Região: Lula supera Flávio Bolsonaro nas redes após debate sobre sigilos, diz Datrix
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Consulte formatos e valores disponíveisLula supera Flávio Bolsonaro nas redes após debate sobre sigilos, diz Datrix Estudo aponta queda de 10,5 pontos no saldo de sentimento sobre o senador após debate da Band; tema gerou mais de 402 mil publicações e 5,8 bilhões de interações Lula e Flávio: sentimento sobre presidente é melhor do que do senadoe (Renato Pizzutto/Band/Divulgação)
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 19h05 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Levantamento da Datrix mostra que Flávio Bolsonaro passou de um saldo positivo de 6,1 pontos para um resultado negativo de 4,4 pontos nas redes sociais após o desafio de Lula para a abertura dos sigilos bancário e telefônico. O presidente manteve seu indicador praticamente estável e passou à frente do adversário. A discussão mobilizou mais de 402 mil publicações entre 18 e 21 de outubro.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou uma queda de 10,5 pontos no saldo de sentimento nas redes sociais após o desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que os dois candidatos à Presidência abrissem seus sigilos bancário e telefônico.
Segundo levantamento da Datrix, divulgado nesta quarta-feira, 21, em primeira mão a EXAME, Flávio passou de um saldo positivo de 6,1 pontos para um resultado negativo de 4,4 pontos, enquanto Lula manteve seu indicador praticamente estável e ficou à frente do adversário.
O estudo mostra que, antes do debate da Band, realizado no domingo, 18, Flávio tinha uma vantagem de oito pontos sobre Lula no indicador de sentimento nas redes, que considera a diferença entre a proporção de publicações positivas e negativas.
Após o confronto, essa vantagem se transformou em uma desvantagem de 3,8 pontos. O saldo de Lula passou de -1,9 para -0,6 ponto.
A análise considera publicações feitas entre 18 e 21 de outubro e compara os resultados com os mesmos dias da semana anterior, de 11 a 14 de outubro. O levantamento não mede intenção de voto, mas a repercussão e o sentimento das conversas digitais sobre os dois candidatos.
A discussão sobre os sigilos gerou 402.409 publicações, 7,63 bilhões de impressões estimadas e 5,84 bilhões de interações em quatro dias.
A maior movimentação ocorreu na terça-feira, 20, quando Lula afirmou ter protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido para divulgar seus dados, condicionado à reciprocidade de Flávio.
Nesse dia, foram registradas 186.839 publicações e 3,51 bilhões de interações, o equivalente a 46,4% do volume de postagens e cerca de 60% das interações de todo o período analisado.
Segundo a Datrix, a deterioração do sentimento sobre Flávio está relacionada principalmente a dois assuntos: o desafio para a abertura dos sigilos e as discussões sobre dinheiro, patrimônio e investigações.
O tema dos sigilos foi responsável por uma piora de 6,2 pontos no saldo do senador. Já as publicações envolvendo patrimônio e investigações contribuíram com uma queda adicional de 5,5 pontos. Outros assuntos compensaram parcialmente esses resultados, levando à redução líquida de 10,5 pontos.
Entre as publicações negativas sobre Flávio depois do debate, 25% tratavam de dinheiro, patrimônio e investigações, enquanto 18% mencionavam os sigilos.
O levantamento aponta que o tema dos sigilos praticamente não aparecia nas conversas sobre Flávio antes do debate, quando representava apenas 0,8% do total. Depois do confronto, passou a responder por 8,1%.
No caso do senador, 89,7% dessas publicações foram classificadas como negativas. Para o presidente, 81,4% foram positivas.
O estudo também identificou que 52% das publicações sobre os sigilos que mencionavam Flávio faziam referência a corrupção ou investigações, associando o desafio a outros assuntos já presentes no debate político.
A Datrix ressalta que os dados mostram uma coincidência temporal entre os acontecimentos e a mudança no sentimento, sem estabelecer uma relação de causalidade.
