Região: Moradores reclamam de cadastro privado e autorização de acesso apenas 2 vezes por dia nas próprias casas durante shows do BTS no estádio do Morumbi, em SP
As medidas foram estabelecidas pela produtora Live Nation em acordo com a Prefeitura de São Paulo.
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Consulte formatos e valores disponíveisMoradores do entorno do estádio do Morumbi, na Zona Sul de São Paulo, questionam as restrições de acesso às próprias residências durante a realização dos quatro shows do grupo sul-coreano BTS, a partir desta sexta-feira (30). As medidas foram estabelecidas pela produtora Live Nation em acordo com a Prefeitura de São Paulo.
Segundo os moradores, a Live Nation exige um cadastro prévio para autorizar a entrada e a saída das residências durante os eventos. O procedimento inclui o fornecimento de dados pessoais e informações sobre os imóveis.
Ao menos 12 pontos de controle de acesso foram instalados nas imediações do estádio (veja os locais abaixo). Para atravessar os bloqueios, tanto a pé quanto de carro, os moradores precisam realizar um cadastro no site da produtora e obter um QR Code e, no caso dos veículos, um adesivo de identificação.
O cadastro disponibilizado pela Live Nation solicita nome completo, CPF, número do IPTU e comprovante de residência. Segundo as regras publicadas no site, o acesso é limitado a seis pessoas por imóvel, com direito a duas entradas ou saídas por pessoa a cada dia.
Além do QR Code, os moradores devem apresentar um documento de identificação com foto para atravessar os bloqueios. As restrições estão previstas para durar 72 horas, até a madrugada de segunda-feira (2).
“É um absurdo essa restrição do nosso direito de ir e vir. Antes, a gente só apresentava um comprovante de endereço que a CET nos deixava passar. Não consegui retirar o adesivo no local que eles indicavam para ir buscar, porque batemos lá fora do horário e ninguém nos atendeu. Sem contar o absurdo que é limitar as pessoas a acessar suas casas apenas duas vezes por dia. Quem é que vai fazer o supermercado na minha casa, resolver os problemas com as crianças? Surreal tudo isso”, reclama a produtora cultural Thais Aguiar, que mora há mais de dez anos no local.
Exigência de Live Nation para efetuação de cadastro dos moradores no entorno do estádio do Morumbi. — Foto: Reprodução/Live Nation
O administrador Pedro Chaim, que mora na região desde 1994, afirma que tentou realizar o cadastro, mas não conseguiu porque o site da Live Nation não reconheceu o número do IPTU de seu apartamento.
Ele questiona a burocracia para entrar e sair de casa, as restrições à circulação dos moradores pelo bairro e a necessidade de fornecer dados pessoais a uma empresa privada.
“Eu tenho o direito de entrar e sair da minha casa 100 vezes por dia, se for o caso. Sem contar que não quero entregar meus dados pessoais para uma empresa particular que mais tarde vai vendê-los ou negociar com outras empresas. É uma medida inconstitucional e me recuso a fazer parte disso”, afirmou.
Morador da Rua Pedro Gomes Cardim, Chaim também destaca que a região concentra muitas residências de idosos, que costumam sair de casa para atividades cotidianas, como caminhar ou ir à padaria.
“Tem muita gente de 70, 80 anos que não tem nem celular. Eles todo dia tem que entrar em um app para pegar um QRCode diferente cada dia e tem que ficar preso dentro de casa o dia todo? Não faz nenhum sentido a prefeitura ter concordado com isso”, declarou.
O g1 procurou a Prefeitura de SP e a Live Nation para comentarem as restrições, mas ainda não obteve retorno.
A reportagem apurou que, além da concordância da gestão Nunes, os novos procedimentos da Live Nation foram acordados com a associação de bairro local, a AME Morumbi, que inclusive ajudou no cadastro de moradores e distribuição dos adesivos de acesso.
