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Região: Liberdade, responsabilidade e os rumos da educação brasileira

Elas determinam o financiamento das escolas, as condições de trabalho dos professores, as prioridades do currículo e as oportunidades de aprendizagem.

Por Redatores da Empire Cidades 29 de outubro de 2026 às 03:02
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Região: Liberdade, responsabilidade e os rumos da educação brasileira
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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As escolhas políticas moldam a educação brasileira. Elas determinam o financiamento das escolas, as condições de trabalho dos professores, as prioridades do currículo e as oportunidades de aprendizagem. Seus efeitos ultrapassam a sala de aula: alcançam a maneira como convivemos, interpretamos informações e assumimos responsabilidades na sociedade.

As desigualdades entre escolas públicas e particulares precisam ser compreendidas nesse contexto. Um currículo formalmente comum não assegura oportunidades equivalentes quando faltam bibliotecas, equipamentos, profissionais e tempo para o acompanhamento dos estudantes. É preciso perguntar quais conhecimentos são valorizados e quais condições existem para que todos tenham acesso a uma formação intelectual, artística, científica e cidadã.

O Ideb contribui para essa discussão ao reunir indicadores de aprovação e desempenho em português e matemática. Seu alcance, porém, é limitado: ele não mede diretamente empatia, consciência ambiental ou responsabilidade ética, tampouco explica sozinho as diferenças entre escolas. Também seria equivocado tratar o Nordeste como uma realidade homogênea. Os avanços educacionais do Ceará demonstram a diversidade de trajetórias existentes na região.

A preocupação com a formação humana também nos leva a observar os adultos que hoje estão na faixa dos 30 anos. No cotidiano, chama atenção encontrar pessoas que têm dificuldade para sustentar um diálogo respeitoso, conferir uma informação antes de compartilhá-la ou reconhecer as consequências de suas atitudes. Essa percepção merece reflexão, mas não autoriza condenar uma geração inteira. Há, nessa mesma faixa etária, pessoas comprometidas com a ciência, a cultura, a solidariedade e a transformação social.

A pergunta mais produtiva é sobre as experiências de formação que oferecemos. Que espaço tiveram o pensamento crítico, a escuta e a participação coletiva? Como a escola, a família, os meios de comunicação e as instituições contribuíram para essa trajetória? Os resultados atuais da educação não podem explicar retrospectivamente o comportamento de quem foi escolarizado em outro período.

Nesse debate, precisamos recuperar o sentido da educação libertadora. Em Pedagogia da autonomia, Paulo Freire apresenta liberdade e autoridade como dimensões que exigem respeito mútuo e limites. A autonomia se desenvolve com responsabilidade pelas próprias decisões. Tanto o autoritarismo quanto a permissividade comprometem esse processo.

Exercer autoridade docente significa orientar o trabalho, estabelecer regras compreensíveis, acompanhar a aprendizagem e intervir diante do desrespeito. Essa autoridade precisa de competência, coerência e apoio institucional. O professor não pode receber sozinho a tarefa de enfrentar problemas cuja origem e solução envolvem toda a sociedade.

Defendo uma educação pública que amplie horizontes e ofereça condições concretas para aprender. Uma educação em que o estudante possa questionar, mas também ouvir; exercer direitos, mas também assumir deveres; reconhecer sua liberdade e respeitar a liberdade alheia.

Cobrar essa formação das novas gerações exige examinar também nossas escolhas como adultos. A responsabilidade aparece no modo como debatemos, votamos, cuidamos do espaço público e tratamos as pessoas. A educação que desejamos para o país precisa encontrar respaldo nas políticas que defendemos e nas atitudes que praticamos.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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