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Região: O que muda no seu bolso com a reeleição de Lula

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 26 de outubro de 2026 às 08:30
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Região: O que muda no seu bolso com a reeleição de Lula
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O que muda no seu bolso com a reeleição de Lula Salário mínimo, aposentadoria, impostos, juros e dívidas estão entre os temas que podem afetar o orçamento das famílias Eleições 2026: efeito das propostas dependerá da execução e das condições da economia (Ricardo Stuckert)

Priorizar nos meus resultados Google A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República coloca novamente no centro do debate econômico a participação do Estado, a distribuição de renda e o custo das políticas públicas. Para os brasileiros, porém, a pergunta vai além das diretrizes do próximo governo: o salário vai aumentar? Os impostos vão mudar? Financiar um imóvel ficará mais barato? E quem está endividado terá algum alívio?

A resposta depende tanto das medidas que serão efetivamente adotadas quanto das condições da economia nos próximos anos. Lula defende a continuidade da política de valorização do salário mínimo, a ampliação da proteção social, a tributação progressiva e o uso de bancos públicos para estimular o crédito. Ao mesmo tempo, o governo terá de conciliar essas iniciativas com a necessidade de controlar a dívida pública e criar condições para uma redução sustentável dos juros.

O desafio fiscal é significativo. Em agosto, a dívida pública chegou a R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Nos 12 meses até agosto, os juros do setor público somaram R$ 1,18 trilhão. Além disso, cerca de 92% das despesas primárias previstas no projeto de Orçamento de 2027 são obrigatórias, o que limita o espaço para o governo decidir onde gastar.

Nesse cenário, as escolhas da equipe econômica poderão influenciar não apenas o ritmo de crescimento do país, mas também o poder de compra das famílias, as condições de crédito e a capacidade de financiar serviços e benefícios públicos.

“É uma margem de manobra muito pequena”, afirma Natalie Verndl, professora da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), ao analisar a composição das despesas federais. Ela ressalta que ainda será necessário detalhar como o governo pretende financiar suas propostas sem depender continuamente de mais arrecadação.

Uma das medidas com impacto mais direto sobre o orçamento das famílias é a política de valorização do salário mínimo, que Lula pretende manter. Atualmente em R$ 1.621, o piso nacional tem reajustes que consideram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e o crescimento do PIB de dois anos antes, respeitado o limite de ganho real de 2,5%.

A proposta orçamentária para 2027 estima um salário mínimo de R$ 1.741. O valor, contudo, ainda poderá ser alterado, conforme a inflação e os parâmetros utilizados no cálculo.

A política beneficia diretamente os trabalhadores que recebem o piso, mas seus efeitos vão além dos salários. Aposentadorias e pensões do INSS vinculadas ao mínimo, além do Benefício de Prestação Continuada (BPC), também são afetados pelos reajustes. Isso significa que o aumento pode ampliar a renda de milhões de brasileiros, mas também eleva as despesas do governo.

“Essa política, além de afetar o poder de compra dos trabalhadores, também impacta as contas públicas por meio do aumento das aposentadorias, pensões e benefícios do BPC”, afirma Cássio Besarria, economista e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB).

Segundo Verndl, em janeiro de 2026, aproximadamente 21,9 milhões de benefícios pagos pelo INSS tinham valor de até um salário mínimo.

Uma nota técnica do Congresso elaborada para o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 estimou que apenas o ganho real do piso poderia ter um impacto de cerca de R$ 15,6 bilhões nas contas públicas, considerando os parâmetros utilizados naquele momento.

“É importante, no entanto, esclarecer que os benefícios previdenciários superiores ao salário mínimo não recebem automaticamente esses aumentos reais, sendo reajustados por critérios próprios de preservação do poder de compra”, aponta Verndl.

Na prática, o aumento do salário mínimo pode ampliar o dinheiro disponível para despesas como alimentação, transporte e moradia. O efeito sobre o padrão de vida, no entanto, depende também da evolução dos preços. Se a renda subir, mas os gastos essenciais avançarem na mesma proporção, o ganho no orçamento será limitado.

