Região: A mentira como cabo eleitoral
Chega primeiro, espalha-se depressa e, quando alguém resolve desmenti-la, já cumpriu sua tarefa.

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Consulte formatos e valores disponíveisCena Urbana por Vicente Serejo Jornalista ([email protected])
A mentira tem uma qualidade que falta à verdade: não precisa esperar pela apuração. Chega primeiro, espalha-se depressa e, quando alguém resolve desmenti-la, já cumpriu sua tarefa. Na política brasileira, essa velha senhora aprendeu a usar as redes sociais, ganhou assessoria de comunicação e passou a trabalhar em tempo integral nos períodos eleitorais. Seu salário é pago com a confiança do eleitor.
O caso do Bolsa Família é exemplar. A cada eleição, volta a circular a falsa versão de que o programa será extinto caso determinado adversário vença. A ameaça muda de endereço conforme a conveniência, embora seja sempre uma arma usada contra os adversários do PT, mas conserva a mesma finalidade: assustar milhões de famílias que dependem do benefício e transformar uma política pública em instrumento de chantagem emocional.
O PT conhece como poucos o peso eleitoral do Bolsa Família. É natural que defenda o programa. O problema começa quando a defesa legítima de uma política social se transforma em insinuação de que a vitória do adversário significará, automaticamente, a perda do benefício.
Não é pouca coisa. Para uma família que conta cada real no fim do mês, a possibilidade de perder a renda que ajuda a colocar comida na mesa não é um detalhe de campanha. É motivo de angústia. E explorar essa angústia sem apresentar provas não é defender os pobres. É usar o medo dos pobres como estratégia eleitoral.
Eis a perversidade do método: o eleitor recebe a ameaça, compartilha a mensagem e passa a temer uma decisão que sequer foi cogitada. O desmentido, quando chega, já não encontra a mesma disposição para circular. A mentira viaja de primeira classe; a verdade costuma chegar de ônibus, atrasada e sem direito a bagagem.
Quando dirigentes ou campanhas apresentam propostas de adversários como ameaças consumadas, omitem condições relevantes ou transformam hipóteses em certezas, precisam ser cobrados. O combate às fake news não pode depender da cor partidária de quem as produz.
O Brasil já deveria ter aprendido que a mentira eleitoral não desaparece com a apuração das urnas. Ela deixa desconfiança, aprofunda divisões e transforma o debate público numa disputa em que cada cidadão escolhe primeiro em quem acreditar e só depois, quando muito, procura saber o que aconteceu. A informação deixa de ser instrumento para decidir e vira munição para confirmar aquilo em que cada um já deseja acreditar.
O eleitor mais vulnerável, nesse cenário, merece maior respeito. Não precisa de um político que prometa protegê-lo do adversário imaginário. Precisa saber quais são as propostas, quais mudanças estão previstas, quais recursos serão destinados e quais garantias existem para a continuidade do programa. Precisa de informação, não de susto.
O Bolsa Família não pertence a Lula, ao PT ou a qualquer outro partido. É uma política pública submetida às leis, às decisões de governo e ao debate democrático. Nenhuma legenda deveria tratá-lo como propriedade particular, muito menos como ameaça a ser exibida de quatro em quatro anos para constranger o eleitor.
A democracia não exige campanhas sem ataques, divergências ou disputas duras. Exige apenas que a disputa não seja vencida à custa da fabricação deliberada de fatos. Porque o voto só é verdadeiramente livre quando o cidadão pode escolher sem ser enganado pelo medo. E talvez esteja aí a maior tristeza da política brasileira: depois de tantos anos de democracia, ainda há quem acredite que, para conquistar o voto de quem mais precisa, seja melhor ameaçá-lo com a perda do pouco que tem do que convencê-lo com a verdade.
Globo fake 1 - Impressionante. O grupo Globo foi responsável pelo impulsionamento das duas maiores fake News da atual campanha eleitoral. Ainda no primeiro turno, na Globo News, viu uma de suas profissionais divulgar um projeto já arquivado sobre uma suposta retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Pior, ainda permitiu que o fato fosse associado a Flávio Bolsonaro. Teve que se desculpar, mais de uma vez, pela mentira.
Globo fake 2 - Agora, já na reta final do segundo turno, permitiu que o portal G1 divulgasse uma matéria recheada de erros, dando a entender que Flávio Bolsonaro extinguiria o Bolsa Família de quem conquistasse um emprego após dois anos. Falso de novo. A proposta do candidato do PL amplia de um (prazo atual) para dois anos o tempo recebendo o benefício mesmo com carteira assinada. E, depois disso, caso o beneficiário perca o emprego, é automaticamente reabilitado a receber o Bolsa Família.
Sem limites -A reação dos militantes de esquerda ao ato de estudantes de direita na UFRN foi descabida e injustificável. Se havia erro ou crime eleitoral, que fossem acionados o TRE ou os demais órgãos responsáveis. Jamais partir para agressão ou tentar expulsar qualquer pessoa de uma instituição que é pública. Está na hora da esquerda saber que não é dona da UFRN. Pior ainda foi a constatação visual da presença de professores e profissionais da Universidade na selvageria esquerdista.
Perseguição - Como se não bastassem os tristes episódios registrados na UFRN, os tais defensores da democracia vermelha agora criaram um perfil nas redes sociais para tentar identificar os manifestantes presentes no ato a favor da direita. Querem expor imagens e nomes para aumentar a perseguição contra quem pensa diferente na Universidade. Se esquecem que o poder passa, as vezes tão rápido quanto o vento.
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