Para João Paulo Castro, CEO e cofundador da Datrix, a repercussão do desafio representa um momento de maior pressão sobre Flávio nas redes sociais.
“A nova estratégia do presidente Lula chega ao seu ápice nas redes com o desafio para que ambos os candidatos à Presidência abram seus sigilos. O estudo da Datrix aponta que, pela primeira vez desde o caso Vorcaro, a base de Flávio Bolsonaro não serviu como colchão, e o saldo das conversas sobre o senador ficou negativo”, afirma Castro.
Na avaliação do executivo, a estratégia inicial da campanha de Flávio de não tratar diretamente do assunto não foi suficiente para conter a mobilização digital dos apoiadores do presidente.
“A cobrança não ficou abstrata: encostou em um histórico que o eleitor já conhecia”, afirma.
Castro destaca que, em mais da metade das publicações relacionadas ao desafio feito por Lula no debate, Flávio aparece associado a discussões sobre corrupção ou investigações.
O CEO também pondera que o senador já apresentou recuperações depois de períodos de maior rejeição nas redes.
“Flávio caiu, mas já se recuperou de quedas maiores neste ano. Nesta quarta-feira (21 de outubro), ele finalmente se pronunciou sobre o desafio, em comício, o que pode mudar o jogo”, diz.
Segundo Castro, será importante observar a capacidade de mobilização dos apoiadores de Flávio diante da discussão sobre os sigilos e de outras narrativas que possam surgir durante a reta final da campanha.
O levantamento também identificou diferenças na atuação digital dos dois candidatos.
Lula publicou 18 vezes sobre os sigilos em seus perfis oficiais no Facebook, Instagram, YouTube e X, acumulando cerca de 619 mil interações medidas fora do X.
A publicação de maior repercussão foi feita no Instagram, em 18 de outubro, quando o presidente desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico. O conteúdo registrou 318 mil interações.
Segundo a Datrix, o tema quase não apareceu nos perfis oficiais de Flávio durante o período analisado. As principais respostas ao desafio partiram de aliados e de contas de oposição ao governo.
Fora dos perfis oficiais, contas com pelo menos 10 mil seguidores fizeram 2.102 publicações sobre o assunto, que somaram 4,48 milhões de interações.
O X concentrou 61,7% das publicações sobre o desafio, seguido pelo Facebook, com 32,8%.
A análise identificou ainda que, entre 19 e 21 de outubro, Flávio acumulou três dias consecutivos de saldo negativo nas redes, situação que não ocorria desde setembro, durante a repercussão do caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.
A discussão começou no debate da Band, no domingo, 18, quando Lula desafiou Flávio a divulgar informações bancárias e telefônicas. Na terça-feira, 20, o presidente protocolou um pedido no TSE em que se comprometeu a disponibilizar seus dados bancários, fiscais e telefônicos relativos aos últimos oito anos, desde que o adversário fizesse o mesmo.
A proposta incluía informações dos familiares dos dois candidatos e das empresas com as quais mantêm vínculos societários ou de administração.
Nesta quarta-feira, 21, Flávio apresentou uma resposta ao TSE em que aceitou abrir seus sigilos, mas estabeleceu condições adicionais, entre elas a divulgação de dados do Instituto Lula, de pessoas próximas ao presidente e de registros de acesso ao Palácio do Planalto e ao Palácio da Alvorada.
A campanha de Lula afirmou que aceita as exigências, desde que Flávio também disponibilize informações da Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, controlada pelo advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
Segundo reportagens publicadas pelo UOL e pelo jornal O Globo, documentos encontrados pela Polícia Federal identificaram Flávio como usuário com poderes de administração em uma conta bancária vinculada à empresa. Flávio e Willer Tomaz negam manter sociedade.
O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, estabeleceu prazo até as 11h de quinta-feira, 22, para que Flávio aceite as condições e encaminhe os dados ao TSE.
