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por que a utilidade e o prazer não bastam para uma vida plena — Os três tipos de amizade segundo Aristóteles

🛠️ Interesse Mútuo Relações motivadas por ganhos práticos ou profissionais, que se desfazem quando a vantagem acaba.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 20:11
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por que a utilidade e o prazer não bastam para uma vida plena — Os três tipos de amizade segundo Aristóteles
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Compartilhar Enviar A Tríade dos Afetos Humanos As três categorias fundamentais da amizade identificadas na filosofia aristotélica.

Na obra Ética a Nicômaco, o filósofo grego mapeia as relações humanas e revela por que apenas os laços baseados na virtude conduzem à verdadeira realização pessoal.

Nos Livros VIII e IX da obra Ética a Nicômaco, o pensador grego Aristóteles estabeleceu que a philia (termo grego para amizade ou afeto fraterno) é uma virtude indispensável para a eudaimonia, o conceito de felicidade plena e florescimento humano. Para o filósofo, ninguém escolheria viver sem amigos, mesmo que possuísse todos os outros bens do mundo.

Contudo, o autor observou que as pessoas usavam a palavra “amizade” para descrever vínculos completamente diferentes em natureza e durabilidade. Ao analisar o que motiva a afeição entre os indivíduos, ele dividiu essas relações em três categorias bem delimitadas: a amizade por **utilidade**, a amizade por **prazer** e a amizade por **virtude**.

Cada tipo de vínculo baseia-se em um motivo de atração específico, determinando a força e a estabilidade da união entre duas pessoas.

Reconhecer a natureza dos relacionamentos não significa julgar friamente as pessoas, mas alinhar expectativas para evitar frustrações emocionais.

Para o mestre do Liceu, as amizades de utilidade e prazer são acidentais, pois se referem ao que o outro fornece e não ao que ele é. Quando as circunstâncias mudam — a perda de um emprego ou a mudança de interesses —, a relação inevitavelmente se desfaz.

Já a amizade por virtude exige tempo, convivência e maturidade emocional. O pensador destacava que não é possível nutrir esse nível de intimidade com muitas pessoas ao mesmo tempo, pois o **aperfeiçoamento mútuo** exige uma dedicação profunda e uma sincera admiração pelo caráter do outro.

A análise proposta em Ética a Nicômaco permanece como uma potente ferramenta de reflexão para o mundo contemporâneo. Em uma época em que o número de seguidores costuma ser confundido com popularidade, a filosofia nos lembra que a **qualidade moral** das conexões é o que verdadeiramente sustentará a nossa saúde mental e o nosso bem-estar social.

A lição do filósofo não é desprezar os contatos profissionais ou os parceiros de diversão, mas reconhecer os limites de cada vínculo. Ao compreender a estrutura das nossas relações, aprendemos a valorizar os raros amigos que caminham ao nosso lado em direção a uma vida plena e virtuosa.

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Redatores da Empire Cidadeshá 2 minutos