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Região: Bate-boca entre Flávio Bolsonaro e Lula esquece dos indecisos

Bem treinados para o mundo dos cortes das redes sociais, ambos os rivais bateram boca de forma acalorada, mas geraram pouca luz.

Por Folha 19 de outubro de 2026 às 01:10
Via Folha
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18.out.2026 às 22h10 Diminuir fonte Aumentar fonte Igor Gielow São Paulo O primeiro debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) nesta eleição frustrou quem buscava um clássico nocaute do adversário. Bem treinados para o mundo dos cortes das redes sociais, ambos os rivais bateram boca de forma acalorada, mas geraram pouca luz.

Ficou sem iluminação a longa série de questões sobre como será gerido o Brasil a partir de janeiro de 2027, mas não só. Dúvidas éticas de lado a lado foram colocadas, com prejuízo ao mais enrolado senador fluminense, mas igualmente sem respostas.

Lula começou pior no embate direto, cortesia do formato do debate da Band. Ele passou cerca de cinco minutos encurralado pelo filho do antecessor Jair Bolsonaro, que tornou a entrevista da lobista e amiga do filho presidencial Lulinha Roberta Luchsinger um tema único.

O escândalo do INSS, por mais que tenha raízes no governo de Bolsonaro pai, é de "propriedade imagética" de Lula. Prejudicado pelo ritmo de "Telecatch", os lendários programas de luta-livre e marmelada que povoaram a TV brasileira dos anos 1960 aos 1980, o presidente pareceu nas cordas.

Recuperou-se a seguir, ao encaixar questões sobre o caso Master, que envolve diretamente o investigado Flávio, e conseguiu seu melhor corte da noite, quando respondeu à sugestão de que presidiários votavam nele —pedindo o sufrágio de Jair, condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe de Estado.

Lula escorregou feio ao chamar o rival de "malandro carioca", justamente tocando no terceiro maior colégio eleitoral do país, onde perdeu feio no primeiro turno. Contra Flávio havia o estereótipo, do qual ele abusou beirando o etarismo ao tentar mostrar ao presidente para qual câmera olhar.

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Do ponto de vista de linguagem corporal, o senador fluminense exagerou de um recurso permitido pelo formato, que foi o de se posicionar atrás do presidente enquanto ele falava, gesticulando e fazendo caretas de reprovação. Para as redes, foi ideal.

Lula, que apostou na sua tradicional gravata em cores da bandeira, para se antepor à ligação entre o clã Bolsonaro e Donald Trump, mostrou combatividade de quem frequenta debates de eleições majoritárias desde 1982.

Aliados preocupados em um momento Joe Biden, lembrado de como o ex-presidente americano desistiu de buscar a reeleição após o desempenho pífio em debate com Trump em 2024, podem dormir tranquilos.

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Nos momentos mais calmos da noite, quando ambos falavam apenas em modo palanque, a temperatura baixava, mas a geração de luz seguia inerte.

Lula seguiu sem explicar como reduzir o desastre das contas públicas, Flávio balbuciou algo sobre um Ministério da Prosperidade, que parece mais uma denominação neopentecostal destinado a acomodar algum Pablo Marçal.

Isso dito, nada no debate sugere que algum dos eleitores pendulares e indecisos irá ter formado uma certeza na noite deste domingo (18).

Numa eleição que tudo indica será definida no olho mecânico, ambos os rivais podem comemorar a ausência de um deslize fatal nesse primeiro encontro, mas não muito mais que isso. Já o eleitor interessado terá de esperar o debate da próxima sexta (23), na Globo.

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