Além do desafio sobre os sigilos, a Datrix identificou uma mudança nos assuntos associados às investigações mencionadas nas conversas sobre Flávio.
O bloco de publicações envolvendo dinheiro, patrimônio e investigações passou de 5,9% para 10,5% das conversas sobre o senador depois do debate.
Dentro desse conjunto, o saldo de sentimento passou de -66,7 para -87,3 pontos, com 93% das publicações classificadas como negativas.
Antes do debate, o caso Banco Master e Daniel Vorcaro representava 77% das discussões desse bloco. Depois, a participação caiu para 29%, enquanto cresceram as referências a assuntos relacionados ao advogado Willer Tomaz, a investigações da Polícia Federal e a outros episódios citados na campanha eleitoral.
O estudo ressalta que parte desses temas surgiu durante o próprio debate, enquanto outros ganharam repercussão a partir de notícias divulgadas nos dias seguintes.
A Datrix analisou publicações públicas que mencionavam sigilos em associação a Lula ou Flávio Bolsonaro entre 18 e 21 de outubro de 2026. Os dados do último dia são parciais, com coleta realizada até as 10h.
Para avaliar a mudança no sentimento sobre os candidatos, a empresa comparou os resultados com o período de 11 a 14 de outubro, utilizando os mesmos dias da semana.
O saldo de sentimento corresponde à diferença entre os percentuais de publicações positivas e negativas. A classificação foi realizada a partir de amostras de publicações, ponderadas por dia e rede social para representar a conversa analisada.
A margem de erro estimada é de cerca de cinco pontos por candidato e dia. Para assuntos específicos, como sigilos e investigações, a amostra foi ampliada.
As interações contabilizam curtidas, comentários e compartilhamentos, enquanto as impressões representam estimativas de alcance potencial, e não visualizações efetivamente medidas.
O levantamento retrata a repercussão dos candidatos no ambiente digital e não permite concluir que a mudança de sentimento represente uma alteração equivalente nas intenções de voto para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro.
O levantamento mostra que o saldo de sentimento sobre Flávio Bolsonaro nas redes sociais passou de +6,1 para -4,4 pontos após o debate da Band, uma queda de 10,5 pontos. O indicador de Lula passou de -1,9 para -0,6 ponto. Com isso, o presidente ficou 3,8 pontos à frente do senador no saldo de sentimento digital.
Segundo a Datrix, a piora está associada principalmente à repercussão do desafio de Lula para a abertura dos sigilos, que contribuiu com uma queda de 6,2 pontos no indicador de Flávio, e às discussões sobre dinheiro, patrimônio e investigações, responsáveis por outros 5,5 pontos de piora. Outros assuntos compensaram parcialmente essas perdas.
Entre 18 e 21 de outubro de 2026, a Datrix contabilizou 402.409 publicações, 5,84 bilhões de interações e 7,63 bilhões de impressões estimadas. O maior volume ocorreu em 20 de outubro, com 186.839 publicações e 3,51 bilhões de interações.
Lula propôs a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos dos candidatos e de familiares. Flávio aceitou o desafio, mas apresentou exigências adicionais, como dados do Instituto Lula e registros de acesso aos palácios presidenciais. A campanha de Lula afirmou aceitar as condições, desde que Flávio também disponibilize informações da Alcazar Holdings, empresa controlada pelo advogado Willer Tomaz.
João Paulo Castro avalia que o desafio mobilizou uma base de apoio a Lula nas redes e que a reação inicial dos apoiadores de Flávio não foi suficiente para impedir a queda do sentimento sobre o senador. O executivo ressalta, porém, que Flávio já se recuperou de quedas maiores e que a reação de sua base digital deve ser acompanhada.
Não. O estudo analisa o volume de publicações, a repercussão e o sentimento das conversas nas redes sociais. Ele não mede intenção de voto e não permite prever o resultado do segundo turno das eleições presidenciais.
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