Panorama: Em cuidados paliativos, Roberto Higa celebra a vida ao lado da família e das fotos que contam a história de MS
Em entrevista à TV Morena, ele relembrou décadas de registros históricos de Campo Grande e falou sobre o desafio mais recente: o câncer.
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Consulte formatos e valores disponíveisCampo Grande — Conforme acompanhado na região, fotógrafo que eternizou a história de MS abre o álbum da própria vida ao MS1 Um dos principais nomes do fotojornalismo de Mato Grosso do Sul, Roberto Higa abriu o álbum da própria vida.
O caso chamou atenção recentemente no município de Campo Grande e região. Em entrevista à TV Morena, ele relembrou décadas de registros históricos de Campo Grande e falou sobre o desafio mais recente: o câncer. Na garagem da casa do fotógrafo, o carro da família divide espaço com retratos de pessoas famosas. No interior da residência, fotos e quadros ocupam as paredes e se integram à decoração, transformando o lugar em uma espécie de galeria particular. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Cada imagem ajuda a contar a história de quem estava por trás da câmera: Roberto Higa, filho de imigrantes japoneses que se tornou uma referência do fotojornalismo no estado. Na década de 1960, ele já registrava acontecimentos importantes com os equipamentos fotográficos da época. "Eu fui o cara que mais fotografou presidentes em visita ao estado, Médici, Geisel", conta Higa. Depois de tantas décadas segurando uma câmera, o fotógrafo diz que o equipamento continua fazendo parte de sua rotina, apesar das limitações físicas. "Eu fotografo até hoje, apesar da mão que já não é mais aquela". A história de Higa também se entrelaça com a de Sandra, sua esposa. O namoro começou nos pedalinhos da Universidade Estadual de Mato Grosso, atual Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), em Campo Grande, antes da divisão do estado. O local marcou o início do relacionamento e serviu de cenário para as primeiras fotografias do casal. Higa conta que o primeiro registro de Sandra foi feito nos pedalinhos da universidade, onde ficava a piscina olímpica. Do namoro ao casamento, as lembranças permanecem guardadas. O convite da cerimônia está preservado, assim como as fotografias do casamento civil, da celebração na igreja e da festa realizada na casa onde moravam. Na década de 1980, a câmera também registrou a chegada do primeiro filho. Higa produziu um álbum de maternidade, um tipo de ensaio que, décadas depois, se popularizaria. Há, ainda, uma história que vai além das imagens: durante o parto de um dos filhos, ele cobriu o hospital com bandeiras do Operário, time para o qual torce. Roberto Higa registrou fotos durante a entrevista para a TV Morena TV Morena Dos encontros na avenida aos registros da política Higa também fotografou festas e encontros de jovens em Campo Grande. Durante muitos fins de semana, acompanhou o movimento da chamada Avenida da Paquera, na Avenida Afonso Pena, região que hoje integra o centro da cidade. Na época, o local reunia jovens e contava até com alto-falantes para facilitar os encontros amorosos. "As moças ficavam desfilando pelo asfalto, e tinha um alto-falante em cima do relógio, em cada esquina tinha um auto falante: 'Atenção atenção, você moça que está de saia plissada, blusinha branca, maria-chiquinha no cabelo, o fulano de tal tá te esperando na rua Maracaju", relembra. "Tiveram que parar de deixar o pessoal ficar circulando, por que se não não parava para a inauguração", relembra.ens até eventos políticos. Higa registrou as transformações do monumento, desde a estrutura original e sua retirada até as mudanças de localização e a instalação do modelo atual. A chegada da primeira escada rolante a uma loja de departamentos do centro de Campo Grande também ficou registrada em seu acervo. Com a câmera em mãos, ele fotografou a reação das pessoas ao experimentar a novidade. "Tiveram que parar de deixar o pessoal ficar circulando, porque se não não parava para a inauguração", relembra. Ao longo da carreira, o fotógrafo acompanhou comícios, eventos políticos e acontecimentos que marcaram a formação do estado, entre eles a Assembleia Estadual Constituinte de 1979, responsável pela elaboração da Constituição de Mato Grosso do Sul após a divisão do antigo estado de Mato Grosso. Os registros desse período também fazem parte de seu arquivo. Em uma das visitas do então presidente Emílio Garrastazu Médici a Campo Grande, um dia de chuva ficou marcado na memória do fotógrafo. "Cheguei a fotografar o Médici fumando, o que não acontecia para todo mundo, porque o presidente não podia entrar fumando, e ele gostava de fumar", conta. Na época, Higa tinha um crachá que facilitava o acesso às coberturas de presidentes e candidatos à Presidência da República. Muitos de seus cartões profissionais estão reunidos em um quadro na residência. A trajetória da Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), do grupo de comunicação e da família Zahran também está documentada na casa. Sandra é responsável por organizar e preservar parte desse material. Segundo ela, as imagens estão catalogadas em cadernos e envelopes, cada um com os respectivos negativos. Ao todo, são mais de 8.700 envelopes registrados em um caderno. O acervo da vida e o desafio do tratamento Neste ano, a trajetória de Higa também virou documentário e filme. Mas, enquanto sua história profissional ganha novos registros, o fotógrafo enfrenta um dos capítulos mais difíceis da vida. Diagnosticado com câncer na laringe, ele passou por tratamento em Campo Grande, em um hospital que acompanhou desde a fundação. Ao longo dessa jornada, ele e a família registraram diferentes etapas do processo. Ao concluir um dos ciclos de tratamento, Higa tocou o sino no Hospital Alfredo Abrão, gesto que simboliza o encerramento de uma etapa. Meses depois, um vídeo gravado no sofá de casa trouxe a notícia da volta da doença. Atualmente, o fotógrafo recebe cuidados paliativos e conta com o apoio da família. Ao ser perguntado se tem noção de tudo o que já fez ao longo da vida, Higa responde: "Eu tenho, e me dou por satisfeito", finaliza. Roberto Higa relembrou histórias durante entrevista à TV Morena. TV Morena Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:
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