por que documentário sobre a Theranos é o filme do ano — 'Tudo Pode Ser Visto'
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveis'Tudo Pode Ser Visto': por que documentário sobre a Theranos é o filme do ano Exibido na 50ª Mostra de Cinema de São Paulo, longa de Nathan Fielder inova na linguagem e pode se tornar o primeiro documentário da história a vencer o Oscar de Melhor Filme em 2027; leia a crítica da EXAME 'Tudo Pode Ser Visto': confira a crítica da EXAME sobre o documentário do ano
Última atualização em 30 de outubro de 2026 às 07h58.
Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Mostra Internacional de Cinema de São Paulo Saiba mais A história de Elizabeth Holmes parecia encerrada, desde que a Justiça americana, em 2022, condenou-a à prisão por fraude. Até a mais recente estreia do documentário Tudo Pode Ser Visto, de Nathan Fielder e Lance Oppenheim, nos Estados Unidos, um retrato raro da então CEO da Theranos, que tem sido cotado pela mídia especializada como a principal aposta à estatueta de Melhor Filme do Oscar de 2027.
34 dias antes de ser presa no Texas, em 2023, Elizabeth Holmes e o atual parceiro, Billy, abriram as portas para que os dois cineastas filmassem "a verdadeira Elizabeth". Para que o público a conhecesse, antes de julgá-la por tudo o que já saiu na mídia. É isso o que se propõe a fazer o documentário, s elecionado para o encerramento da 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e com estreia agendada nos cinemas para 26 de novembro.
O trunfo da produção, no entanto, que tem gerado o debate da indicação e possível vitória do longa no Oscar — feito histórico para um documentário, vale dizer —, não é exatamente o ineditismo da história, mas a maneira como ela é contada. Fielder atua como um observador quase relutante e incisivo, envolvido ativamente na rotina dos biografados e presente em tela o tempo todo. É como se ele estivesse ali, um observador obsessivo, atento a cada detalhe e a utor das perguntas incisivas, por vezes até cômicas. Ele chegou a morar com os dois nas últimas duas semanas.
Para além de registrar a ex-executiva em momentos que variam da sensibilidade ao absurdo, a produção também transforma as próprias limitações de filmagem em linguagem. Diante das restrições que proibiram a gravação de certas conversas entre Fielder e Holmes, o documentário introduz a atriz Amanda Seyfried em uma encenação direta com o diretor. A reconstituição dessas passagens atua como um recurso honesto e engenhoso para expor os diálogos mantidos fora do alcance das câmeras.
A escolha foi a única via encontrada pelo diretor para tentar decifrar, de forma minimamente imparcial, a mente da ex-executiva e a dinâmica bizarra do relacionamento que ela construiu com Billy. E tenta responder ao que muitos se perguntaram:
Seria Elizabeth Holmes, de fato, uma golpista profissional ou só uma otimista inigualável, mal compreendida e vítima das pessoas que a cercam?
A quem não está familiarizado com a história, a executiva se tornou maior símbolo dos excessos do Vale do Silício na última década. Prometeu uma revolução na medicina com o aparelho Edison, um dispositivo que alegava realizar centenas de exames com apenas uma gota de sangue. Holmes ergueu a Theranos a uma avaliação de US$ 9 bilhões. Só havia um problema: o aparelho não funcionava.
A farsa ruiu em 2015, após uma investigação do The Wall Street Journal que expôs que a tecnologia era inviável, e que a empresa utilizava máquinas convencionais para mascarar os resultados. Condenada a mais de dez anos de prisão, a ex-empresária foi pintada pela mídia como o exemplo do lema "finja até conseguir" levado às últimas consequências. O caso virou uma das maiores coberturas midiáticas dos Estados Unidos. Deu ideia para livros e até série de TV.
É justamente na lacuna deixada por essa cobertura midiática que o documentário encontra sua razão de ser. Em vez de reafirmar vereditos ou se satisfazer com respostas simplistas, Fielder e Oppenheim examinam as contradições da biografada nos mínimos detalhes.
