Panorama: Médica vira ré por morte de paciente após lipoescultura no Rio
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google Ler Resumo A médica Geysa Leal Corrêa virou ré por homicídio qualificado com dolo eventual pela morte de Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira, que faleceu nove dias após uma lipoescultura. A Justiça a proibiu de exercer a medicina. A acusação detalha perfurações no intestino de Aline e a minimização de sintomas. Entenda os graves detalhes e o histórico da profissional. Este resumo foi útil?
A médica Geysa Leal Corrêa se tornou ré pela morte de Aline Heloisa Lima Santos de Oliveira, que morreu nove dias depois de passar por uma lipoescultura em São Gonçalo, em novembro de 2023. A Justiça aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio qualificado com dolo eventual e determinou que a profissional fique impedida de exercer a medicina. Apesar da decisão, ela ainda consta como regularmente inscrita no Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj).
Segundo a acusação, durante a cirurgia, realizada no Centro Médico Icaraí, a médica perfurou o intestino da paciente em três pontos. As lesões provocaram o extravasamento de conteúdo fecal para a cavidade abdominal, levando a uma peritonite que evoluiu para choque séptico. O Ministério Público afirma que Aline sentiu dores intensas e falta de ar logo após o procedimento, mas que os sintomas foram minimizados. A transferência para um hospital e a cirurgia de emergência só ocorreram no dia seguinte, quando o estado de saúde já havia se agravado. Para os promotores, a clínica também não dispunha de estrutura adequada para lidar com complicações graves.
A denúncia aponta ainda duas circunstâncias qualificadoras: motivo torpe, associado pela acusação à ganância, e emprego de meio cruel, em razão do sofrimento da paciente e da demora na intervenção. O processo também menciona a morte de outras duas mulheres que passaram por procedimentos realizados pela médica: Adriana Ferreira Capitão Pinto, em 2018, e Silvia de Oliveira Martins, em setembro de 2023. No primeiro caso, Geysa foi condenada em primeira instância, em 2022, por homicídio culposo, com inobservância de regra técnica da profissão. Ela não tinha título de especialista em cirurgia plástica registrado no Cremerj quando realizou a operação de Aline.
Além de suspender o exercício da medicina, a Justiça proibiu a médica de manter contato com o viúvo de Aline. A decisão considerou indícios de coação após Edson de Oliveira Júnior relatar à polícia que recebeu uma proposta de emprego feita pelo marido da profissional, em uma tentativa de convencê-lo a não levar a denúncia adiante. O MPRJ informou que a médica poderá ser submetida a júri popular. A pena prevista para homicídio qualificado é de 12 a 30 anos de prisão.
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