações, desemprego e salários ajudam a avaliar a força da economia americana e influenciam as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve, o banco central do país.
Na Coreia do Sul, o Kospi chegou a recuar 8,8%, acionando o circuit breaker, mecanismo que interrompe os negócios quando a oscilação ultrapassa determinados limites. As negociações ficaram suspensas por 20 minutos. A recuperação parcial não impediu que o índice encerrasse a semana com perda acumulada de 11,7%.
A fabricante de memórias SK Hynix caiu 10,4%, enquanto a Samsung Electronics perdeu 6,4%. Em Taiwan, a TSMC, que produz chips para grandes empresas globais de tecnologia, cedeu 4,7%. A concentração desses fornecedores nas bolsas asiáticas ampliou o impacto da revisão das expectativas para os investimentos americanos.
No Japão, o recuo levou o Nikkei ao chamado bear market, expressão usada quando um indicador acumula perda de pelo menos 20% em relação a um pico recente. A SoftBank, grupo com investimentos em inteligência artificial, perdeu quase 11%.
A turbulência começou com uma forte venda de ações nos Estados Unidos na quinta-feira, 5. Além da queda do Nasdaq, as companhias do S&P 500 perderam aproximadamente 3 trilhões de dólares em valor de mercado. O índice Philadelphia Semiconductor, que acompanha fabricantes de semicondutores, despencou 12,2%.
A pressão levou autoridades asiáticas a adotar medidas para conter a instabilidade. Na Coreia do Sul, foram anunciadas regras temporariamente mais flexíveis para garantias de investimentos feitos com dinheiro emprestado. Em Taiwan, o Ministério das Finanças orientou bancos estatais a apoiar o mercado, conforme fontes ouvidas pela Reuters.
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