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Panorama: Lula terá governo impopular mesmo após vitória histórica, diz analista

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 20:25
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Panorama: Lula terá governo impopular mesmo após vitória histórica, diz analista
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Lula terá governo impopular mesmo após vitória histórica, diz analista Para Cila Schulman, presidente reeleito enfrentará resistência de parte do eleitorado, oposição fortalecida no Congresso e pressão por respostas na economia e na segurança pública Lula: novo governo nasce com uma avaliação baixa (Ricardo Stuckert/Flickr)

Priorizar nos meus resultados Google RESUMO + A vitória histórica de Lula sobre Flávio Bolsonaro não significa que o presidente terá um quarto mandato mais fácil, segundo Cila Schulman, presidente do Instituto Ideia. A analista avalia que a divisão do eleitorado, a força da oposição no Congresso e as demandas da sociedade representam desafios para o novo governo. Lula venceu a eleição de 2026 com 51,79% dos votos válidos.

A vitória histórica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 não deve se transformar em um governo de alta popularidade no quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. A avaliação é de Cila Schulman, presidente do Instituto Ideia, que aponta a divisão do eleitorado, a força da oposição no Congresso e as dificuldades econômicas como obstáculos para o presidente reeleito.

Em entrevista ao último Eleições em Pauta, da EXAME, a analista afirmou que Lula conseguiu uma virada inédita sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas não ampliou de forma consistente sua base de apoio político ao longo dos últimos quatro anos. Na avaliação dela, o resultado das urnas não significa necessariamente uma melhora da aprovação do governo.

"Olha, eu não sou otimista. Eu acho que vai ser um governo impopular. Tem metade da população que votou contra esse governo", afirma Cila.

Lula recebeu 64,2 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro, que terminou com 48,21%. A diferença foi de 4,4 milhões de votos. Pela primeira vez desde a redemocratização, um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu vencer a eleição presidencial.

O resultado garantiu a Lula um quarto mandato, feito inédito na história das eleições diretas para presidente no Brasil. Apesar disso, Cila considera que o novo governo terá dificuldades para atender às expectativas de um eleitorado dividido.

Na avaliação da presidente do Instituto Ideia, um dos principais problemas de Lula ao longo do terceiro mandato foi a dificuldade de conquistar apoio entre os eleitores que haviam votado no ex-presidente Jair Bolsonaro em 2022.

Segundo ela, essa divisão política continuou presente durante o ciclo eleitoral de 2026 e deverá influenciar a relação do novo governo com a sociedade.

"O Lula 3 não conseguiu atrair eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 22 para o seu campo. Ele continua do mesmo tamanho, e essa foi a dificuldade durante todo o governo", diz.

Para Cila, a vitória de Lula esteve associada, em parte, à mobilização de eleitores contrários ao retorno da família Bolsonaro ao Palácio do Planalto, e não necessariamente a uma aprovação maior da gestão petista.

Entre os principais desafios, ela cita a situação fiscal, a economia, a segurança pública e a relação com o Congresso Nacional, que terá uma oposição numerosa a partir de 2027.

"A gente tem um Congresso que não apoia o presidente eleito. E a gente tem toda a questão econômica, fiscal, de segurança pública, enfim. Não são poucos os desafios desse governo", afirma.

Cila também mencionou a crise de credibilidade que, em sua avaliação, atinge o Supremo Tribunal Federal (STF). Para ela, as tensões institucionais integram o conjunto de problemas que o novo governo encontrará.

A presidente do Instituto Ideia considera que a queda da abstenção foi um dos fatores decisivos para a vitória de Lula.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ausência de eleitores caiu de 21,08% no primeiro turno para cerca de 19,2% no segundo. A redução representou quase 3 milhões de eleitores a menos, deixando de comparecer às urnas.

Cila avalia que parte desses eleitores, assim como pessoas que haviam votado em branco ou nulo na primeira etapa, decidiu apoiar Lula na reta final.

A analista chamou esse movimento de "antibolsonarismo de chegada", em referência à mobilização contra a candidatura de Flávio Bolsonaro nos últimos dias da campanha.

"A gente falava do antipetismo de chegada, que é tão tradicional mesmo já nas eleições brasileiras, mas dessa vez teve um antibolsonarismo que foi muito forte na reta final", afirma.

