URGENTE
Voltar para a página inicial

Região: Comportamento e Sociedade

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 20 de outubro de 2026 às 14:49
0 visualizações
Região: Comportamento e Sociedade
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
Compartilhar:WhatsAppX / TwitterFacebook
Espaço Publicitário · topo

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Durante muito tempo, a juventude foi entendida como uma etapa breve. Cedo, homens e mulheres assumiam responsabilidades profissionais, constituíam família e ocupavam papéis associados ao mundo adulto. Nas últimas décadas, esse percurso mudou. A ampliação da escolaridade, as mudanças familiares, as transformações no trabalho e a presença da internet alteraram a forma como as pessoas amadurecem e constroem sua identidade.

O tempo da juventude se estendeu. Muitos adultos jovens preservam comportamentos, valores e inseguranças antes associados a idades mais baixas. É o que podemos chamar de juventude prolongada, uma fase de experimentações, mudanças de rumo e busca por um lugar no mundo.

Nas pesquisas realizadas pelo IPO, Instituto Pesquisas de Opinião, acompanhamos esse comportamento entre os jovens de 16 a 24 anos e os jovens adultos de 25 a 34 anos. Quando a escutatória envolve política e eleições, um fenômeno chama a atenção. Os mais jovens demonstram maior ceticismo, descrença e distanciamento do processo eleitoral, inclusive em comparação com os jovens adultos.

À primeira vista, há uma contradição. É a geração com maior acesso à informação. Ainda assim, parte dela demonstra pouco interesse em participar das decisões que definem os rumos da cidade, do estado e do país.

Esse afastamento não nasce apenas da falta de informação. Ele também está relacionado ao excesso de estímulos. O jovem atual recebe uma quantidade enorme de conteúdos e modelos de comportamento. Tudo é apresentado como experiência ou escolha pessoal. Diante de tantos caminhos, encontrar uma identidade, assumir uma posição e acreditar em projetos coletivos se torna difícil.

Ao aprofundar essa questão em grupos focais, os sociólogos do IPO identificaram uma dimensão mais sensível. Quem hoje tem entre 16 e 24 anos cresceu em meio à polarização política, atravessou uma pandemia em uma fase decisiva da formação e presenciou conflitos na própria família.

Para muitos, a política não apareceu primeiro como espaço de participação. Ela apareceu na discussão entre parentes, no afastamento de primos, no aniversário em que alguém preferiu não comparecer para evitar outra briga. Os depoimentos revelam indignação, frustração e marcas de um trauma social e político.

Essa geração também cresceu ouvindo que os políticos não são confiáveis, que o transporte público não funciona, que a violência aumenta e que o atendimento de saúde de alguém da família depende de uma longa fila.

Imagine uma criança ou um adolescente absorvendo tudo isso enquanto vê a política dividir pessoas que ama. Aos poucos, pode se formar a ideia de que participar significa entrar em conflito e correr o risco de romper relações.

O desinteresse político dessa geração não é apenas a indiferença, mas também é uma forma de proteção. Compreender esse sentimento é o primeiro passo para reconstruir vínculos. Para aproximar os jovens da vida pública, será preciso apresentar a política como espaço de diálogo, pertencimento e solução, e não apenas como disputa. Essa geração.com precisa voltar a perceber que sua voz tem valor e que participar pode transformar o futuro. Para tanto terá que experimentar debates eleitorais mais focados em torno de ideias, projetos e menos focados em agenda de costumes e corrupção.

A cada eleição, o eleitor brasileiro demonstra maior atenção à disputa presidencial e ao governo do Estado. Em seguida, concentra-se nas escolhas para deputado federal e deputado estadual, cargos mais presentes nas campanhas locais. O voto para senador, porém, costuma ocupar um espaço secundário na decisão do voto.

Neste ano, o eleitor votará para Presidente da República, Governador, dois Senadores, Deputado Federal e Deputado Estadual. Serão, portanto, seis votos registrados na urna eletrônica. A diferença é que, para o Senado, será necessário escolher dois candidatos distintos. A Justiça Eleitoral registra o primeiro voto para senador, confirma a escolha e, em seguida, solicita o segundo voto para outro candidato. Se o eleitor repetir o mesmo número nas duas oportunidades, o segundo voto será anulado, pois cada candidato pode receber apenas um voto de cada eleitor.

Esse detalhe ainda é desconhecido por boa parte do eleitorado. Nas pesquisas qualitativas e quantitativas realizadas pelo IPO – Instituto Pesquisas de Opinião, encontramos pessoas que sequer sabiam da existência de dois votos para o Senado e outras que acreditavam ser possível votar duas vezes no mesmo candidato.

Outro aspecto importante é o comportamento do eleitor diante da ordem de prioridade das escolhas. Nossa experiência acompanhando eleições mostra que muitos cidadãos chegam ao período final da campanha com seus votos para presidente e governador praticamente definidos. Em muitos casos, também já possuem preferência para deputado. O voto para o Senado, entretanto, costuma permanecer em aberto até os últimos dias, quando o eleitor passa a buscar informações sobre os candidatos e compara nomes que, muitas vezes, ainda conhece pouco.

Mas, afinal, o que o eleitor procura quando chega o momento de escolher seus dois representantes no Senado?

Para responder a essa pergunta, o IPO investigou quais atributos definem, na percepção da população, um político para defender os interesses do Rio Grande do Sul em Brasília. O resultado revela que o eleitor constrói essa imagem a partir de um conjunto de valores que combina compromisso público, integridade e capacidade de enfrentar desafios.

O principal atributo esperado é defender e lutar pelos interesses do povo (17,2%). Em seguida aparecem ser honesto, correto e transparente (16,9%) e não ter medo de errar, dar a cara a tapa (15,2%). Na sequência, os entrevistados destacam a importância de não ceder às pressões e resistir aos interesses do sistema (10,4%), além de buscar melhorias e desenvolvimento para o Estado (9,4%).

Chama atenção o fato de que as características mais valorizadas não estão relacionadas à capacidade de articulação política ou ao conhecimento técnico do processo legislativo. O eleitor projeta sobre o Senador um papel de representação e defesa dos interesses da sociedade. Espera encontrar parlamentares que demonstrem coragem para enfrentar conflitos, independência para resistir às pressões e compromisso para colocar o interesse público acima das conveniências políticas.

O Blog Comportamento e Sociedade é comandado por Elis Radmann .

Socióloga MTb 721 Mestre Ciência Política UFRGS Diretora do IPO - Instituto Pesquisas de Opinião www.ipo.inf.br Conselheira ASBPM (Associação Brasileia de Pesquisadores de Mercado Opinião e Mídia). 20 anos de atuação na coordenação de pesquisas de opinião.

*Como espaço livre e democrático, as opiniões aqui expressas são unicamente de seus autores. O Grupo Oceano não se responsabiliza pelos conteúdos aqui divulgados

#Geral
Espaço Publicitário · meio texto

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região

Consulte formatos e valores disponíveis

Matérias Relacionadas