por que pagamos tão caro? — Energia mais barata, Brasil mais forte
Mesmo assim, a energia continua pesando no bolso das famílias e no custo de quem produz.

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Consulte formatos e valores disponíveisO Brasil tem sol, vento, água, biomassa, uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo e enorme potencial para crescer. Mesmo assim, a energia continua pesando no bolso das famílias e no custo de quem produz. Se temos tantos recursos energéticos, por que ainda pagamos tão caro? Há cerca de seis meses venho desenvolvendo um trabalho sobre os principais desafios do setor elétrico brasileiro e, principalmente, sobre os caminhos que podem fazer o país avançar com energia mais barata, segura e competitiva. Nesse período, reuni dados, acompanhei mudanças regulatórias e analisei temas como encargos, subsídios, perdas, qualidade do fornecimento, mercado livre, eficiência energética, geração distribuída e sistemas fotovoltaicos, armazenamento, expansão da geração e da transmissão, novas tecnologias e os desafios que surgem com a transformação acelerada do setor elétrico. Deste trabalho nasceu uma agenda que pretendo compartilhar com os leitores a partir desta semana, na série “Energia Mais Barata, Brasil Mais Forte”. Não parto da ideia de que o Brasil está começando do zero. Temos instituições experientes, uma matriz elétrica privilegiada e muitas soluções já em andamento. Em 2025, cerca de 87% da oferta interna de eletricidade veio de fontes renováveis. Pouquíssimos países dispõem de uma vantagem dessa dimensão. A questão é entender por que essa abundância ainda não se transforma, na intensidade que poderia, em energia mais barata para consumir, produzir e investir. Quando recebemos a fatura, não estamos pagando apenas pela eletricidade consumida. Ali estão geração, transmissão, distribuição, encargos, subsídios, tributos e outras obrigações incorporadas ao longo do tempo. E há uma ideia que deveria orientar essa discussão: a conta de luz deve pagar pela energia e pelo serviço que recebemos, e não carregar indefinidamente custos que poderiam ser tratados de outra forma. Políticas públicas de interesse geral devem ser tratadas como políticas públicas. Em princípio, deveriam ser financiadas de forma transparente pelo Orçamento da União, e não transformadas permanentemente em encargos pagos principalmente por quem consome energia. Uma conta que passou a pagar muita coisa O melhor exemplo é a Conta de Desenvolvimento Energético, a CDE. Seu orçamento em 2026 chegou a R$ 52,66 bilhões, dos quais cerca de R$ 47,8 bilhões são arrecadados dos consumidores através das tarifas. A CDE financia políticas importantes, entre elas a Tarifa Social e o Luz para Todos. Portanto, não se trata de considerar todo subsídio ruim ou de retirar proteção de quem precisa. A Tarifa Social deve ser preservada. O problema é que, ao longo dos anos, benefícios, incentivos, subsídios e até os conhecidos “jabutis” legislativos foram sendo incorporados à conta de energia. Alguns continuam necessários. Outros podem ter perdido a finalidade, cumprido seu papel ou permanecido sem avaliação suficiente. E cada real colocado na tarifa vai muito além da residência: aparece no custo da padaria, do supermercado, do hospital, do saneamento, do comércio, do produtor rural e da indústria. Energia cara não encarece apenas a conta de luz. Encarece o Brasil. É aqui que entra o chamado subsídio cruzado. Um exemplo fácil de entender é a Tarifa Social. A família de baixa renda recebe o desconto na conta, a distribuidora concede o benefício e depois é ressarcida pela CDE. Como a CDE é financiada principalmente pelos demais consumidores, parte desse benefício acaba sendo paga nas outras contas de energia. Há outros exemplos. A CDE também financia descontos destinados a atividades de irrigação e aquicultura, consumidores rurais, serviços de água e saneamento e determinados consumidores e geradores de fontes incentivadas. Isso não significa que esses benefícios sejam necessariamente errados. Significa apenas que alguém precisa pagá-los — e hoje grande parte desse custo aparece na tarifa dos demais consumidores. Por isso, a regra precisa ser simples. Para cada subsídio ou benefício, devemos perguntar: Quem recebe? Quanto custa? Por que existe? Qual resultado entrega? Até quando deve permanecer? Se continua necessário e entrega resultado, deve permanecer; se perdeu sua finalidade, precisa terminar. E, se atende a uma política pública de interesse geral, precisamos perguntar se a tarifa de energia é realmente o lugar mais adequado para financiá-la. A sequência deveria ser: primeiro reduzir o custo; depois revisar os benefícios; somente