Panorama: Pop? Rock? Sertanejo? O que ouvir durante a atividade física e como a música interfere na performance?
A música pode interferir na performance esportiva?
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/B/a/D1guCERkWlmtLTP0N7Gw/pexels-olly-3767517.jpg)
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisO que está tocando no seu fone de ouvido ou na caixa de som da academia enquanto você treina? A música pode interferir na performance esportiva?
Um estudo realizado em 2009 pelo pesquisador Costas I. Karageorghis mostra que a playlist certa pode ajudar o tempo passar mais rápido, o atleta ganhar ritmo, a diminuir sua percepção de cansaço e melhorar o humor.
Mas qual seria a música correta? Será que para todas as atividades e pessoas, as músicas de uma mesma playlist tem o mesmo efeito?
Para Karageorghis, um dos pontos que coloca a música como ideal é o BPM (batida por minuto). Isso porque cada zona cardíaca de esforço tem uma quantidade de batidas por minuto ideal para ela. Ou seja, quanto maior o esforço, mais rápida deveria ser a música. É como se o seu ritmo casasse com o da música.
Com isso, algumas atividades ganham um certo "padrão" de melhor trilha sonora. Mas até onde a ciência e a prática se encontram nesse sentido?
Para o professor Sérgio Gregorio da Silva, Diretor do Centro de Educação Física e Desportos da UFPR, a música pode dar ânimo e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não é sinônimo de "treino fofo", como brincam alguns frequentadores de academias.
"A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo. Mas esquecer o fone não significa perder o treino. Nos nossos estudos, vimos que a música pode modificar tanto a maneira como a pessoa se sente quanto o ritmo que ela escolhe para se exercitar", aponta Sérgio.
Na visão de Cléo Monteiro França Correia, musicoterapeuta do Setor de Neurologia do Comportamento e colaboradora do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), a resposta a isso está dentro do cérebro. Ela explica que a música promove neuroplasticidade e ativa redes cerebrais sensoriomotoras.
"As batidas musicais podem promover benefícios psicológicos, físicos e na frequência cardíaca, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado e promovendo motivação e o desejo de melhorar os hábitos de vida."
Os dois especialistas concordam que a música pode alterar a percepção de esforço, parecendo ficar mais "fácil", mas sem alterar efetivamente a intensidade e o resultado do exercício.
"Na realização do exercício sem música, a pessoa pode perceber sinais de desconforto com mais intensidade, enquanto que, com música, ela pode ter sua atenção voltada mais para o estímulo auditivo, tornando a realização da atividade mais prazerosa, mesmo que mantenha a regularidade dos movimentos e o esforço físico. Isso porque a música melhora o estado de humor e a motivação", explica Cleo.
A musicoterapeuta ressalta que "os sinais de fadiga não são eliminados, mas a música promove uma sensação de bem-estar, desviando a atenção da pessoa em relação ao esforço físico empregado".
Ouvir músicas durante o treino não elimina a fadiga física, mas desvia a atenção do cérebro para o estímulo auditivo, tornando o exercício mais prazeroso. — Foto: Tima Miroshnichenko/Pexels
O professor Sérgio Gregorio da Silva cita que não existe um BPM musical ideal para todo mundo, mas explica que, na ginástica aeróbica, um estudo realizado por ele e outros especialistas mostra que "o andamento musical pode influenciar a frequência cardíaca quando orienta o ritmo dos movimentos".
Ele cita alguns números de BPM que podem fazer essa influência em algumas atividades. E o g1 traz exemplos de faixas que atendem à orientação:
Yoga: Não existe uma faixa ideal. Optar por músicas tranquilas ou silêncio, conforme a prática.
A música pode dar ânimo, tornar o exercício mais agradável e ajudar a manter o ritmo na atividade física — Foto: Dmitry Limonov/Pexels
Embora tabelas ajudem a nortear a conexão entre a frequência cardíaca e o BPM das músicas, os profissionais concordam que a preferência pessoal e o fator emocional são soberanos.
Uma pesquisa recente da Maximum Boxing cita que o pop é o estilo musical favorito dos brasileiros durante o treino (56,2%), seguido da música eletrônica (42%), do rock/metal (35%) e do sertanejo (31,2). A pesquisa não faz nenhuma referência a BPM. Ela ainda aponta que Alok, Anitta e Henrique e Juliano são os três mais citados pelos os participantes da pesquisa quando questionados sobre qual artista não pode faltar na playlist.
Quem corrobora com a importância da conexão pessoal é o produtor musical e compositor Hitmaker. Dono de hits que embalam desde as pistas de dança até as academias do país, ele revela que, para além da matemática dos batimentos por minuto, o que define uma boa música de treino é a energia que ela transmite.
"Independentemente do BPM, a energia que aquelas músicas causam na gente por causa da letra, dos instrumentos e da variação rítmica é o que importa", conta o produtor, que comanda o projeto Hitdance, voltado para treinos em academias.
Ele ainda usa uma analogia entre a dinâmica de seus shows e a de um treino para comentar que não existe uma fórmula engessada para fazer uma playlist, seja nos treinos ou nos palcos.
Nas apresentações, o DJ costuma iniciar o show para cima, faz uma pausa para o público cantar quando percebe que já estão cansados de pular, e finaliza o show para cima novamente. Já nos treinos, o ideal é começar com faixas mais calmas, para acompanhar o aquecimento, e ir acelerando no meio com músicas de alta energia até encontrar seu ritmo.
Hitmaker também faz um alerta bem-humorado sobre a escolha do repertório, lembrando de um dia em que tentou treinar ouvindo músicas de Alcione para uma pesquisa musical e acabou se emocionando no meio da série de musculação.
"O clima da playlist importa. Se eu acordo numa segunda-feira sem querer treinar, não quero lembrar de problemas, não quero lembrar da ex. Eu quero, assim: vamos viver, favela chegou. Acorda, dá três tapas na cara e vamos para o treino."
No fim das contas, seja pelo casamento do BPM com a esteira ou pela carga emocional que uma faixa traz para seu ânimo, a música funciona como um escudo contra o tédio e um canal de conexão com o próprio corpo.
Como resume Hitmaker: "O principal é você conseguir se sintonizar com você mesmo, achar a música que toca você, o esporte que toca você, e o teu BPM da vida. O importante é a gente não ficar parado."
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
Fique por dentro: Vaticano envia 600 caixas de ajuda humanitária à Ucrânia
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
“IA não é ameaça depois desse filme” — Animador sobre “O Bosque Selvagem”
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Atualização: É amanhã! Criolo, Amaro e Dino fazem show histórico em Brasília
Garanta seu ingresso!


