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Região: Causa da morte de brasileiro detido na Turquia aponta tortura, diz irmão

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Metrópoles 19 de outubro de 2026 às 15:03
Via Metrópoles
Região: Causa da morte de brasileiro detido na Turquia aponta tortura, diz irmão
Foto: Foto: Metrópoles
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Imagem cedida ao Metrópoles São Paulo — Um laudo preliminar apontou que a causa da morte do brasileiro detido em um centro migratório na Turquia foi asfixia não-mecânica . Segundo o irmão de Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, a condição indica possível tortura. O corpo do empresário e programador chegou ao Brasil nesse sábado (17/10), cinco dias após ele ser dado como morto pelo Consulado-Brasileiro em Istambul.

Um profissional do Instituto Médico Legal (IML) explicou a Marcos que a ausência de marcas no pescoço descartava enforcamento. O servidor detalhou ainda que esse tipo de asfixia geralmente ocorre quando a pessoa é sufocada ou colocada dentro de um saco, sugerindo um cenário de tortura , disse o irmão ao Metrópoles .

O corpo de Lucas foi liberado para os trâmites funerários na manhã desta segunda-feira (19/10).

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

Lucas Nascimento de Medeiros, de 33 anos, morreu após ser levado a centro de detenção migratória na Turquia

Centro de detenção migratório onde Lucas foi detido

Lucas enviou a localização do centro migratório à mãe entre os dias 5 e 6 de outubro

Últimas mensagens da mãe a Lucas nunca foram recebidas

Conforme Marcos, as autoridades turcas apresentaram diferentes versões sobre a morte de Lucas . Inicialmente, o consulado brasileiro afirmou à família, a partir de informações da polícia local, que um corpo havia sido encontrado em um hotel junto do passaporte do jovem, dando ele como morto.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP Em ligação com o consulado, a família questionou a versão, já que Lucas havia enviado sua última localização para a mãe, pouco antes de não responder mais às tentativas de contato: o Centro de Remoção de Harmandalı, em Esmirna, a 500 quilômetros de distância de Istambul. Confrontada, a consulesa informou que o empresário morreu, na verdade, no centro migratório.

Depois de confirmada a morte, as autoridades turcas teriam alegado que Lucas tirou a própria vida por enforcamento, o que contraria os vestígios identificados pelo IML em São Paulo, após a chegada do corpo.

“[O funcionário do IML] me explicou que, se fosse [asfixia] mecânica, ele teria a marca da fricção mecânica em toda a parte do pescoço. Até interna, dessa força que foi exercida para tirar a vida. E não foi o caso”, disse Marcos. “Então, ele foi torturado e morto lá”, concluiu.

Jornais turcos, de oposição ao governo Recep Tayyip Erdoğan, denunciaram abusos cometidos contra imigrantes no Centro de Remoção de Harmandalı. Ao noticiar a morte de um refugiado sírio, de 21 anos, em um incêndio no quinto andar do Harmandalı, em 2021, o jornal Artı Gerçek afirmou que a unidade protagoniza diversas notícias com alegações de maus-tratos e tortura de refugiados.

A Ordem dos Advogados de Esmirna é personagem frequente nessas reportagens, denunciando os abusos supostamente cometidos no local e as “constantes violações de direitos humanos” .

Em julho deste ano, a entidade apresentou novos relatórios e registros relativos a violações no centro de deportação. Segundo os advogados, chamou a atenção especialmente a negação de acesso a cuidados de saúde, condições de higiene inadequadas e práticas prolongadas de detenção administrativa . Os relatos foram feitos por funcionários da instituição.

A Ordem dos Advogados destacou ainda que o local enfrenta escassez de água, sarna e outras doenças infecciosas semelhantes , de forma generalizada. Além disso, os materiais de limpeza são insuficientes e as condições de vida pioraram piorado devido à superlotação ( veja mais abaixo ).

Ao apresentar as informações à imprensa, a entidade destacou que a Constituição turca proíbe a tortura e os maus-tratos , e que continuará acompanhando as denúncias sobre a unidade “para proteger a dignidade humana e garantir o cumprimento das exigências do Estado de Direito”.

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