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Panorama: Sem título

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 25 de outubro de 2026 às 14:25
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Panorama: Sem título
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O celular se tornou uma nova tela para histórias de amor e vingança, com reviravoltas intensas. Em 2026, as novelas verticais ganharam tanto espaço que até mesmo a Globo buscou sua fatia deste bolo. O público também tem à disposição novos aplicativos do segmento, e marcas que já fazem sucesso no exterior realizaram lançamentos no país.

Cada vez mais players buscam a atenção de um público conectado, mas que ainda busca entender o que são os microdramas. A construção de um catálogo variado é importante, mas também desafia autores e testa o fôlego do público diante do risco de repetição.

Até que ponto o excesso de novas histórias fortalece o formato sem tornar suas fórmulas previsíveis? O Notícias da TV convidou especialistas envolvidos na solidificação deste mercado no Brasil para debater essas questões.

O autor Gustavo Reiz, que escreve folhetins verticais para o Globoplay, avalia que a maior oferta é importante não apenas para consolidar, mas para moldar o gênero. "O microdrama é facilmente adaptável ao comportamento do público e estamos desenvolvendo a nossa identidade. Acho que se o movimento fosse apenas replicar produções e fórmulas internacionais, correríamos o risco de um desgaste mais rápido. Mas, com a criação da nossa linguagem, o microdrama se renova e atinge um público cada vez maior", diz.

A atriz Natalie Smith, sócia-fundadora da plataforma Raipe TV, acredita que, quantos mais empresas estiverem no mercado, mais o público entenderá que não está diante de uma experiência isolada, mas de uma nova possibilidade de consumir dramaturgia.

"Ninguém se cansou de séries porque existem muitas séries, nem de novelas porque existem muitas novelas. O público se cansa quando sente que já viu aquela história, aqueles personagens e aqueles conflitos muitas vezes. Por isso, esse momento de expansão é importante, mas também aumenta a nossa responsabilidade criativa", alerta a executiva.

Autor de cinco novelas verticais lançadas pelo Globoplay em 2026, Reiz salvaguarda que o volume é um dos pilares da indústria dos aplicativos de microdramas. "É preciso ter volume, catálogo, pois o consumo é realizado muito rapidamente, em ritmo de maratona. Plataformas com produções isoladas ou poucos títulos dificilmente se sustentam, pois o usuário vai buscar outra história para acompanhar --provavelmente, em outra plataforma."

No entanto, a atriz e escritora Renatta Alarcon, que encabeça o lançamento do projeto Novelette, canal de novelas vertical no TikTok, ressalta que volume sem planejamento correto pode não surtir tanto efeito. "Acredito que o caminho não está necessariamente em lançar o maior número possível de histórias, e, sim, em construir um fluxo de lançamentos inteligente, com um calendário bem planejado e produções que tenham qualidade suficiente para gerar valor percebido pelo público."

Os microdramas têm algumas características que precisam ser atendidas para cumprir o objetivo de prender o espectador na tela: explosões emocionais, muitas reviravoltas, ganchos impactantes e avanço acelerado da história. Para evitar que a fórmula desgaste o gênero, os especialistas reforçam a necessidade de explorar diferentes temas.

"O brasileiro é extremamente criativo e tem uma capacidade enorme de contar histórias. O problema começa quando uma produção faz sucesso e, em vez de os autores entenderem o que despertou o interesse do público naquela história, passam simplesmente a reproduzir a fórmula, às vezes chegando muito perto do próprio título, da premissa e dos personagens", reflete Renatta.

Gabi D'Mello, também sócia-fundadora da plataforma Raipe TV, diz que não quer descaracterizar o vertical, mas pede novos arquétipos. "Romance, thriller, comédia, terror, melodrama, histórias familiares, histórias LGBTQIA+, ficção científica. Eu acho que existe um território enorme ainda pouco explorado. O desafio de autores e de quem pensa e desenvolve conteúdo é entender o que realmente faz parte da linguagem e do comportamento de consumo, e o que são apenas fórmulas que funcionaram em determinados mercados", pondera.

Natalie acredita que até o público percebe quando há vícios narrativos. "Se entendermos o vertical como uma nova linguagem e começarmos a explorar tudo o que cabe dentro dela, acho que estamos só no começo. Isso não significa que todo episódio precise terminar com alguém abrindo uma porta e descobrindo um segredo. O gancho também pode ser emocional, uma informação, uma dúvida, uma mudança na relação entre dois personagens."