então decidir quem deve financiar aquilo que permanecer. Simplesmente retirar uma despesa da conta de luz e colocá-la no Orçamento da União não reduz o custo para a sociedade. Apenas muda o lugar onde ele aparece. A diferença começa quando eliminamos custos desnecessários antes dessa transferência. Uma meta possível seria chegar a 2030 com uma redução de R$ 5 bilhões na necessidade anual de arrecadação da CDE paga pelos consumidores. Isso não significa cortar R$ 5 bilhões em cada ano. O resultado seria construído gradualmente. Apenas como exemplo didático, a redução poderia ser de R$ 500 milhões em 2027, R$ 1,5 bilhão em 2028, R$ 3 bilhões em 2029 e atingir R$ 5 bilhões em 2030. Os valores intermediários são apenas ilustrativos; a meta é o patamar final. Para termos uma dimensão, comparados aos R$ 47,8 bilhões da CDE-Uso de 2026, R$ 5 bilhões representam pouco mais de 10% desse encargo. Isso não significa uma redução de 10% na fatura total, porque a CDE é apenas um dos componentes da conta e seu rateio não é igual para todos. Mas mostra que não estamos falando de uma economia irrelevante. E tudo isso preservando a proteção social às famílias vulneráveis. E a tributação também vai mudar Há outro componente que precisa entrar nessa discussão: os impostos. A Reforma Tributária iniciou a transição para a CBS e o IBS, que substituirão gradualmente PIS/Cofins, ICMS e ISS. Não é correto afirmar desde já que essa mudança necessariamente tornará a energia mais cara. Mas também não podemos presumir que sua implantação será neutra para todos. Será necessário acompanhar a carga tributária efetiva da energia durante toda a transição. Para as famílias de baixa renda, o cashback previsto na nova legislação precisa funcionar de maneira simples e automática. Para as empresas, a não cumulatividade precisa funcionar na prática, permitindo o aproveitamento adequado dos créditos e evitando que impostos sobre a eletricidade continuem escondidos no preço do produto final. Imposto sobre energia também é imposto sobre tudo o que o Brasil produz. A tributação precisa ser transparente, previsível e não pode transformar um insumo essencial em fonte fácil de arrecadação. Uma agenda que vai muito além da tarifa Reduzir CDE, encargos e distorções tributárias é apenas uma parte da discussão. Nos próximos artigos desta série quero avançar sobre questões que passam pelo melhor aproveitamento da energia que já produzimos, uso de baterias e resposta da demanda, eficiência energética, geração distribuída, qualidade do fornecimento, perdas, mercado livre, grandes investimentos, data centers e competitividade da energia limpa brasileira. Há uma regra que atravessa todas essas questões: entregar o mesmo resultado, com segurança, pelo menor custo global possível para o consumidor. Primeiro identificamos o problema. Depois comparamos as alternativas. Se a melhor resposta for uma linha de transmissão, construa-se a linha. Se for uma bateria, use-se a bateria. Se for eficiência energética, resposta da demanda, modernização de uma hidrelétrica ou outra solução, que vença aquela que entregue o resultado necessário com segurança e menor custo. Tecnologia é meio, não meta. É essa discussão que quero dividir com os leitores nas próximas semanas, não com soluções mágicas, mas com propostas, números e uma pergunta permanente: há uma maneira melhor e mais barata de fazer isso? Porque energia não é apenas a conta que chega todo mês. É custo de vida, competitividade, investimento, emprego e desenvolvimento. Energia mais barata. Brasil mais forte. O assunto repercutiu de forma expressiva em âmbito regional e nacional, mobilizando o debate público e a atuação de setores estratégicos.
De acordo com os elementos apurados pela equipe de reportagem, especialistas e analistas ressaltam que os fatores econômicos, institucionais e regulatórios ligados ao tema vêm sendo acompanhados com atenção redobrada. O cenário exige acompanhamento contínuo e medidas assertivas para esclarecer eventuais impactos para a sociedade e garantir a segurança das operações envolvidas.
Diante da relevância do fato, órgãos de fiscalização e autoridades competentes intensificaram os protocolos de acompanhamento. Diretrizes preventivas e procedimentos técnicos têm sido reforçados com o objetivo de assegurar a normalidade, o cumprimento da legislação vigente e o pleno atendimento aos padrões de qualidade exigidos.
A redação da Empire Cidades mantém cobertura dedicada aos desdobramentos deste caso, prestando serviço de utilidade pública e atualizando as informações à medida que novos comunicados oficiais e pareceres técnicos forem divulgados.
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