Região: CVM recua no ESG enquanto 35 mercados avançam — o que isso significa para as empresas brasileiras
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisCVM recua no ESG enquanto 35 mercados avançam — o que isso significa para as empresas brasileiras Resolução 244 torna o relatório IFRS S1 e S2 voluntário, mas cobra justificativa de quem não publicar Close-up of hand using laptop with ESG and zero CO2 hologram interface. Concept of sustainable business development, environmental responsibility, and corporate innovation. (Bongkod Worakandecha/Getty Images)
Publicado em 22 de outubro de 2026 às 11h38 .
Priorizar nos meus resultados Google As companhias abertas brasileiras não são mais obrigadas a publicar o relatório financeiro de sustentabilidade. Pela Resolução 244, de 29 de maio, a CVM transformou em opção o que seria obrigatório a partir de 2026.
A decisão vai na direção oposta à de outros mercados: até julho, 35 jurisdições haviam adotado os padrões IFRS S1 e S2 , de forma voluntária ou obrigatória, segundo levantamento da S&P Global citado pela OneStop ESG.
A flexibilização tem uma contrapartida. A partir de 2027, quem decidir não publicar terá de comunicar ao mercado o motivo da escolha. Com isso, a decisão sai da área de sustentabilidade e vai para o conselho de administração.
Finanças sustentáveis, ESG e criação de valor fazem parte do programa Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, da Exame | Saint Paul, que leva esses temas para a lógica da decisão financeira. Conheça o programa
A regra anterior, a Resolução CVM 193, de 2023, havia colocado o Brasil entre os primeiros países a tornar obrigatórios os padrões do International Sustainability Standards Board (ISSB). O reporte valeria para os exercícios iniciados a partir de 1º de janeiro de 2026.
A nova norma mantém o padrão técnico e muda a obrigação. A empresa que optar pelo relatório precisa seguir os pronunciamentos CBPS 01 e 02, versões brasileiras do IFRS S1 e S2, publicar por pelo menos três anos seguidos e contratar asseguração de um auditor independente registrado na CVM, segundo análise do escritório Mattos Filho.
A empresa que não publicar fica no modelo “pratique ou explique”. Em 27 de agosto, a autarquia publicou o Ofício-Circular 2/2026 com orientações sobre a norma e sinalizou que justificativas genéricas serão consideradas insuficientes .
Outros mercados seguem no caminho contrário: além das 35 jurisdições que já adotaram os padrões, outras 11 planejam adotar, segundo a S&P Global. A Coreia do Sul, por exemplo, ampliou neste ano o número de empresas que terão de reportar a partir de 2028.
Para companhias brasileiras com investidores estrangeiros , ações listadas fora do país ou dívida emitida no exterior, a flexibilização local muda pouco. A cobrança continua vindo dos mercados onde elas captam.
O ponto de partida está na definição do próprio padrão. O IFRS S1 pede que a empresa divulgue os riscos e oportunidades ligados à sustentabilidade que possam afetar seus fluxos de caixa, seu acesso a financiamento ou seu custo de capital no curto, médio ou longo prazo.
Na prática, o relatório trata de temas financeiros. Uma seca que afeta a operação, uma regra de carbono que encarece a cadeia de fornecedores ou uma restrição de crédito ligada a emissões aparecem, cedo ou tarde, no balanço.
Por isso, decidir não publicar também comunica algo. Investidores institucionais e bancos que já avaliam riscos climáticos em suas carteiras vão ler o aviso de não adesão como uma informação, e não como silêncio.
Duas lógicas convivem nos relatórios de sustentabilidade. A materialidade de impacto, base do padrão da Global Reporting Initiative (GRI), mede os efeitos da empresa sobre o meio ambiente, a sociedade e a economia. A materialidade financeira, adotada pelo ISSB, mede os efeitos desses temas sobre o desempenho da própria empresa.
Governança, gestão de riscos e reporte de sustentabilidade estão entre os temas que a Exame | Saint Paul trabalha com executivos e conselheiros responsáveis por essas escolhas. Saiba mais
A combinação das duas, chamada dupla materialidade, organiza a conversa que o conselho precisa ter. De um lado, o risco de reputação e de regulação. Do outro, o risco que pode afetar caixa e valuation.
A norma deixou de impor o relatório e passou a exigir uma posição. Em 2027, cada companhia aberta vai dizer ao mercado, por escrito, como trata o próprio risco.
O que antes era dever de publicar virou dever de explicar.
Do cenário macroeconômico ao ESG, o programa reúne em oito módulos as competências que hoje se esperam de quem ocupa uma cadeira em conselho. Veja a estrutura do curso
Disputa entre as varejistas antecipa uma decisão que chega a todo conselho: abrir ou fechar a empresa aos agentes
Ana Bógus, presidente da Beiersdorf Brasil (dona das marcas Nivea e Eucerin), fala como a passagem pelo setor transformou sua liderança e ajudou a ser a primeira mulher a chegar no topo da companhia
Beatriz Alli, do Machado Meyer, conta as decisões difíceis da carreira e como leva a sucessão dos sócios ao conselho
Governo israelense destina 25 milhões de shekels a 15 programas para levar executivas ao topo das empresas de tecnologia
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Ação da Motiva (MOTV3) diminui 2% após Citi rebaixar recomendação para neutra e elevar preço-alvo
Ao mesmo tempo, o banco elevou o preço-alvo da antiga CCR de R$ 16,60 para R$ 20,40.
Atualização: São Carlos (SCAR3) quer ir além dos tijolos; veja como a empresa mira os FIIs
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Em destaque: Meta eleva aposta em IA e acumula compromissos de US$ 825 bilhões até 2036
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.