Para aumentar o interesse do público, Gabi sugere a construção de universos que rendem spin-offs. "Uma história pode dar origem a outras, personagens podem ganhar novos caminhos, e o público pode participar dessas escolhas. Assim, recorrência não precisa significar apenas quantidade de títulos, mas continuidade da relação com histórias e personagens", constata.

No Brasil, as comparações com as novelas tradicionais, tão enraizadas no imaginário coletivo, ajudam a aumentar o interesse pelo novo segmento. "Ao mesmo tempo em que muitas plataformas estrangeiras miram um público tão grande, há algo que, nem sempre, elas levam em conta: o espectador brasileiro conhece e convive com o melodrama de forma muito íntima. As referências são inúmeras, e dificilmente essa correspondência vai deixar de existir", examina Reiz.

Porém, essa associação também pode representar uma armadilha. Natalie pondera que os microdramas têm que ir muito além de adaptar a estrutura das novelas tradicionais. "O problema começa quando a comparação nos leva a pensar que basta pegar uma novela tradicional, cortar em episódios de dois minutos e enquadrar na vertical. Não basta. A relação com o tempo é outra, a tela é outra, a atenção é outra, e até a maneira de construir determinadas cenas muda", explica.

O autor, inclusive, sustenta que críticas às novelas verticais vêm, muitas vezes, de quem busca comparar com os folhetins da TV aberta. "Não adianta replicar os códigos das telenovelas nos microdramas ou vice-versa. Percebi que, no início, as críticas sobre os microdramas utilizavam a mesma régua da telenovela, o que é um grande erro. Essa tentativa de encaixar uma na outra pode, sim, atrapalhar o desenvolvimento de algo novo", alerta.

Renatta acrescenta que o grande volume de produções verticais pode ajudar a romper com as comparações. "Acho importante que o microdrama tenha cada vez mais espaço para mostrar aquilo que consegue fazer de próprio. A comparação pode ser uma porta de entrada, mas não pode ser o limite da linguagem. O microdrama não precisa ser uma novela menor. Ele pode ser uma dramaturgia diferente."

Apesar das discussões, os números são animadores. Segundo levantamento da plataforma AppMagic, divulgado pelo portal Mobile Time, aplicativos de novelas verticais registraram um aumento de 67% em downloads no Brasil no primeiro semestre em comparação com o mesmo período do ano passado. O número saltou de 38,5 milhões para 64,3 milhões.

ReelShort, Dramabox, Netshort, FreeReels, Shortmax, Goodshort, PineDrama e Reelife foram as plataformas analisadas. Muitas delas já produzem conteúdo original. A primeira citada, por exemplo, lançou, na última quinta-feira (22), Destinada a Te Encontrar, que conta com nomes famosos no elenco, como Paloma Bernardi e Giovanna Chaves.

No Upfront 2027, a Globo anunciou que suas novelas verticais já receberam mais de 500 milhões de visualizações. A emissora está tão empolgada com os resultados que confirmou que, em 2027, produzirá mais spin-offs verticais para suas tramas.

Os especialistas reconhecem que, como em qualquer rede social, os microdramas terão espaço cativo no Brasil se conseguirem construir comunidade. "O público comenta, compartilha, cria teorias, pede continuações e pode participar de escolhas. Essa troca cria uma relação que vai além do consumo e ajuda a construir pertencimento e fidelidade", argumenta Natalie.

Renatta também atenta para a importância de conhecer bem o público consumidor. Ela cita que, em Novelette, existe um público majoritariamente feminino. "Que gosta de histórias de amor e que ainda acredita que o amor pode transformar a vida das pessoas. Então, não basta escolher uma história porque ela tem potencial de audiência. Eu preciso pensar no que quero entregar para essa mulher que está do outro lado da tela", destrincha.

Por fim, Gabi sinaliza que, apesar de tantas especificidades, as novelas verticais precisam de algo comum a qualquer gênero para sobreviver: histórias bem construídas. "Você percebe quando existe pensamento sobre personagem, conflito, universo e sobre por que aquela história está sendo contada. Duração curta não pode ser desculpa para personagem raso, assim como velocidade não pode significar ausência de construção", conclui.

MATHEUS QUEIROZ é jornalista formado pela UFRRJ. Há cinco anos, cobre o universo da televisão e das celebridades. Também já foi locutor de rádio em um programa de música. Passou por Purepeople, Poltrona Vip e Rádio Frei Caneca FM. Clique aqui e leia todos os textos do Matheus.

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