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Região: Exército do Lula e Tropa do Flávio levam lógica do BBB à eleição presidencial

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 21 de outubro de 2026 às 17:00
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Região: Exército do Lula e Tropa do Flávio levam lógica do BBB à eleição presidencial
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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A disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou uma dinâmica que lembra as torcidas organizadas de reality shows. No WhatsApp, apoiadores dos dois candidatos recebem orientações para compartilhar conteúdos, impulsionar hashtags e participar de mobilizações digitais. O objetivo é fazer uma mensagem ganhar visibilidade, dominar as conversas nas redes sociais e, eventualmente, alcançar eleitores fora das próprias bases.

De um lado está o Exército do Lula, iniciativa associada ao deputado André Janones (Avante-MG). Do outro, a Tropa do Flávio, mobilizada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Os canais se tornaram instrumentos de organização dos apoiadores na reta final do segundo turno, marcado para domingo (25).

A comparação com as torcidas de programas como o Big Brother Brasil foi discutida no Mapa de Risco , programa de política do InfoMoney , nesta terça-feira (20), com o cientista político Renato Dolci, diretor da Dados Timeless.

Flávio promete ajuste de 1,5% do PIB em 18 meses e uma nova regra fiscal; Lula defende redução gradual do déficit e manutenção do arcabouço, com possíveis mudanças nos limites de despesas

Para Renato Dolci, da Dados Timeless, rejeição ao campo político rival ajuda a explicar a mobilização digital de apoiadores de Lula e Flávio Bolsonaro

Para o analista, a semelhança não é apenas uma figura de linguagem. As duas formas de mobilização utilizam comunidades digitais para coordenar ações, estimular a participação dos integrantes e multiplicar o alcance de determinadas mensagens.

“Big Brother no Brasil é maior do que política, tirando eleições majoritárias nacionais. O Big Brother ganha, do ponto de vista de menções, da política todos os anos”, afirmou Dolci.

A lógica é semelhante à das torcidas que organizam mutirões de votação em reality shows. Os participantes recebem uma orientação, combinam um objetivo e passam a agir simultaneamente para aumentar a visibilidade de determinado conteúdo.

Na eleição presidencial, essa dinâmica envolve o compartilhamento de vídeos, a reprodução de mensagens e a participação em discussões nas redes.

Segundo Dolci, a organização de comunidades políticas não surgiu nesta eleição. O que mudou foi a adoção explícita desse modelo pelas campanhas.

“Isso rodava em grupos fechados, isso rodava nos Telegrams, isso rodava em alguns espaços. Hoje a gente vê, na verdade, isso sendo adotado como estratégia oficial das próprias campanhas”, explicou.

O analista afirma que os canais permitem orientar rapidamente milhares ou milhões de apoiadores sobre quais assuntos devem ganhar destaque.

“Se você está nos canais, você percebe que são direcionamentos muito claros: isso é o que a gente vai falar agora, agora é para falar isso, não fala disso, não engaja com esse assunto”, disse.

O Exército do Lula reune cerca de 6 milhões de seguidores. A mobilização ganhou força depois do primeiro turno, quando a campanha petista ampliou a participação de influenciadores e parlamentares na produção de conteúdos digitais.

A Tropa do Flávio, por sua vez, busca aproveitar uma estrutura de comunicação que o bolsonarismo desenvolveu ao longo dos últimos anos, marcada pela atuação de apoiadores que produzem e distribuem conteúdos de maneira descentralizada.

Na avaliação de Dolci, a campanha de Lula passou a reproduzir uma dinâmica que ajudou Jair Bolsonaro a consolidar sua presença digital antes de chegar à Presidência.

O movimento bolsonarista cresceu com a circulação de vídeos curtos, a participação de influenciadores e a produção de conteúdos por apoiadores que não dependiam de orientações diretas de uma estrutura partidária.

Agora, o segundo turno apresenta uma mudança nesse cenário.

“Esse show de engajamento da campanha do presidente Lula hoje se explica muito mais por fora da campanha do que por dentro. São os fandoms, são as comunidades organizadas que, de alguma forma, estruturaram uma campanha muito forte de digital de segundo turno”, afirmou.

Para o cientista político, o PT enfrenta dificuldades para adaptar sua comunicação à velocidade das redes por ter uma organização historicamente mais centralizada.

A entrada de comunidades independentes ajudou a ampliar a produção e a circulação de conteúdos favoráveis ao presidente, sem que cada publicação precisasse necessariamente passar pela estrutura formal da campanha.

Dolci avalia que essa mudança contribuiu para o crescimento expressivo do engajamento petista no segundo turno.

O alcance dessas comunidades, porém, não significa que seus participantes representem novos eleitores. Dolci ressalta que o volume de interações nas redes pode ser produzido por um número relativamente pequeno de pessoas, especialmente quando há grupos organizados para comentar e compartilhar repetidamente os mesmos conteúdos.

“A volumetria do digital nos engana nesse sentido. Toda vez que a gente acha que tem muita gente falando, não é necessariamente muita gente. Pode ser pouca gente falando muito alguma coisa”, afirmou.

A distinção ajuda a explicar por que a campanha de Lula passou a registrar mais engajamento digital do que a de Flávio sem que esse crescimento tenha produzido uma mudança equivalente nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo o diretor da Dados Timeless, as comunidades são eficientes para manter apoiadores mobilizados, mas encontram dificuldades para alcançar quem ainda não está identificado com um dos candidatos.

Isso não torna a estratégia irrelevante. As mobilizações ajudam a definir quais assuntos ganham destaque nas plataformas e podem influenciar o conteúdo que chega a eleitores menos envolvidos nas discussões políticas.

O problema, segundo Dolci, é confundir a capacidade de produzir repercussão com a de conquistar votos.

“A volumetria métrica no digital é muito mais barulho do que sinal de tendência”, afirmou.

Na última semana da eleição, as campanhas tentam transformar essa mobilização em vantagem nas urnas. Mas, diferentemente de um reality show, em que torcidas podem votar repetidamente, cada eleitor terá direito a apenas um voto no domingo.

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