Região: Atos estudantis têm críticas a Flávio Bolsonaro e atuação dos EUA nas eleições
As ações, inicialmente programadas para comemorar a reeleição de Lula (PT), também criticaram ameaças a indígenas e os casos de violência política no país.

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1º.nov.2026 às 16h42 Atualizado: 1º.nov.2026 às 17h47 Diminuir fonte Aumentar fonte Ana Gabriela Oliveira Lima Leonardo Vieceli São Paulo e Rio de Janeiro Estudantes fizeram manifestações neste domingo (1º), em estados como São Paulo e Rio de Janeiro, contra Flávio Bolsonaro (PL) e o que consideraram ser interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras. As ações, inicialmente programadas para comemorar a reeleição de Lula (PT), também criticaram ameaças a indígenas e os casos de violência política no país.
"A princípio nosso objetivo era que os atos de hoje fossem comemorativos, mas a conjuntura e os acontecimentos da semana não permitiram que tivessem estritamente esse caráter", afirma Bianca Borges, presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), sobre as manifestações puxadas pela entidade em 11 estados e no Distrito Federal neste domingo.
A conjuntura à qual Borges faz referência tem a fuga e a carta golpista de Flávio depois de perder no segundo turno da eleição presidencial, na semana anterior, para o presidente Lula.
O senador deixou o Brasil e chegou, na quarta-feira (28), a Miami, nos Estados Unidos. Ele divulgou uma carta na qual se disse "verdadeiro presidente eleito". Depois, trocou o termo para "líder do Brasil", mas manteve o teor golpista.
Como resposta, a UNE decidiu que o tema deveria ser central nas manifestações já pensadas anteriormente para celebrar a vitória de Lula. Os atos seriam inicialmente em nove estados neste domingo, mas foram expandidos para outros lugares, como o Maranhão.
A previsão é de que manifestações aconteçam em Salvador, na segunda-feira (2), e em Brasília, na quarta-feira (4).
Em São Paulo, o ato deste domingo começou às 12h na praça Roosevelt, com dezenas de pessoas que ouviam o chamado de Borges contra a atuação dos Estados Unidos nas eleições, além de grupos paralelos, como a LAI (Liga Anti-Imperialista Internacional). Com integrantes mascarados, o grupo falou a favor da reforma agrária e contra o latifúndio.
Segundo Ramon Pereira Machado, 25, o uso de máscaras sanitárias é para proteger a identidade. Ele cita a violência nas eleições e fala que integrantes da organização foram demitidos dos seus empregos depois de se posicionarem.
A violência política relacionada ao pleito encerrado no dia 25 é também um dos temas citados pela presidente da UNE, que menciona ameaças contra os povos originários.
Denúncias de ataques e intimidações contra comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul são investigadas pelo Ministério Público Federal no estado, que apura aumento de episódios violentos que estariam relacionados com as eleições presidenciais de 2026.
Borges também afirma que a categoria vai seguir mobilizada pelo ciclo de avanços que diz ser essencial no governo Lula. Como exemplo, cita a recuperação do orçamento das universidades públicas e o incentivo à permanência estudantil.
"Nós democratizamos o acesso ao ensino superior. Só que, sem permanência estudantil, a vaga é só uma porta-giratória, uma exclusão adiada", afirmou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades.
A manifestação na praça Roosevelt teve público comedido e poucas personalidades conhecidas. Uma delas, o deputado estadual eleito Eduardo Suplicy (PT), falou no palco a favor de sua principal bandeira, a renda básica de cidadania. José Genoino, ex-presidente do PT, acompanhou a manifestação sem subir ao palco. Ele não quis dar entrevista conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, mas afirmou que atos de rua seguem sendo motores na luta política.
Manifestantes também fizeram críticas ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), chamado de "corrupto e golpista". Um cartaz pedia o impeachment do político, levado à Câmara Municipal de São Paulo pelo PSOL, sob a acusação de descumprimento de uma ordem judicial que determinou a circulação de 100% da frota operacional de ônibus da cidade durante o segundo turno das eleições.
Outro cartaz registrava a frase "O Brasil não cabe no quintal de ninguém", em referência ao que seria a interferência dos Estados Unidos na política nacional.
No centro do Rio de Janeiro, o público se concentrou desde o final da manhã em uma praça anexa à igreja da Candelária. O ato foi menor do que as manifestações antes do segundo turno e foi repleto de críticas e ataques ao bolsonarismo e à extrema-direita.
Um dos manifestantes afirmou em um carro de som que a mobilização representava a "missa de sétimo dia da família Bolsonaro". Flávio foi chamado de fujão pela deputada federal reeleita Jandira Feghali (PC do B), que discursou para o público. "Viramos símbolo antifascista no mundo", disse.
O ato reuniu principalmente jovens. Críticas ao governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas ( PL ), foram registradas em diferentes momentos. Ruas é aliado de Flávio e fez campanha para o senador no estado.
A manifestação ainda teve discursos em defesa dos povos indígenas. O psicólogo Lucas de Oliveira Ribeiro, 32, afirmou que resolveu ir ao ato para expressar a sua revolta em relação à violência sofrida por essa população no país.
"O que me trouxe aqui foi a revolta e a indignação. Com Lula, temos maior possibilidade de enfrentamento a esse genocídio."
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