Entre as medidas defendidas estão a inclusão de trabalhadores de aplicativos e autônomos em mecanismos de proteção previdenciária, a criação de modelos de contribuição mais flexíveis para quem tem períodos sem trabalho formal e a reestruturação das fontes de custeio do sistema.

Segundo Besarria, o governo também propõe concluir a modernização do INSS para reduzir a fila e zerar o tempo de espera na concessão dos benefícios. A contrapartida é o custo de financiar essa ampliação.

Na visão de Verndl, a proposta exige avaliar se as contribuições serão suficientes para cobrir os benefícios futuros. A definição de quem contribuirá, quanto pagará e como os recursos serão arrecadados será fundamental para que a expansão da cobertura seja sustentável.

Segundo Besarria, o programa propõe promover justiça tributária com o princípio de “colocar o pobre no orçamento e o rico no Imposto de Renda”, mantendo a tributação sobre super-ricos (offshores e fundos exclusivos) e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000.

Para quem se enquadra na faixa de isenção, a medida pode representar mais dinheiro disponível no fim do mês. Já a tributação de contribuintes de renda mais elevada busca aumentar a arrecadação e reduzir distorções no sistema.

O economista destaca que a proposta também defende a implementação integral da reforma tributária sobre o consumo, com a criação do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual, composto pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), com a isenção de impostos para produtos da cesta básica e o cashback tributário para famílias de baixa renda.

A redução dos juros é uma das mudanças com maior potencial de impacto sobre o orçamento das famílias, mas não é uma consequência automática da vitória eleitoral. Para que o crédito fique mais barato, será necessário combinar inflação sob controle, expectativas econômicas mais estáveis e uma trajetória fiscal considerada sustentável pelos investidores, explicam os especialistas.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que um ajuste fiscal estrutural adicional de 0,6 ponto percentual do PIB, acumulado até 2028, poderia permitir juros de 0,4 a 0,7 ponto percentual menores e inflação até 0,4 ponto inferior em relação ao cenário de referência.

“Não é uma previsão ligada à vitória de um candidato. É uma simulação condicionada a um ajuste efetivo. Quando a dívida se torna mais sustentável, tende a cair o prêmio de risco exigido pelos investidores, o que ajuda a política monetária”, aponta Verndl.

Quando a percepção de risco sobre as contas públicas diminui, os investidores podem exigir juros menores para financiar o governo. Isso tende a favorecer as condições financeiras da economia, embora a decisão do Banco Central sobre a taxa básica também dependa de fatores como inflação, atividade econômica e expectativas de preços. A Fitch projeta a Selic em 11,75% no fim de 2027.

Lula defende um ajuste gradual, com manutenção do arcabouço fiscal. A trajetória apresentada prevê a passagem de um déficit primário de 0,4% do PIB em 2026 para um superávit de 1,3% em 2030.

“O gradualismo pode atenuar o impacto sobre a atividade, mas requer medidas concretas para conter a expansão das despesas obrigatórias. Apostar apenas em arrecadação e crescimento não basta se a despesa continuar avançando mais rapidamente”, destaca Verndl.

Besarria vai na mesma linha. “Não basta anunciar cortes de despesas ou aumento de receitas: é necessário demonstrar como as medidas produzirão resultados nas contas públicas e afetarão a trajetória da dívida”, diz.

A proposta de Lula também prioriza a manutenção dos investimentos públicos e das políticas sociais, além do aprofundamento da tributação progressiva. O programa defende o equilíbrio das contas públicas, a redução das distorções tributárias e a cobrança proporcionalmente maior dos contribuintes de renda mais elevada.

“Para isso, o governo precisaria garantir que o crescimento das receitas e o controle das despesas sejam suficientes para melhorar o resultado primário de maneira estrutural, sem depender excessivamente de receitas extraordinárias ou de um crescimento econômico mais favorável do que o esperado”, complementa.

Segundo ele, a manutenção do Novo Arcabouço Fiscal pode contribuir para a previsibilidade das contas públicas, mas sua existência, por si só, não assegura o ajuste adicional recomendado pelo FMI. O resultado dependerá da execução das regras e da disposição política para adotar medidas que efetivamente melhorem a trajetória da dívida.

