Polícia de Israel nega acusação de que partidos árabes ‘roubaram’ eleição
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google Ler Resumo A polícia de Israel rejeitou as acusações do Likud, partido de Benjamin Netanyahu, de que legendas árabes teriam “roubado” as eleições. A declaração ocorre em meio a um impasse eleitoral, onde o apoio árabe é crucial para formar governo, e há ainda pedidos de prisão e investigação sobre financiamento estrangeiro. Este resumo foi útil?
A polícia de Israel rejeitou nesta quinta-feira, 29, as acusações do Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, de que legendas árabes teriam “roubado” as eleições legislativas de terça-feira, 27. Segundo uma fonte policial citada pela imprensa israelense, não há evidências que sustentem as alegações.
“O dia da eleição passou com muito poucos incidentes irregulares sobre a integridade da eleição, mesmo quando comparados às eleições anteriores”, disse uma fonte policial a vários aos meios de comunicação de língua hebraica. “Deve-se enfatizar que não há evidências investigativas ou baseadas em inteligência para as alegações”, acrescentou.
A declaração ocorreu depois que o Likud acusou os partidos árabes de recorrer a suborno, ameaças, violência, falsificações e programas de computador proibidos para mobilizar eleitores.
Nesta quinta-feira, o ministro da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, pediu a prisão de líderes dos partidos árabes suspeitos de envolvimento com recursos do Catar. A agência de segurança Shin Bet “deve ordenar, ainda esta manhã, as detenções dos líderes dos partidos árabes suspeitos de envolvimento com o dinheiro catari”, escreveu o ministro na rede social X (ex-Twitter).
Já o presidente do Comitê Eleitoral Central, o juiz Noam Sohlberg, solicitou ao Shin Bet uma investigação sobre suspeitas de interferência estrangeira por meio de financiamento. Em carta divulgada nesta quinta, o magistrado afirmou não poder atestar a consistência das suspeitas, mas considerou necessário investigá-las.
As acusações ocorrem em meio ao impasse para formar um governo. Com mais de 90% das urnas apuradas, as projeções atribuem um recorde de 19 cadeiras aos partidos árabes Raam e Lista Unificada. Os aliados de Netanyahu apareciam com 53 assentos no Knesset, enquanto o bloco do seu principal adversário, o ex-chefe do Exército Gadi Eisenkot, somava 48. Como são necessários 61 dos 120 lugares do Parlamento para alcançar a maioria, o apoio das legendas árabes pode ser decisivo nas negociações.
Alguns aliados de Netanyahu já sugeriram que o primeiro-ministro se una a Eisenkot e a outros centristas. Esse seria um cenário confortável para o líder israelense, desde que ele permanecesse no comando. Para o opositor, porém, associar-se a um homem que ele próprio classificou como inapto para liderar Israel teria um custo político elevado.
Amplamente vista como um referendo sobre o governo ultradireitista de Netanyahu e sob um clima de polarização intensa, a eleição de terça-feira, 27, teve a mais alta taxa de comparecimento às urnas em pelo menos 45 anos. Foi a primeira votação desde que os ataques terroristas do Hamas, em 7 de outubro de 2023, deram início a três anos de guerra na Faixa de Gaza.
A contagem final ainda pode levar dias, e a expectativa é de que as tratativas para formar coalizões, de forma que um dos blocos consiga maioria para governar, levem semanas. Caso essas negociações fracassem, o país pode ter um segundo turno eleitoral — cenário que já ocorreu anteriormente (entre 2019 e 2022, houve cinco eleições).
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