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Panorama: Fundador do gigante do varejo que chegou a 1.100 lojas abandona setor e aposta em negócio que cresce até 100% ao ano

Aos 57 anos, o empresário direciona suas atenções para o Grupo R1, negócio dedicado a treinamentos, mentorias e consultorias […] O post Fundador do gigante do v

Por Redatores da Empire Cidades 28 de outubro de 2026 às 14:19
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Panorama: Fundador do gigante do varejo que chegou a 1.100 lojas abandona setor e aposta em negócio que cresce até 100% ao ano
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Depois de construir uma rede com 1.100 lojas, 45 mil funcionários e faturamento anual de R$ 12 bilhões, Ricardo Nunes não demonstra interesse em repetir a experiência que tornou seu nome conhecido em todo o Brasil.

Aos 57 anos, o empresário direciona suas atenções para o Grupo R1, negócio dedicado a treinamentos, mentorias e consultorias para outros empreendedores. Nunes afirma ainda que o negócio vem registrando taxas anuais de crescimento entre 80% e 100% desde 2021.

O caixa pode precisar aguentar meses, já que Ricardo Nunes cita compras pagas ao fornecedor em cerca de 70 dias e revendidas em 10 parcelas, deixando o varejista financiar a diferença até receber A Selic ainda estava em 13,75% ao ano em setembro de 2026, mesmo após os cortes, contra 15% no começo do ano, mantendo caro o crédito usado pelas empresas, segundo o Banco Central Empresas tomavam crédito livre a uma taxa média de 24,2% ao ano em agosto de 2026, custo que pesa sobre estoque, capital de giro e expansão dos negócios, segundo o Banco Central O crédito livre ao consumidor chegou a 61,7% ao ano em agosto de 2026, encarecendo compras financiadas e reduzindo espaço no orçamento para consumo, segundo o Banco Central Os 84 milhões de brasileiros inadimplentes em agosto de 2026 correspondiam a 51% da população adulta, limitando o consumo em setores dependentes de crédito e parcelamento, segundo a Serasa Experian Um recorde de 9,3 milhões de empresas estava inadimplente em agosto de 2026, número 14,3% maior que o de um ano antes, segundo a Serasa Experian Pequenos negócios concentravam a crise, pois 8,8 milhões dos 9,3 milhões de CNPJs inadimplentes eram micro e pequenas empresas, contingente 14,7% maior em um ano, segundo a Serasa Experian As dívidas empresariais somavam R$ 238,6 bilhões em julho de 2026, quando 9,2 milhões de empresas acumulavam 67,2 milhões de contas atrasadas, média de 7,3 por CNPJ, segundo a Serasa Experian As recuperações judiciais atingiram recorde em 2025, com 2.466 CNPJs envolvidos, alta de 13% e maior número da série da Serasa Experian, sinal da pressão financeira sobre empresas O comércio respondeu por 535 empresas em recuperação judicial em 2025, equivalentes a 21,7% dos 2.466 CNPJs envolvidos, atrás apenas de agropecuária e serviços, segundo a Serasa Experian Até maio de 2026, 878 empresas já estavam envolvidas em 346 processos de recuperação judicial abertos nos cinco primeiros meses do ano, segundo a Serasa Experian O comércio também apareceu nas falências em maio de 2026, quando 42 CNPJs do setor estavam em pedidos de recuperação judicial e outros 17 em pedidos de falência, segundo a Serasa Experian O varejo praticamente parou em agosto de 2026, com alta de só 0,1% ante julho e 0,4% em um ano; de janeiro a agosto, o avanço era de apenas 1,7%, segundo o IBGE Móveis e eletrodomésticos despencaram 8,5% em agosto de 2026 ante um ano antes, maior retração entre as atividades do varejo, e ainda caíram 4,2% frente a julho, segundo o IBGE O comércio eletrônico movimentou R$ 235,5 bilhões em 2025, contra R$ 204,3 bilhões em 2024 e R$ 126,5 bilhões em 2020, evidenciando a rápida migração das compras para o digital, segundo a ABComm Quase 440 milhões de pedidos passaram pelo online em 2025, com 438,9 milhões de compras, 94,2 milhões de consumidores e tíquete médio de R$ 536,60, reforçando a integração entre lojas físicas e digitais, segundo a ABComm A empresa possui atualmente 130 funcionários e 560 companhias participantes de seu principal programa, o Clube R1. Para 2027, a expectativa apresentada pelo empresário é avançar mais de 120% em relação à receita projetada para 2026.

A trajetória empresarial de Ricardo Nunes começou muito antes dos eletrodomésticos. Depois da morte do pai, ainda criança, ele passou a vender mexericas na porta de uma faculdade de direito, em Divinópolis, Minas Gerais, para ajudar a mãe.