As conclusões sobre Elizabeth e a dinâmica do relacionamento com Billy nascem da própria linguagem de cena: enquanto a ex-executiva fala, a câmera fecha em enquadramentos tão restritos que isolam apenas frações do seu rosto. A escolha gera a sensação incômoda de que cada palavra proferida — por mais genuína que pareça — pode ser fruto de uma encenação calculada. Trata-se de uma dúvida que nem o próprio Fielder é capaz de sanar.
Essa imersão no absurdo produz um humor involuntário e seco. Diante das perguntas diretas de Fielder sobre o colapso da Theranos, as respostas evasivas e a convicção inabalável de Holmes de que nunca cometeu um crime provocam risos nervosos na plateia. Em um dado momento, a realidade da casa é tão absurda que parece que o casal vive em uma realidade paralela.
Grande parte da incerteza dos fatos vem da presença ostensiva de Billy. O parceiro atua como um vetor de controle dentro do filme: controla a narrativa de Holmes enquanto ela está presa, toma decisões sem consultá-la, intervém com frequência nas perguntas e filmagens de Fielder e tenta ditar o tom do que pode ou não ser dito. O comportamento manipulador expõe uma relação tóxica, na qual fica evidente que as narrativas de Elizabeth são constantemente moldadas e filtradas por ele.
A narrativa fica ainda mais absurda (e viciante) ao colocar Amanda Seyfried — que viveu a empresária em The Dropout — em cena para reencenar os encontros com Fielder. Presente como pessoa física e intérprete, a atriz constrói a ponte com o espectador e com o mundo fora da bolha. Seyfried traduz o espanto do público diante do espetáculo disfuncional do casal, além de expor o grau de evasão e o alheamento psíquico da biografada.
Bizarrices e esquemas de fraude à parte, a narrativa também registra momentos de fragilidade real importantes para a humanização da biografada — ponto forte das obras que Nathan Fielder dirige. A preparação dolorosa de Elizabeth para se despedir dos filhos pequenos e o constrangimento de ser confrontada com produções anteriores sobre sua vida estão ali, geram conexão.
O longa estende o olhar crítico, a partir da humanização da personagem, à própria imprensa. Ao questionar a precisão de matérias jornalísticas e expor a recusa de veículos em fornecer gravações originais para checagem de fatos, Tudo Pode Ser Visto evidencia que a construção da imagem pública de Holmes foi uma obra coletiva, alimentada tanto pela ambição dos investidores quanto pelo sensacionalismo mediático. Mas não nega a figura controversa que a ex-CEO da Theranos é.
O maior triunfo de Tudo Pode Ser Visto, contudo, reside na maturidade de seu desfecho. Fielder demonstra um domínio raro sobre o momento exato de encerrar as filmagens: no instante em que a convivência prolongada ameaça contaminar a imparcialidade do olhar e a produção corre o risco de se tornar tendenciosa pelo envolvimento pessoal, a direção decreta o corte final.
É um desfecho honesto, correto e de uma maturidade admirável. O encerramento faz jus ao próprio título: tudo pode ser visto até o ponto em que a realidade começa a ser eclipsada pela subjetividade do observador.
Após a saída do cofundador Ben Jones, a cantora passa a responder também pela gestão comercial da empresa, que ganhou escala depois de trocar a Amazon pela Sephora
Com encerramento nesta quinta-feira, festival 380 filmes e consagrou títulos nacionais e internacionais em sua cerimônia de premiação
Enquanto a villa de Aldo Gucci em Roma é esvaziada, móveis e objetos da dinastia vão parar num mercado de usados, num momento em que o grupo francês vende imóveis para reduzir dívida
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Fique por dentro: Que horas começa o show do BTS hoje em São Paulo? Veja horário desta sexta-feira
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Fique por dentro: Cristino Castro celebra 73 anos com grande show de Manim Vaqueiro e atrações
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
"Tristeza" — Ivete Sangalo explica decisão de adiar show em São Paulo
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.