Segundo ela, a estratégia do PT também conseguiu disputar votos de eleitores que haviam apoiado Flávio no primeiro turno, mas ainda não tinham uma preferência consolidada.

A presidente do Ideia ressalta, porém, que o instituto ainda realiza levantamentos para compreender com maior precisão as razões da mudança de comportamento do eleitorado entre as duas etapas da eleição.

Outro fator apontado pela analista para explicar a vitória foi a mudança na estratégia de comunicação do PT durante o segundo turno.

Ao longo da campanha, Lula ampliou sua presença nas redes sociais, participou de atividades direcionadas aos jovens e apostou em uma mobilização de rua mais intensa.

Para Cila, o movimento ajudou o presidente a reduzir o desgaste de sua imagem depois de três mandatos e a disputar com Flávio Bolsonaro a posição de candidato associado à mudança política.

A analista destacou que, mesmo aos 80 anos, Lula conseguiu apresentar uma imagem mais dinâmica na reta final, enquanto seu adversário passou a participar de encontros com lideranças políticas e grupos de apoio já consolidados.

"Acho que o Lula conseguiu, com a mobilização de rua, com a mobilização digital e com a própria postura dele, a atitude dele, ele conseguiu representar mais a mudança do que o Flávio Bolsonaro", diz.

A avaliação da presidente do Ideia é que o sucesso da estratégia eleitoral poderá influenciar a comunicação do novo governo, mas não resolverá, por si só, as dificuldades de popularidade.

Cila também vê na nova composição do Congresso um obstáculo para Lula.

O PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 121 deputados federais e terá a maior bancada da Câmara na legislatura que começa em fevereiro de 2027. A federação formada por PT, PCdoB e PV conquistou 88 cadeiras.

A configuração indica que o presidente precisará negociar com diferentes partidos para aprovar medidas econômicas e projetos de interesse do Executivo.

Além da oposição parlamentar, a analista chama atenção para o comportamento dos jovens que participaram da mobilização eleitoral contra o bolsonarismo.

Segundo Cila, esse grupo deverá manter a cobrança por mudanças, inclusive em relação ao governo que ajudou a reeleger.

"Essa juventude que está mobilizada, ela se mobilizou contra o bolsonarismo, mas ela está mobilizada no mundo inteiro", afirma.

Para a especialista, o novo mandato exigirá respostas mais efetivas às demandas da sociedade do que aquelas apresentadas durante o terceiro governo.

"Acho que esse governo vai ter que dar muito mais respostas do que deu no Lula 3 para responder às demandas da sociedade. Eu não acho que vai ter vida fácil, não", diz.

Segundo Cila Schulman, presidente do Instituto Ideia, Lula iniciará o quarto mandato com um eleitorado dividido, uma oposição fortalecida no Congresso e desafios nas áreas econômica, fiscal e de segurança pública. A analista avalia que a vitória eleitoral não garante uma melhora na popularidade do governo.

Lula foi reeleito com 64,2 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59,8 milhões, ou 48,21%. A diferença entre os candidatos foi de aproximadamente 4,4 milhões de votos.

Na avaliação de Cila Schulman, a redução da abstenção, a mobilização de eleitores que haviam votado em branco ou nulo e o crescimento da rejeição ao bolsonarismo na reta final contribuíram para a virada. A analista também destaca a mobilização nas redes sociais e nas ruas. O Instituto Ideia ainda investiga as razões da mudança de comportamento dos eleitores.

O presidente precisará negociar com uma Câmara dos Deputados em que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, terá a maior bancada, com 121 parlamentares. A federação formada por PT, PCdoB e PV terá 88 deputados. A composição poderá dificultar a aprovação de projetos do Executivo e exigir acordos com partidos de centro e de direita.

Segundo Cila Schulman, a campanha do PT ampliou sua atuação nas redes sociais e aproximou Lula do eleitorado jovem. A estratégia ajudou o presidente a renovar sua imagem e a disputar com Flávio Bolsonaro a percepção de mudança política, mesmo sendo candidato à reeleição.

Essa é a avaliação de Cila Schulman. A presidente do Instituto Ideia considera que a divisão do eleitorado e a dificuldade de Lula em conquistar apoio entre antigos eleitores de Jair Bolsonaro poderão limitar a popularidade do governo. A análise não representa, porém, uma previsão baseada em uma nova pesquisa de aprovação do quarto mandato.

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