Panorama: O que acontece com as ações da Petrobras e do Banco do Brasil com Lula reeleito
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisO que acontece com as ações da Petrobras e do Banco do Brasil com Lula reeleito Petróleo alto protege a Petrobras, e calote no agro pressiona o BB Banco do Brasil: inadimplência no agro pesa mais sobre o banco do que o resultado da eleição (Luiz Souza/NurPhoto/Getty Images)
Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo, 25, deixa as ações das duas maiores estatais da bolsa em posições distintas. A Petrobras conta com petróleo em alta e dividendos, enquanto o Banco do Brasil sofre com a inadimplência no agronegócio. Analistas veem maior sensibilidade eleitoral no BB, mas alertam para riscos políticos na Petrobras.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno deste domingo, 25, com cerca de 51,8% dos votos válidos e uma vantagem de 4,37 milhões de votos, e vai para o quarto mandato. O resultado coloca as duas maiores estatais da bolsa em situações distintas.
A Petrobras aparece entre as ações que devem resistir melhor ao cenário, sustentada pelo petróleo em alta, por dividendos elevados e por proteção cambial, segundo o BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
Já o Banco do Brasil, a estatal mais sensível ao resultado das urnas na avaliação da Eleven Financial e da Suno Research, entra no novo mandato pressionado pela inadimplência no agronegócio.
A primeira reação veio do exterior. No pregão noturno de domingo, o EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, chegou a cair mais de 18%, e contratos de real em Chicago passaram a indicar dólar a R$ 5,51, ante R$ 5,01 na sexta-feira. O Ibovespa havia fechado a sexta, 23, aos 205.082 pontos, depois de subir quase 7% entre os dois turnos com a aposta do mercado na vitória de Flávio.
O desconto com que as estatais são negociadas na bolsa tem uma origem conhecida. "Ele ocorre muito por conta de questões ligadas à governança e ao risco de essas empresas acabarem sendo utilizadas pelo governo para executar políticas públicas, em vez de buscar beneficiar os acionistas", afirmou Fernando Siqueira, head de research da Eleven.
Hoje, esse risco pesa de forma diferente sobre as duas companhias. Para a Eleven, o petróleo em alta e o bom momento operacional têm blindado a Petrobras, enquanto o Banco do Brasil fica mais exposto ao resultado eleitoral.
"Diferentemente de 2014, quando o governo impactou bastante a companhia, hoje o governo tem interferido menos e o preço do petróleo tem ajudado. Por isso, acho que o Banco do Brasil tem mais a reagir às eleições do que a Petrobras", disse Siqueira.
A Suno faz leitura parecida. "Quando a gente analisa o Banco do Brasil, vê um gap bastante grande em relação a quanto deveria valer com a mudança de governo e a melhoria de rentabilidade. Já a Petrobras me parece muito mais bem precificada", afirmou João Daronco, analista da casa, em entrevista antes do segundo turno. Na eleição anterior, lembra ele, ocorreu o inverso, com a Petrobras no centro do debate e o BB bem precificado.
Com a reeleição, o desconto pode voltar a se ampliar. "O normal seria esperar com o governo Flávio um fechamento desse gap, enquanto com o governo Lula a gente poderia ter algum tipo de maior temor, maior risco", disse Daronco. O analista pondera, porém, que no início do terceiro mandato de Lula o temor de mudança na política de preços da Petrobras ampliou o desconto, que depois se fechou porque a mudança foi menos drástica do que o mercado temia.
A Petrobras é a maior posição da carteira 10SIM do BTG, divulgada em 1º de outubro, com peso de 15%. O banco classifica a ação como uma aposta em petróleo, câmbio e dividendos e a usa como proteção caso o cenário político e fiscal se deteriore.
Para o banco, o debate em torno da estatal no ciclo eleitoral se concentrou no valor das ações, e não em uma mudança relevante nos fundamentos. Investimentos, custos, produção, preços de combustíveis e alocação de capital devem permanecer amplamente estáveis, preservando a geração de caixa e os dividendos.
Os números sustentam a tese. O BTG estima rendimento de fluxo de caixa livre para o acionista de cerca de 14% em 2027 e dividend yield, o rendimento em dividendos sobre o preço da ação, de cerca de 11% no cenário-base. Mesmo no cenário mais cauteloso, a estatal ainda entregaria rendimento médio de cerca de 9% em 2027 e 2028.
A companhia chega ao novo mandato em posição operacional e financeira mais forte do que em ciclos anteriores, com produção acima da meta para 2026, custos de extração mais baixos e balanço saudável, na avaliação do BTG. O banco tem recomendação de compra para a ação, com potencial de valorização de 25% calculado no início de outubro.
Antes do segundo turno, a ação preferencial da Petrobras negociava com desconto de 34% em relação às petroleiras privadas globais e com prêmio de 16% sobre as estatais do setor, conforme apuração dos redatores da Empire Cidadesnial Investimentos.
