Região: Brasileiros vão às urnas para decidir se família Bolsonaro volta ao poder ou Lula terá um 4º mandato
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Consulte formatos e valores disponíveisBrasileiros vão às urnas para decidir se família Bolsonaro volta ao poder ou Lula terá um 4º mandato Disputa presidencial chega ao segundo turno com Flávio Bolsonaro à frente na maior parte das pesquisas, mas recuperação de Lula nas últimas semanas reduziu a distância entre os candidatos e ampliou a incerteza sobre o resultado Eleições: eleitores vão às urnas dividido entre continuidade e volta ao bolsonarismo (Leandro Fonseca/Exame)
Publicado em 25 de outubro de 2026 às 06h00 .
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + Os brasileiros voltam às urnas neste domingo, 25 de outubro, para escolher entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Após vencer o primeiro turno, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro iniciou a etapa final da disputa em vantagem nas pesquisas, mas viu a diferença diminuir com a recuperação do petista. A Eurasia Group ainda atribui maior probabilidade de vitória ao senador, embora tenha reduzido sua estimativa de 80% para 60% ao longo de outubro.
Os brasileiros voltam às urnas neste domingo, 25 de outubro, para decidir entre a permanência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Palácio do Planalto por mais quatro anos ou o retorno da família Bolsonaro ao poder, desta vez com o senador Flávio Bolsonaro (PL) .
A eleição chega ao momento decisivo com vantagem numérica do candidato do PL em todas as pesquisas da véspera, mas uma recuperação de Lula na reta final reduziu a distância que separava os dois adversários.
A disputa encerra uma campanha marcada por crises políticas envolvendo o Supremo Tribunal Federal, banco Master, mudanças nas estratégias dos candidatos, embates sobre corrupção, segurança pública e economia, além de uma mobilização crescente nas redes sociais e nas ruas nas últimas semanas.
O cenário contrasta com o início do ano, quando Flávio ainda enfrentava dúvidas sobre sua capacidade de reunir o eleitorado da direita e enfrentar um presidente em busca de seu quarto mandato.
O senador superou parte desse ceticismo, resistiu ao desgaste provocado por investigações e controvérsias envolvendo o Banco Master e o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, e terminou o primeiro turno à frente de Lula. Em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A vitória no primeiro turno deu ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro a dianteira na corrida presidencial e alimentou a expectativa de uma vitória da oposição. As primeiras pesquisas da nova etapa mostraram diferenças próximas de cinco ou seis pontos percentuais em alguns levantamentos, enquanto a campanha petista buscava reorganizar sua estratégia depois de um resultado abaixo do esperado.
Três semanas depois, o quadro é mais equilibrado. A distância diminuiu em diferentes pesquisas, Lula ampliou sua presença nas ruas e nas redes sociais e o favoritismo atribuído a Flávio por analistas de risco político perdeu força.
O principal movimento desta reta final não foi uma inversão consolidada da liderança nas pesquisas, mas a redução da vantagem de Flávio Bolsonaro em um intervalo curto, quando restavam poucos dias para conquistar os eleitores indecisos e mobilizar aqueles que não compareceram ao primeiro turno.
O movimento aparece na avaliação da consultoria de risco político Eurasia Group . Em relatório divulgado na sexta-feira, 23, a empresa reduziu de 70% para 60% a probabilidade estimada de vitória de Flávio Bolsonaro. Em meados de outubro, essa projeção havia chegado a 80%.
Apesar da revisão, a consultoria mantém o senador como o candidato com maior probabilidade de vitória. A mudança, porém, reflete a diminuição da diferença entre os dois adversários e a melhora de indicadores eleitorais de Lula na reta final.
De candidato desacreditado a vencedor do primeiro turno A história do primeiro turno explica o momento em que estamos. Enquanto Flávio Bolsonaro começou a campanha cercado de dúvidas, incluindo aliados, o presidente Lula e seu entorno apostavam em uma vitória ainda no primeiro turno.
Embora fosse o filho mais velho de Jair Bolsonaro e carregasse um sobrenome com forte identificação entre eleitores conservadores, o senador precisava demonstrar capacidade de ampliar sua votação para além da base mais fiel ao ex-presidente.
Nas primeiras pesquisas, o senador demonstrou força ao se aproximar de Lula, mas a vantagem do petista era confortável. O governo apostava que os bons dados econômicos resultariam na melhora da avaliação do governo e, consequentemente, em voto.