Mais tarde, começou a viajar de ônibus até São Paulo para comprar mercadorias na região da Rua 25 de Março. Brinquedos e bichos de pelúcia eram levados de volta para Minas Gerais, onde Nunes fazia as vendas de porta em porta.

Essa fase durou aproximadamente cinco anos. Em 1989, aos 18 anos, o jovem abriu sua primeira loja, com apenas 20 metros quadrados. O pequeno estabelecimento acabaria dando origem à Ricardo Eletro.

Além de administrar a empresa, Nunes se tornou um dos principais rostos da própria marca por meio de propagandas na rádio e televisão O crescimento também passou por uma estratégia agressiva de negociação com fornecedores e importação. Para disputar clientes com empresas maiores, a Ricardo Eletro buscava produtos mais baratos, inclusive através de compras diretamente da China.

Com a expansão, Nunes precisou lidar com uma estrutura muito maior. A companhia passou a registrar dezenas de milhares de vendas por dia e milhares de entregas, exigindo uma administração mais complexa do que a de seus primeiros anos.

Parte desse aprendizado veio de contatos com outros empresários do setor, como Samuel Klein, fundador das Casas Bahia Um dos principais movimentos de expansão aconteceu em 2010, quando Ricardo Eletro e Insinuante se uniram para formar a Máquina de Vendas. Posteriormente, outras redes regionais também foram incorporadas ao grupo.

No auge, a operação alcançou 1.100 lojas, cerca de 45 mil funcionários e R$ 12 bilhões em faturamento anual. O tamanho colocou o negócio entre os maiores nomes do varejo brasileiro naquele período.

Entre 2014 e 2018, a companhia enfrentou os efeitos da crise econômica enquanto concorrentes digitais ampliavam sua presença. Uma abertura de capital chegou a ser preparada, mas o plano de levar a empresa à bolsa não avançou.

Sem a operação, Nunes iniciou a procura por um investidor. Um fundo passou por cerca de dois anos analisando as contas da empresa. A negociação, inicialmente pensada para trazer um novo sócio, terminou com a venda da participação do fundador.

A saída foi concluída em 26 de dezembro de 2018. Naquele momento, a varejista já enfrentava problemas financeiros e acumulava aproximadamente R$ 2,6 bilhões em dívidas.

Em 2020, a Ricardo Eletro entrou em recuperação judicial e, em julho de 2026, a Justiça de São Paulo voltou a decretar a falência de empresas do grupo O passivo informado nessa etapa era de aproximadamente R$ 5,3 bilhões. Nunes sustenta que já não tinha participação na companhia quando os acontecimentos posteriores à venda ocorreram.

Em 2020, Nunes foi preso temporariamente durante uma investigação do Ministério Público de Minas Gerais sobre suspeitas de irregularidades tributárias envolvendo o grupo. Ele foi solto no dia seguinte após prestar depoimento.

Depois de sair da antiga rede, Nunes começou a publicar conteúdos sobre sua experiência nas redes sociais e atraiu mais de 3 milhões de seguidores. A audiência era composta em parte por empresários interessados nas técnicas de gestão e vendas de Ricardo.

Ao observar o mercado de mentorias, ele teve uma ideia. Apesar de não se identificar com o mercado com promessas de enriquecimento rápido, ele decidiu entrar no setor O passo seguinte foi reunir antigos executivos que haviam trabalhado com ele e organizar o chamado método RGV, sigla para resultados, gestão e vendas. A metodologia passou a ser oferecida por meio de treinamentos e acompanhamento empresarial.

Uma das portas de entrada é uma imersão presencial de três dias realizada em São Paulo. As turmas recebem aproximadamente 300 novos empresários por mês, com atividades que ocupam praticamente todo o dia.

Os participantes administram negócios de diferentes portes e setores. De acordo com Nunes, há desde empresas que faturam R$ 100 mil por mês até companhias com receitas mensais de dezenas de milhões de reais.

Depois da imersão, os interessados podem ingressar no Clube R1. A primeira etapa envolve um diagnóstico do negócio. Durante três dias, executivos analisam dados da companhia e elaboram um plano de ação.

Atualmente, 560 empresas estão ativas no programa. O grupo afirma que os negócios associados somam mais de R$ 5 bilhões em faturamento e que aproximadamente 94% dos participantes renovam a assinatura anualmente.

Em toda a operação, o Grupo R1 informa ter alcançado mais de 250 mil pessoas nos 27 estados brasileiros. Para 2026, estão previstos 70 eventos relacionados à metodologia chamada Máquina de Vendas.

#Belém#Brasil#Negócios
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