Panorama: Sem título
descobriu a fonte da juventude

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Consulte formatos e valores disponíveisOs alunos da Banda do Professor ao lado de Nasi Imagem: Vinicius Mesquita/UOL Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Vou sugerir um redirecionamento de carreira para a banda Ira!. E não, não faço isso em condições irônicas, mas pela minha visão de "coach", um talento que descobri possuir exatamente no dia de hoje.
O Ira! deve cantar para crianças. Ser uma espécie de novo Palavra Cantada do cenário musical brasileiro.
A banda está em turnê com o projeto "Acústico 20 Anos" e, durante o show realizado em São Paulo, no sábado (7/11), no Vibra, a energia pré-adolescente pareceu mais promissora do que a da minha turma, a dos sujeitos de meia-idade, admiradores de longa data do estilo "roqueiro de ser" da banda paulistana, nascida nos profícuos anos 1980.
Essa vibração já seria sintomática pelo principal motivo que me levou ao espetáculo: meu filho de 13 anos, um dos novos admiradores das canções do Ira!. A história dele com a música está começando agora. E começa com o Ira! entre suas bandas favoritas.
Como também foi uma das minhas nos anos 1980.
E lá estava eu, acompanhando as versões de "Girassol" e "Dias de Luta", quando o vocalista Nasi recebeu no palco, das mãos de uma família, uma folha de papel sulfite com um desenho infantil dos integrantes da banda.
Emocionado, após uma das canções, Nasi comentou: "É muito interessante ver tantas crianças".
Perto do final do show, Nasi chamou ao palco os alunos do professor Antonyel Pacheco, fenômeno das redes sociais com a "Banda do Professor", principalmente pela versão de "Avôhai", de Zé Ramalho. E lá estava o garoto David Claro, sensação daquele pequeno clipe pós-moderno, ao lado de um Nasi visivelmente emocionado, cantando "Envelheço na Cidade".
Quem viu o Ira! nos anos 1980, cercado de malucos inundados de testosterona e agressividade, que estendiam a bandeira do Estado de São Paulo pelo chão, deve ter estranhado um pouco. Ou talvez tenha se emocionado ao encontrar os agora cândidos Edgard Scandurra e Nasi.
Para Francisco, meu filho, o show também serviu para descobrir músicas da banda que passaram a integrar o hall de suas favoritas, como "Bebendo Vinho", "Pra Ficar Comigo" e, principalmente, "Vida Passageira".
Mas nem tudo são flores, com o perdão do trocadilho.
Em determinado momento, aparentemente inspirado pela nova geração de fãs, Nasi soltou o verbo: "Dentro do lixo sertanejo, ainda temos esperança".
Bem, o Ira! pode até estar conquistando uma nova geração de crianças. Mas ainda não está exatamente pronto para ser o Palavra Cantada.
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