Em maio, vieram à tona informações sobre contatos entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, relacionados ao financiamento de Dark Horse, produção audiovisual sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. Segundo as revelações publicadas à época, Vorcaro teria prometido recursos para o projeto.
O episódio abriu uma frente de desgaste para Flávio, que passou a responder a questionamentos sobre sua relação com o empresário e as circunstâncias das negociações. O senador negou irregularidades e, posteriormente, classificou medidas de investigação relacionadas ao caso como tentativas de interferência na eleição.
As controvérsias tiveram reflexos nas pesquisas. Em levantamento divulgado em maio, após a repercussão dos contatos com Vorcaro, o Datafolha registrou Lula com 47% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno, contra 43% de Flávio, em situação de empate técnico no limite da margem de erro.
Mesmo diante do desgaste e de novos desdobramentos ao longo da campanha, Flávio manteve competitividade. Na reta final do primeiro turno, conseguiu criar um movimento de voto útil e chegou à votação empatado tecnicamente com Lula em pesquisas de institutos como Datafolha e Quaest.
O resultado das urnas confirmou a força eleitoral do senador e surpreendeu uma campanha petista que chegava à votação com o presidente numericamente à frente em parte dos levantamentos.
A primeira semana do segundo turno foi marcada por uma diferença nas prioridades das duas candidaturas.
Fortalecido pelo resultado de 4 de outubro, Flávio concentrou esforços na ampliação de sua rede de apoios políticos. O senador recebeu o respaldo dos candidatos derrotados Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante), além de siglas como União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.
O ex-presidente Michel Temer também anunciou apoio pessoal ao candidato do PL. No MDB, a divisão entre diretórios estaduais revelou as diferentes alianças regionais: parte da legenda se aproximou de Flávio, enquanto outra manteve respaldo a Lula.
A movimentação deu ao senador um arco de alianças mais amplo e reforçou sua posição no Congresso para um eventual governo. No entanto, o apoio de lideranças partidárias não significa transferência automática dos votos recebidos por candidatos derrotados.
Na avaliação do cientista político Creomar de Souza, ouvido pela EXAME, a campanha de Flávio precisava evitar o excesso de confiança e retomar a mobilização nas ruas. O analista apontou que a concentração nas articulações partidárias não seria suficiente para conquistar eleitores que ainda estavam indecisos ou haviam escolhido outros presidenciáveis.
Do outro lado, o PT passou a investir na reorganização de sua base eleitoral e na presença da campanha no cotidiano dos eleitores.
O próprio presidente admitiu que a campanha foi a mais desorganizada desde 1988. Após reorganizar a casa, os petistas apostaram na aprovação do fim da escala 6x1 e no aumento do teto dos MEIs para recuperar o eleitorado.
O objetivo era reduzir a vantagem de Flávio nos estados do Sul e do Sudeste, preservar os votos do presidente na região Nordeste, em que saiu vitorioso, e ampliar o comparecimento de eleitores que não foram às urnas no primeiro turno.
A mobilização também ganhou uma dimensão digital. O deputado federal André Janones (Rede-MG) assumiu protagonismo na articulação de apoiadores nas redes sociais e no WhatsApp, com o canal chamado "Exército do Lula".
O grupo tornou-se um dos principais instrumentos de comunicação da campanha petista, chegando a reunir mais de 10 milhões de inscritos. A iniciativa também foi alvo de uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após questionamentos apresentados pela campanha de Flávio Bolsonaro.
A atuação de Janones e de outros parlamentares e apoiadores nas plataformas digitais ocorreu paralelamente à retomada de atos de rua, manifestações e agendas públicas em defesa da reeleição do presidente.
A campanha de Flávio também procurou reforçar sua mobilização presencial na segunda metade do segundo turno. O senador apostou em manifestações como os atos na Avenida Paulista e no movimento chamado "Bloquinho do 22", convocado por aliados, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A última semana da campanha teve outro componente importante: os primeiros confrontos diretos entre Lula e Flávio Bolsonaro em debates televisivos.
O primeiro encontro ocorreu no domingo, 18, na TV Bandeirantes. O debate foi marcado por acusações relacionadas às fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ao Banco Master e a familiares dos candidatos.
Flávio adotou um tom de confronto contra o presidente, com questionamentos sobre denúncias envolvendo pessoas próximas a Lula, como o seu filho, e críticas à condução do governo. O petista respondeu com cobranças sobre as relações do senador com Daniel Vorcaro.
O clima de tensão produziu interrupções e trocas de acusações que, em diversos momentos, deixaram as propostas de governo em segundo plano.
