Panorama: Flávio Bolsonaro e Lula trocam acusações de corrupção e envolvem familiares em debate
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18.out.2026 às 21h43 Atualizado: 18.out.2026 às 22h02 Diminuir fonte Aumentar fonte Ana Luiza Albuquerque Arthur Guimarães de Oliveira Bruno Ribeiro São Paulo O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), adversários no segundo turno das eleições, trocaram acusações de corrupção, fizeram perguntas que deixaram o outro sem resposta, provocaram e envolveram familiares no primeiro debate entre os dois, na Band, na noite deste domingo (18).
No primeiro bloco do encontro, Flávio explorou o caso que envolve a lobista Roberta Luchsinger, investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente, em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.
No sábado (17), em entrevista à CNN Brasil, ela disse que pretende firmar um acordo de delação premiada e que não poupará Lula, sem apresentar detalhes ou evidências sobre o que teria a revelar.
Flávio perguntou a Lula se ele conhecia Roberta. O presidente respondeu que a Polícia Federal cuidará dela e voltou a afirmar que qualquer um, mesmo seu filho, será investigado em seu governo.
"Não sou um pai que protege o filho, como você foi protegido pelo seu pai [...] Não escondo nem mando ministro embora porque não quis trocar diretor da Polícia Federal", afirmou Lula, lembrando da saída do ex-juiz Sergio Moro do governo de Jair Bolsonaro.
Moro, que condenou Lula na Operação Lava Jato, foi levado ao debate por Flávio. Quando anunciou sua demissão do governo Bolsonaro, em abril de 2020, o ex-ministro criticou a insistência do ex-presidente para trocar o comando da PF.
Flávio também perguntou ao petista por que seu filho vive na Espanha —Lula não respondeu e rebateu afirmando que o irmão do senador, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, vive nos Estados Unidos "tramando contra o Brasil".
O presidente, por sua vez, foi ao ataque com o caso Master, questionando diversas vezes sobre o destino de R$ 134 milhões que Daniel Vorcaro teria pago ao filme "Dark Horse", uma ode à história de Jair Bolsonaro. "O que fez com o dinheiro? Foi para ajudar seu irmãozinho a trair o Brasil?", perguntou Lula.
Flávio voltou a se esquivar, como vem fazendo ao longo da campanha, e não esclareceu o destino do dinheiro. Segundo o site The Intercept Brasil, cerca de R$ 61 milhões foram enviados para um fundo controlado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo.
"Você vai aplaudir o filme do presidente Bolsonaro, que você vai amar", disse o senador.
Em meio a essa troca de provocações, Flávio pediu que Lula ficasse mais perto, reeditando uma cena do debate da Globo que o petista travou com Jair Bolsonaro, em 2022. O petista respondeu que não queria ficar próximo ao senador. "Quero distância de miliciano", disse.
Em outro momento do primeiro bloco, o candidato do PL afirmou que a criminalidade explodiu no Brasil e perguntou por que 73% dos presidiários votaram no petista. Lula respondeu: "Eu quero 100%, até do seu pai".
Jair Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por ter liderado um plano de golpe de Estado para impedir que Lula assumisse a Presidência da República. O ex-presidente se encontra em prisão domiciliar.
No final do primeiro bloco, a Band concedeu um direito de resposta de um minuto a Flávio, sem indicar o motivo. Antes, Lula chamou o rival de "malandro carioca". O senador usou o tempo para tratar de violência e segurança pública e acenar a eleitores mais pobres e a mulheres.
Lula derrapou no começo do debate, quando caminhou em direção à câmera errada e não controlou bem seu tempo. Nos minutos seguintes, porém, conseguiu se recuperar e encurralar Flávio em alguns momentos.
Ele perguntou duas vezes se o senador apresentará alguma proposta para alterar a lei que promulgou o fim da escala 6x1. Como noticiou a coluna Painel, Flávio garantiu a aliados que irá rever pontos da proposta.
Da primeira, o candidato do PL tergiversou. Da segunda, negou. "Ele só faz 'fake news' o tempo inteiro. […] Eu vou fazer com que você prospere de verdade. A gente vai falar no próximo bloco sobre prosperidade e não sobre o legado que ele está deixando, que é só de miséria, de endividamento, um monte de recorde negativo", disse Flávio.
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Esse foi o primeiro debate televisivo do qual participaram Flávio e Lula nestas eleições. O esvaziamento dos encontros pelos dois principais adversários neste pleito levou ao cancelamento de dois dos quatro debates previstos para o primeiro turno.
Para o senador, a ausência do presidente inviabilizava confrontos diretos, enquanto para o mandatário, a ida aos programas com a presença de outros candidatos configuraria disputa desleal por possíveis ataques de vários lados.
O filho de Jair Bolsonaro chegou a dizer na terça-feira (13) que não compareceria ao debate. No dia seguinte, depois que a emissora confirmou, via assessoria de imprensa, que o programa estaria mantido e que o púlpito de Flávio ficaria vazio, ele voltou atrás e afirmou que participaria.
Oficialmente, o senador afirmou nas redes que sua declaração foi uma "armadilha" para fazer Lula confirmar presença. "Bastou falar que não ia no debate da Band para você no minuto seguinte falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate, eu só queria que você confirmasse."
No segundo bloco, com perguntas dos mediadores, o principal tema foi a saúde. Flávio começou se solidarizando com o povo do Rio de Janeiro após Lula acusá-lo de "carioca malandro".
O senador depois disse que chamou o médico Claudio Lottenberg, que foi presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para comandar o Ministério da Saúde e que "SUS vai ser padrão Einstein".
O petista lembrou das mortes da pandemia da Covid-19. Citou que boa parte delas poderia ter sido evitada e que o governo de Jair Bolsonaro não acreditava na ciência. Ao fim, questionou, em menção à fala do adversário, se Flávio não estaria querendo privatizar o SUS.
Depois desse momento houve um princípio de confusão. Flávio aparecia atrás de Lula, estratégia que o senador adotou durante o debate, quando o petista afirmou que, se o oponente estivesse zombando dele, pediria direito de resposta.
O senador tentou questioná-lo e recebeu um aviso da mediadora de que não poderia falar naquele momento.
Houve pedido de resposta por parte do candidato do PL, que foi indeferido pela organização do debate.
Na sequência, Flávio indagou Lula sobre o tema da "saidinha" e disse que o petista defende mais o direito dos bandidos do que o das vítimas. O atual presidente rebateu afirmando que o senador pretende dar um indulto para o pai e liberar outros de tabela.
O filho do ex-presidente Bolsonaro também aproveitou para dizer que votou a favor do fim da escala 6x1 e vincular essa atitude à ideia de segurança. Afirmou que hoje o cidadão vai para a praia e que a mulher pega ônibus com medo. "Não quero que seu dia de folga seja um dia de pesadelo."
Já o petista afirmou que Flávio conhece o trabalho por literatura, porque nunca trabalhou.
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