Pelos fundamentos, o desconto nem deveria existir, na avaliação da Genial. Graças à alta produtividade do pré-sal, a Petrobras entrega rentabilidade, fluxo de caixa e dividendos maiores que os das petroleiras privadas e deveria negociar com prêmio, mais perto da saudita Aramco.
A sensibilidade política, porém, segue no radar. Entre os riscos às projeções, o BTG lista eventual interferência política na definição dos preços domésticos de combustíveis e a troca de comando que a estatal enfrenta a cada ciclo eleitoral. "Se você tiver uma mudança na política de preço, a Petrobras vai ser muito mais afetada do que o Banco do Brasil", disse Daronco, da Suno.
Parte do que o mercado esperava dependia da alternância de poder. Após o primeiro turno, o Citi mapeou o que uma troca de governo poderia trazer para a companhia, como preços de combustíveis mais próximos da paridade internacional, redução de custos e investimentos e um novo programa de desinvestimentos. Para o Citi, esse conjunto faria da Petrobras a maior beneficiada do setor de óleo e gás. Com a reeleição, esse cenário sai da mesa.
Fora da política, o vetor da Petrobras é um só. "No caso da Petrobras, obviamente, é o preço do petróleo", disse Siqueira, da Eleven.
O preço do petróleo e dos combustíveis, sobretudo o diesel, segue elevado por causa das interrupções na oferta global, o que tende a sustentar o desempenho das empresas do setor, segundo o Citi. O Brent fechou a sexta-feira, 23, a US$ 116,72 o barril, o maior nível desde abril, com o temor de novos ataques entre Estados Unidos e Irã no Golfo.
Esse patamar tem prazo de validade, alerta a Genial. Para Vitor Sousa, analista de petróleo, energia e saneamento da Genial, o petróleo é a variável mais sensível para a Petrobras justamente porque o preço está artificialmente elevado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos e pelas tensões no Estreito de Ormuz.
Com o barril nesse patamar, a defasagem voltou ao radar. Segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), citada pelo BTG, a gasolina vendida nas refinarias da Petrobras está cerca de 20% abaixo da paridade internacional, uma diferença de R$ 0,43 por litro.
No diesel, o abastecimento ganhou alívio. A Rússia derrubou, em 9 de outubro, a proibição de exportação do combustível, após acordo com o governo de Donald Trump, e cargas voltaram a seguir para o Brasil, destino de cerca de 24% do diesel russo exportado neste ano. Para o BTG, o movimento reduz o risco de desabastecimento no país.
No front externo, o Brasil ultrapassou a Arábia Saudita como segundo maior fornecedor de petróleo da China nos nove primeiros meses de 2026, com 44,30 milhões de toneladas, contra 43,11 milhões dos sauditas, segundo dados alfandegários reunidos pelo BTG.
Passada a eleição, o BB volta a depender da economia. "No Banco do Brasil, pesa muito o cenário econômico e, principalmente, as tendências de inadimplência que estamos vendo, tanto no agronegócio quanto fora dele. Esse é, obviamente, o maior risco para o banco neste momento", afirmou Siqueira. Para a Suno, além da inadimplência, pesam os preços das commodities agrícolas.
Mudanças de rumo também demoram mais a aparecer no banco. Segundo Daronco, os efeitos de um novo mandato sobre o BB levam mais tempo para maturar do que sobre a Petrobras, por causa da carteira de crédito que já está construída.
A privatização, que chegou a circular entre investidores durante a campanha com o avanço de Flávio nas pesquisas, sai de cena com a reeleição de Lula. Mesmo antes do resultado, os analistas viam pouco espaço para o tema. "Com relação à privatização do Banco do Brasil, acho improvável. Esse não é um tema que está muito no radar e é difícil privatizar uma empresa desse porte", disse Siqueira, da Eleven.
O BTG já tratava a eleição como fator secundário para o banco. Mesmo com a possível melhora de humor do mercado que uma troca de governo traria, os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale mantinham cautela com a ação por causa da fraqueza operacional.
O principal problema está no campo. A pontualidade de pagamento dos clientes do agronegócio segue perto de 75%, bem abaixo dos cerca de 90% embutidos nas expectativas do próprio BB para o segundo semestre de 2026, segundo o BTG. A consequência deve ser mais provisões no terceiro trimestre e pressão sobre o lucro.
A renegociação de dívidas rurais avança devagar. A Medida Provisória (MP) 1.376, editada em julho, abriu linhas para reestruturar débitos de produtores com perdas de safra. Até o fim de setembro, menos de R$ 1 bilhão havia sido renegociado pela MP, segundo o BTG. A meta do BB é aplicar sua parcela dos R$ 12,5 bilhões em recursos equalizados até 12 de novembro.
Com isso, o BTG projeta que as provisões cresçam em torno de 10% na comparação com o segundo trimestre, podendo ficar um pouco abaixo ou acima disso. O lucro antes de impostos pode cair entre 50% e 60%, para cerca de R$ 2 bilhões.