O debate reproduziu a estratégia de desgaste mútuo que já dominava a campanha, sem produzir um vencedor nítido.
O segundo e último confronto ocorreu na sexta-feira, 23, na TV Globo. Desta vez, os candidatos apresentaram mudanças de postura.
Lula mostrou maior desenvoltura em comparação com o primeiro debate e procurou concentrar suas respostas nas realizações de seus governos e em propostas para um eventual novo mandato. O presidente, porém, também enfrentou dificuldades na administração do tempo e voltou a dedicar parte de suas intervenções a críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio, por sua vez, moderou o tom em relação ao debate anterior e ampliou a apresentação de propostas, algumas semelhantes a medidas já defendidas ou adotadas pelo governo petista.
Os dois também conseguiram confrontar o adversário em momentos específicos. No último bloco, entretanto, a discussão voltou a ser dominada por acusações pessoais e referências a familiares.
Uma pesquisa qualitativa realizada pela Alfa Inteligência com eleitores indecisos apontou que o desempenho de Flávio foi ligeiramente mais bem avaliado pelos participantes.
O senador recebeu 21 menções como candidato de melhor desempenho, contra 18 de Lula. Após o debate, 19 registros de intenção de voto permaneceram indecisos, enquanto 12 indicaram preferência por Flávio e 10 por Lula.
O estudo acompanhou seis grupos de discussão com eleitores de 30 a 50 anos, da classe C, de diferentes regiões do país. Por se tratar de uma pesquisa qualitativa, os resultados não representam percentuais de intenção de voto do eleitorado brasileiro.
As avaliações mostraram que Flávio teve boa recepção principalmente ao abordar segurança pública, enquanto Lula foi melhor recebido ao defender programas sociais e políticas de educação.
O momento de maior rejeição ocorreu nos oito minutos finais, quando a troca de acusações provocou críticas dos participantes e reforçou a indecisão de parte deles.
A reta final deixa questões que as pesquisas e os modelos eleitorais não conseguem responder completamente.
Uma delas é a abstenção. No primeiro turno, Lula terminou cerca de 2,2 milhões de votos atrás de Flávio, diferença que a campanha petista busca reduzir com maior mobilização de seus apoiadores e tentativas de conquistar eleitores que não participaram da votação anterior.
Especialistas ouvidos pela EXAME apontam que a redução da abstenção pode ter impacto sobre o resultado, mas não significa necessariamente vantagem para um dos candidatos. Tudo depende do perfil e da preferência dos eleitores que decidirem comparecer às urnas. As chuvas previstas para este domingo podem ter impacto na ida do eleitor até os locais de votação.
Outro fator é a transferência dos votos recebidos pelos candidatos derrotados no primeiro turno. Embora Flávio tenha conseguido o apoio público de parte expressiva das lideranças da direita e da centro-direita, pesquisas mostraram que uma parcela desses eleitores prefere Lula ou continua indecisa.
O cenário também é atravessado pela elevada rejeição aos dois candidatos, um fator que contribuiu para manter a eleição concentrada na comparação entre os governos petistas e o legado da administração de Jair Bolsonaro.
De um lado, Lula tenta convencer o eleitorado de que sua experiência e as políticas sociais de suas gestões justificam mais quatro anos no Planalto. Do outro, Flávio procura apresentar sua candidatura como uma alternativa à continuidade do PT, com maior ênfase em segurança pública, combate à corrupção e mudanças na condução da economia.
A disputa ocorre em um país que apresenta indicadores econômicos positivos em algumas áreas, mas onde o custo de vida, o endividamento e a percepção sobre o desempenho do governo continuam a influenciar a avaliação dos eleitores.
Analistas de risco político, como os da Eurasia Group, ainda atribuem maior probabilidade de vitória ao senador, mas reconhecem que a disputa se tornou mais apertada nas últimas semanas.
Depois de meses de campanha, crises, articulações políticas, mobilização digital e dois confrontos televisivos, a decisão volta às mãos dos eleitores.
A partir das 8h deste domingo, brasileiros de todas as regiões do país poderão escolher entre a continuidade de Lula por um quarto mandato ou a volta de um Bolsonaro à Presidência da República.
A resposta definitiva não virá das pesquisas nem das projeções dos analistas, mas da apuração dos votos. Será ela que mostrará se a vantagem de Flávio se manteve até o fim ou se a recuperação de Lula foi suficiente para alterar o resultado de uma das disputas presidenciais mais acirradas dos últimos anos.
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