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produtor explica referências paraibanas na decoração e festa — Casamento de Juliette

Thiago Buriti/Arquivo pessoal Do algodão de Remígio ao barro das louceiras de Cajazeiras, o casamento de Juliette Freire e Kaíque Cerveny foi rico em referência

Por Redatores da Empire Cidades 1 de novembro de 2026 às 17:40
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produtor explica referências paraibanas na decoração e festa — Casamento de Juliette
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Algodão foi utilizado na decoração do casamento de Juliette. Thiago Buriti/Arquivo pessoal Do algodão de Remígio ao barro das louceiras de Cajazeiras, o casamento de Juliette Freire e Kaíque Cerveny foi rico em referências paraibanas. Thiago Buriti, que fez a curadoria artística e cultural da cerimônia, deu detalhes sobre as escolhas.

O produtor afirmou que seu primeiro contato com Juliette aconteceu em novembro de 2025, durante as articulações para a participação da cantora na Expedição Cariri, projeto realizado em janeiro de 2026 e voltado ao desenvolvimento socioeconômico do território.

Segundo Thiago, o convite para participar do casamento surgiu alguns meses depois. A partir daí, o trabalho envolveu a construção de uma narrativa que conectasse os desejos dos noivos às manifestações culturais da região.

"O desafio era construir uma narrativa conceitual que traduzisse a identidade e os desejos do casal, estabelecendo uma conexão sensível e autêntica com a cultura e as expressões do território", afirmou.

Louceiras de Cajazeiras. Thiago Buriti/Arquivo pessoal De acordo com o produtor, Juliette já tinha clareza sobre o que desejava transmitir com a celebração. As principais inspirações vieram de elementos naturais e de trabalhos manuais ligados à cultura nordestina.

"As principais inspirações vieram do céu, da terra, do barro e do algodão, além dos trabalhos manuais. Ela enxergava esses elementos como fios de uma mesma história, que carregam uma forte conexão com o território, sua cultura e suas tradições", contou.

A intenção, segundo Thiago, não era utilizar referências regionais apenas como decoração ou representação folclórica. O projeto buscou apresentar novas interpretações para esses elementos, valorizando os saberes tradicionais e as pessoas responsáveis por manter essas práticas vivas.

"Desde o início, deixou claro que não queria trabalhar essas referências regionais apenas como elementos decorativos ou folclóricos. Sua intenção era explorar novas interpretações, preservando suas origens e reconhecendo a força do gesto, dos saberes e das pessoas que mantêm essas tradições vivas", disse.

Para o curador, a combinação dos materiais também representa características dos próprios noivos.

"Para mim, como curador cultural desse projeto, a força e a rusticidade do barro, em contraste com a delicadeza e a sutileza do algodão, traduzem a essência do casal. Essa relação entre materiais, texturas e sensações representa a identidade dos dois", explicou.

Outro ponto importante da concepção foi a escolha das matérias-primas utilizadas no projeto. A proposta era que os materiais não apenas representassem a cultura local, mas também contribuíssem para fortalecer as cadeias produtivas da região.

Um dos exemplos citados por Thiago foi o algodão agroecológico produzido pela agricultura familiar no Agreste.

"Não era qualquer algodão. A escolha foi pelo algodão agroecológico, produzido pela agricultura familiar do semiárido paraibano", destacou.

Segundo ele, o cultivo desse tipo de algodão acontece em consórcio com outras culturas, como feijão, amendoim, milho e gergelim. O modelo permite diversificar a produção e contribui para a soberania alimentar das famílias agricultoras.

"Dessa forma, a agricultura familiar garante a soberania alimentar e gera renda com a diversidade dos produtos. Tudo isso tem total conexão com o conceito que o casal desejou para o casamento", afirmou.

Crocheteiras de Boqueirão. Thiago Buriti/Arquivo pessoal A curadoria também envolveu a articulação com artistas, agentes culturais, mestres dos saberes tradicionais e artesãos locais. Entre as referências destacadas pelo produtor estão o trabalho de Dona Lourdes, do bairro São José, em Cajazeiras, a Associação das Crochêteiras do Marinho, em Boqueirão, e a produção de literatura de cordel da Lira Nordestina, em Juazeiro do Norte, no Ceará.

Ao falar sobre as histórias por trás dos elementos escolhidos para a decoração, Thiago destacou a importância do trabalho de Dona Lourdes com o barro.

"A força do gesto do barro de Dona Lourdes, do bairro São José, em Cajazeiras, apresenta muito mais do que a confecção de utensílios de cerâmica: é um símbolo de resistência cultural, identidade e afeto", afirmou.

O planejamento do casamento aconteceu ao longo de algumas semanas e contou com a participação de diferentes profissionais e fornecedores. Para Thiago, o alinhamento entre os envolvidos foi fundamental para garantir que a proposta tivesse unidade.

"O processo de entender seus desejos foi muito fluido, porque ela já tinha bastante clareza sobre o que queria para o projeto. Durante as conversas, consegui compreender não apenas suas ideias, mas também a narrativa que ela gostaria de construir e transmitir", relatou.

O produtor ressaltou ainda que cada parceiro teve participação importante na transformação das ideias em experiências concretas.

"Foi um trabalho de construção conjunta, no qual cada parceiro teve um papel fundamental para transformar as ideias iniciais em experiências concretas", concluiu.

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