O lucro líquido ficaria perto de R$ 1,9 bilhão, metade do trimestre anterior e cerca de 50% abaixo do consenso. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) cairia para perto de 4%, segundo o BTG.
O balanço sai em 11 de novembro, praticamente junto com o vencimento da MP. Diante da piora esperada, o BTG considera uma revisão do guidance, as projeções que o BB divulga ao mercado, como o desfecho mais provável.
A preocupação se estende a 2027. Se a pontualidade continuar fraca, o BB terá de ser mais restritivo na concessão de crédito, o que limita a margem financeira e mantém as provisões elevadas, segundo o BTG. O resultado pode ser mais um ano de rentabilidade muito baixa.
O BTG tem recomendação neutra para as ações, com preço-alvo de R$ 19 em 12 meses. O alvo representa queda potencial de cerca de 23% em relação aos R$ 24,72 do fechamento da sexta-feira, 23, quando o papel subiu com a percepção do mercado de que Flávio seria eleito. A projeção de lucro líquido para 2026 é de R$ 16,9 bilhões, contra R$ 20,7 bilhões em 2025 e R$ 37,9 bilhões em 2024.
Em relatório de 21 de outubro, os economistas Alberto Ramos e Panteleymon Semka, do Goldman Sachs, projetaram, no máximo, medidas modestas para conter o avanço dos gastos primários, acompanhadas de novos aumentos de uma carga tributária que já é alta.
A campanha deixou uma conta. O governo anunciou programas de crédito subsidiado, renegociação de dívidas e transferência de renda voltados a grupos específicos de eleitores, todos com custo fiscal elevado, segundo o Goldman Sachs. Para o BTG, medidas como o reajuste de 15% no Bolsa Família e um novo programa de renegociação de dívidas deram impulso à candidatura de Lula.
A governabilidade é outro ponto de atenção. O PL saiu do primeiro turno como a maior bancada da Câmara, com 121 das 513 cadeiras, e do Senado, com 29 das 81. Para o Goldman Sachs, Lula enfrentará um Congresso ainda mais difícil, com uma oposição conservadora maior e capital político limitado, já que não poderá disputar a reeleição em 2030.
O pano de fundo fiscal também pesa. A dívida pública passa de 82% do Produto Interno Bruto (PIB), em trajetória de alta, de acordo com o banco americano.
O Banco do Brasil tende a reagir mais ao resultado eleitoral do que a Petrobras, segundo avaliações da Eleven Financial e da Suno Research. A Petrobras está mais protegida pelo petróleo em alta e pelo desempenho operacional, enquanto o BB enfrenta inadimplência elevada no agronegócio.
O BTG Pactual vê a Petrobras como uma aposta em petróleo, câmbio e dividendos, capaz de proteger a carteira em caso de deterioração política e fiscal. O banco estima potencial de valorização de 25%, calculado no início de outubro.
O BTG Pactual estima dividend yield de cerca de 11% em 2027 no cenário-base. Mesmo em uma projeção mais cautelosa, a Petrobras entregaria rendimento médio próximo de 9% em 2027 e 2028, segundo o banco.
Os principais riscos são uma possível interferência política nos preços dos combustíveis, as trocas de comando a cada ciclo eleitoral e uma queda do petróleo. Vitor Sousa, analista da Genial Investimentos, afirma que o barril está artificialmente elevado pelo conflito entre Irã e Estados Unidos e pelas tensões no Estreito de Ormuz.
A pontualidade dos clientes do agronegócio está perto de 75%, abaixo dos cerca de 90% previstos pelo Banco do Brasil para o segundo semestre de 2026, segundo o BTG Pactual. O BTG projeta mais provisões e queda de 50% a 60% no lucro antes de impostos, para cerca de R$ 2 bilhões.
O Goldman Sachs projeta, no máximo, medidas modestas para conter os gastos primários e novos aumentos da carga tributária. Segundo os economistas Alberto Ramos e Panteleymon Semka, Lula também enfrentará um Congresso mais difícil, uma oposição conservadora maior e capital político limitado.
Mais de Invest Dólar pode chegar a R$ 6 com Lula reeleito? Veja até onde a moeda pode ir Gestores veem alta forte no 1º pregão e dizem que o rumo fiscal define o resto
Pós-fixados ganham força com juros altos por mais tempo, enquanto prefixados e IPCA+ longos podem oscilar com a incerteza fiscal do novo mandato
Anuncie sua marca e alcance milhares de leitores na região
Consulte formatos e valores disponíveisMatérias Relacionadas
como o voto de cada região pesou no resultado da eleição — Lula x Flávio
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Atualização: Bahia, Pernambuco e São Paulo lideram queda de abstenções no 2º turno
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
Região: Motta e Alcolumbre, líderes do Congresso Nacional, parabenizam Lula
Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.