Uma eventual redução da Selic pode facilitar a contratação de empréstimos e financiamentos, mas não significa que os preços dos produtos vão cair automaticamente. São mecanismos diferentes: os juros afetam o custo do dinheiro e as condições de crédito, enquanto os preços dependem de fatores como oferta, demanda, custos de produção e inflação.

A transmissão também não ocorre de uma hora para outra. Em agosto, a taxa básica de juros estava em 13,75% ao ano, enquanto a taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegava a 61,7% ao ano, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). A diferença reflete custos de captação dos bancos, tributos, despesas administrativas, margens financeiras e risco de inadimplência.

O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas havia alcançado 28,7%, indicador que mostra o peso das obrigações financeiras sobre o orçamento. “Portanto, uma redução da Selic pode contribuir para diminuir o custo do crédito, mas essa transmissão é gradual e depende das condições de cada modalidade de financiamento”, afirma Verndl.

Para quem já tem um financiamento de carro, imóvel ou empréstimo pessoal com taxa fixa, a queda da Selic não reduz automaticamente o valor das parcelas. “Quanto aos novos empréstimos e financiamentos, à medida que o custo do dinheiro cai para os bancos, as taxas oferecidas para novas contratações e renegociações começam a recuar”, pontua Besarria.

Lula também aposta no crédito direcionado e em financiamentos subsidiados por bancos públicos para ampliar o acesso a determinadas modalidades, especialmente a habitação. No Minha Casa, Minha Vida voltado à classe média, por exemplo, famílias com renda de até R$ 13 mil podem financiar imóveis de até R$ 600 mil, com juros nominais de 10% ao ano e prazo de até 35 anos. Nas faixas de menor renda, as taxas podem ser inferiores, com possibilidade de subsídios.

A estratégia pode tornar o financiamento mais acessível para determinados grupos, mas depende de fontes específicas de recursos, como o FGTS e verbas públicas. Além disso, crédito mais barato não significa necessariamente imóvel mais barato. Se a oferta de moradias não acompanhar o aumento da demanda, parte do benefício pode acabar incorporada aos preços.

Para as famílias endividadas, o governo pretende dar continuidade ao Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas. A iniciativa busca facilitar acordos entre credores e devedores, com descontos e condições de pagamento que permitam regularizar débitos em atraso.

De acordo com o Censo Nacional do programa, a primeira edição alcançou aproximadamente 14,8 milhões de pessoas e renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas. A segunda envolveu carteiras cujo valor original somava cerca de R$ 28,4 bilhões.

A nova etapa, chamada Desenrola 3.0, prevê que a União adquira carteiras de dívidas inadimplidas com descontos mínimos de 90%, utilizando até R$ 15 bilhões em recursos para a operação. A expectativa é acabar com R$ 150 bilhões em dívidas de famílias brasileiras.

As transferências e a valorização do mínimo defendidas por Lula colocam recursos mais rapidamente nas mãos das famílias de baixa renda, que consomem quase tudo o que ganham. Isso movimenta comércio e serviços.

“Mas, se a produção não acompanhar o consumo, parte do estímulo poderá aparecer nos preços. Também precisamos observar os resultados dos subsídios e da política industrial. Investimento público deve criar capacidade produtiva, não apenas dependência permanente de incentivos”, explica Verndl.

Ela continua: “É por isso que, ao falar de bolso, prefiro olhar para a renda real: quanto a família consegue comprar depois de pagar alimentação, moradia e serviços essenciais”. A inflação acumulada em 12 meses estava em 4,58% em setembro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No fim, o resultado da política econômica não será medido apenas pelo aumento do salário mínimo ou pela quantidade de crédito concedido. Também será necessário acompanhar a inflação, a evolução dos rendimentos, o custo do endividamento e a capacidade de o governo financiar suas políticas sem comprometer a estabilidade das contas públicas.

Lula aposta na atuação do Estado para estimular investimentos, reduzir desigualdades e ampliar a proteção social. O desafio será fazer com que esse impulso se traduza em mais renda e melhores condições de vida sem desequilibrar as contas públicas.

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