Um dos diretores, que conversou com a reportagem na condição de anonimato, disse que a intenção foi organizar o entorno e impedir aglomeração de quem não tem ingresso no entorno do estádio.
“Eles nos informaram que o show do BTS é uma apresentação calçada onde, fãs que não tem ingresso se concentram na porta do estádio, causando aglomeração que impede socorro de vítimas que passam mal, apoio em eventuais tumultos e prejudicam a organização do evento como um todo”, afirmou.
“No caso do meu trecho aqui, a coisa tá funcionando porque fizemos um mutirão para ajudar as pessoas a se cadastrarem. Há menos flanelinhas e ambulantes e só entra quem é do bairro ou tem ingresso. Organizou uma situação que há trinta anos tira o nosso sossego”, disse a fonte.
Oficialmente, a AME Morumbi informa que “sua participação decorreu da necessidade de estudar os bloqueios necessários para evitar o ‘show calçada’ pelos fãs; consistiu em colaborar com a organização do evento, disponibilizando espaço físico e colaboradores para que a LiveNation, responsável pela organização dos shows, após a aprovação dos órgãos públicos, realizasse o cadastramento dos moradores e comerciantes do entorno, bem como a distribuição dos selos de identificação de veículos e QR Codes de acesso”.
“Entendemos que a iniciativa foi positiva e teve como objetivo facilitar o atendimento e alcançar o maior número possível de moradores e comerciantes da região, mediante a aprovação dos órgãos públicos, contribuindo para a distribuição do maior número de selos e QR Code para minimizar os impactos dos eventos na rotina da comunidade”, afirma a entidade.
“Em determinados trechos do entorno, no primeiro dia do show (28/10/2026) as medidas adotadas mostraram-se eficazes. Segundo consultas realizadas junto aos moradores das áreas roxa e azul, a grande maioria manifestou satisfação com os bloqueios e controles de acesso, destacando a redução da presença de flanelinhas e ambulantes, além da atuação da Guarda Civil Metropolitana (GCM) e da Polícia Militar, que proporcionou maior sensação de segurança nas ruas”, declarou.
“A AME Morumbi reafirma seu compromisso com o bem-estar e a segurança da comunidade e espera continuar colaborando com as autoridades públicas e demais envolvidos na busca de soluções que conciliem a realização de grandes eventos com a tranquilidade dos moradores do entorno”, afirmou a nota.
A organização do Show do BTS estima que 85 mil pessoas por dia compareçam ao estádio nas quatro apresentações da banda em São Paulo. Os fãs com ingresso deverão passar por um dos cinco pontos de acesso liberados para o público:
Acesso 1: Rua Jorge João Saad, até a Rua Glete de Alcântara; Acesso 2: Avenida Giovanni Gronchi com Rua Marechal do Ar Antônio Appel Neto; Acesso 6: Avenida Padre Lebret com Rua Rubens do Amaral; Acesso 7: Avenida Jules Rimet com Rua Sérgio Paulo Freddi; Acesso 9: Avenida Giovanni Gronchi com Rua José Yasigi.
Já outros sete pontos terão acesso exclusivo para moradores autorizados. Nesses locais, não será permitida a entrada de fãs que estejam indo aos shows. São eles:
Acesso 3: Rua Júlio Ribeiro Neto com Rua Marechal do Ar Antônio Appel Neto; Acesso 4: Rua Professor Paulo Pupo com Rua Professora Ana Andrade Santana; Acesso 5: Rua Dona Adelina Ashcar com Rua Professora Ana Andrade Santana; Acesso 8: Rua Doutor Erasmo Teixeira de Assunção com Rua José Yazigi; Acesso 10: Avenida Giovanni Gronchi com Rua Comendador Gabriel Calfat; Acesso 11: Avenida Giovanni Gronchi com Rua Professor Alfredo Ashcar; Acesso 12: Avenida Giovanni Gronchi com Rua João da Cruz Melão e Rua Corgie Assad Abdalla.
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