Panorama: se aprende — e a experiência se constrói
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Consulte formatos e valores disponíveisA primeira iniciativa empreendedora de Davis Reis não nasceu em uma sala de reunião nem em uma aceleradora de negócios. Começou na porta de casa, com uma placa improvisada: “Vende-se bala de coco”. Ele tinha seis anos e convenceu a mãe, Dona Sebastiana, a colocar à venda os doces que fazia para a família.
A cena ajuda a entender uma trajetória feita de curiosidade, trabalho e mudanças de rota. Na infância, Reis imaginou ser veterinário, inspirado pelos animais que tinha em casa. O esporte, a música e a educação também fizeram parte de sua formação. Entre as pessoas que o inspiraram estão sua tia-avó e sua mãe, Dona Sebastiana — referências importantes em seu caminho.
Mais tarde, a história da família na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, e o interesse pela música o aproximaram da Escola Técnica Pandiá Calógeras. Estudou eletromecânica, seguiu para a metalurgia e, aos 19 anos, entrou no Exército. Depois, vieram a Administração de Empresas, o mercado corporativo e a educação. Mais recentemente, iniciou o mestrado em Inovação na FEA-USP.
O caminho não foi uma linha reta — e talvez essa seja uma de suas lições mais inspiradoras. Cada experiência pode se tornar repertório para a próxima escolha. Depois das balas de coco, Reis ajudou o irmão Luiz Claudio, que pintava camisas e fazia letreiros, a vender brindes. Na vida adulta, ampliou sua experiência em vendas, gestão, marketing e consultoria. Hoje, esses conhecimentos se conectam à sua atuação como professor e à NEO 3D, ligada à manufatura aditiva, à impressão 3D, à manutenção e aos negócios empresariais localizada em Sorocaba SP com atendimento a clientes em todo o Brasil..
Para Reis, ensinar empreendedorismo não é apenas apresentar fórmulas para abrir uma empresa. É ajudar estudantes a identificar problemas concretos, interpretar cenários, tomar decisões em meio à incerteza e criar valor para clientes ou comunidades.
A resposta, porém, exige mais do que uma boa ideia. É preciso escutar, planejar, testar, manter a disciplina e aprender com os erros.
Essa visão também afasta o empreendedorismo da imagem de sucesso instantâneo. Na prática, fornecedores atrasam, especificações mudam, equipamentos falham e o caixa exige atenção. Avançar depende menos de esperar pela ideia perfeita e mais de executar, corrigir a rota e persistir com inteligência.
Para quem está começando, essa experiência se traduz em atitudes concretas: definir quem enfrenta o problema, conversar com possíveis clientes, testar uma solução simples e acompanhar os custos antes de investir para crescer. O retorno dessas primeiras tentativas ajuda a perceber o que funciona, o que precisa mudar e se há demanda real.
A nova geração, observa Reis, tem familiaridade com tecnologia e acesso rápido à informação. O desafio é transformar esse acesso em conhecimento consistente e entregas concretas. Comunicação, pensamento crítico, inteligência emocional, negociação e resiliência continuam essenciais. A tecnologia e a inteligência artificial podem acelerar tarefas, mas não substituem análise, empatia nem esforço.
O impacto do empreendedorismo, defende, vai além da criação de empregos: pode movimentar fornecedores locais, qualificar profissionais, fazer a renda circular e aproximar soluções das necessidades de uma região. Na experiência com a NEO 3D, ele destaca o papel da capacitação técnica e da fabricação digital no fortalecimento de empresas e instituições locais.
Ao olhar para o Rio de Janeiro, Reis aponta o ensino e a pesquisa, a economia criativa, a energia, o setor naval e as micro e pequenas empresas como ativos importantes. O desafio, em sua avaliação, é conectá-los melhor — aproximando universidades, iniciativa privada e poder público, além de ampliar o acesso das pequenas empresas a crédito orientado, tecnologia e formação em gestão.
Seu conselho para quem está começando resume bem essa combinação de motivação e planejamento:
Isso significa conhecer os custos, controlar o fluxo de caixa, organizar processos e confirmar se o negócio resolve um problema pelo qual alguém está disposto a pagar.
Da placa de “Vende-se bala de coco” à inovação tecnológica, a trajetória de Davis Reis mostra que começar pequeno não significa pensar pequeno. Às vezes, o primeiro passo é perceber uma necessidade e se dispor a aprender fazendo. O restante se constrói com curiosidade, preparo e coragem para ajustar o caminho.
A partir de agora, os leitores do Portal Rio de Janeiro poderão acompanhar, semanalmente, dicas, entrevistas e reflexões sobre empreendedorismo com Davis Reis. Um espaço para compartilhar experiências, aprender com quem empreende e descobrir caminhos para transformar ideias em soluções.
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