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Panorama: Óleo de peixe protege o cérebro? Novo estudo contesta benefício do suplemento

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 27 de outubro de 2026 às 11:55
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Panorama: Óleo de peixe protege o cérebro? Novo estudo contesta benefício do suplemento
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Óleo de peixe protege o cérebro? Novo estudo contesta benefício do suplemento Após dois anos, suplementação com ômega-3 não melhorou memória nem protegeu contra a redução do hipocampo Ômega-3: níveis de DHA aumentaram no sistema nervoso central, mas participantes não tiveram desempenho melhor nos testes cognitivos (Getty Images)

Priorizar nos meus resultados Google Tudo sobre Acompanhe tudo sobre Suplementos alimentares Saiba mais Os suplementos de óleo de peixe não apresentaram benefícios significativos para a memória nem impediram alterações cerebrais associadas ao Alzheimer, segundo um estudo clínico realizado por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC), nos Estados Unidos.

A pesquisa acompanhou 365 adultos entre 55 e 80 anos, considerados de alto risco para desenvolver a doença. Os resultados, publicados em julho na revista científica eBioMedicine, indicam que a suplementação isolada de DHA, um tipo de ômega-3, não proporcionou proteção mensurável contra o declínio cognitivo na população analisada.

O ensaio clínico durou dois anos e incluiu participantes que consumiam peixe com pouca frequência, alimento que representa uma fonte natural de ácidos graxos ômega-3. Entre os voluntários, 47% apresentavam a variante genética APOE4, associada ao aumento do risco de Alzheimer de início tardio.

Os participantes foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Um recebeu diariamente suplementos de óleo de peixe com 2.000 miligramas de DHA, enquanto o outro tomou placebo.

O estudo foi duplo-cego, ou seja, nem os pesquisadores nem os participantes sabiam quem estava recebendo o suplemento durante o acompanhamento.

Para avaliar os efeitos, a equipe realizou testes de memória e outras funções cognitivas, além de exames de imagem cerebral.

Uma das primeiras etapas da pesquisa foi verificar se o DHA presente nos suplementos realmente alcançava o sistema nervoso central. Para isso, os cientistas analisaram o líquido cefalorraquidiano, que envolve o cérebro e a medula espinhal.

Após seis meses, os participantes que receberam óleo de peixe apresentaram um aumento médio de 17% nos níveis de DHA nesse líquido. Apesar do resultado, os testes realizados ao final dos dois anos não mostraram diferenças significativas na memória ou nas habilidades de raciocínio entre os grupos.

Os exames também indicaram que os suplementos não impediram a redução do hipocampo, região cerebral importante para a formação e a organização das memórias. Segundo Hussein Naji Yassine, principal pesquisador do estudo, os resultados não sustentam o uso de suplementos de óleo de peixe como medida preventiva contra o Alzheimer.

Os pesquisadores destacam que a ausência de benefícios observados com os suplementos não significa que o ômega-3 seja desnecessário para o organismo. O DHA participa da estrutura das membranas celulares e da comunicação entre os neurônios, funções importantes para o funcionamento cerebral.

A equipe investiga por que o aumento desse nutriente no sistema nervoso central não se traduziu em melhorias cognitivas. Uma das hipóteses é que os efeitos dos ácidos graxos dependam de sua combinação com outros nutrientes presentes na alimentação.

Pesquisas anteriores dos cientistas sugerem que o consumo de ômega-3 como parte de uma dieta equilibrada pode produzir resultados diferentes dos observados com a suplementação isolada.

A dieta mediterrânea, que inclui peixes, vegetais, frutas, grãos integrais, leguminosas, nozes e azeite de oliva, é citada pelos pesquisadores como um padrão alimentar associado a menor risco de Alzheimer. Essa possibilidade, entretanto, não foi testada diretamente no ensaio clínico.

Embora o estudo tenha investigado especificamente a suplementação de DHA, os pesquisadores ressaltam a importância de hábitos saudáveis para a saúde cerebral. Entre as medidas mencionadas estão a prática regular de atividades físicas, o sono de qualidade e uma alimentação equilibrada.

Segundo Yassine, a manutenção da saúde ao longo da vida continua sendo uma das principais estratégias para reduzir fatores associados ao desenvolvimento da doença.

Além dos resultados, a equipe também pretende investigar como idade, condições de saúde, alimentação e predisposição genética podem influenciar a absorção e a utilização do ômega-3 pelo cérebro.

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