Panorama: Com atuação trágica, Vasco não se aproxima da sonhada 'noite da virada'
Os 26 anos longe de uma final internacional poderiam ter fim e marcariam o possível início de uma nova era no clube.
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Consulte formatos e valores disponíveisO bom desempenho e a vitória conquistada na Bombonera semana passada encheram o torcedor vascaíno de esperança. Os 26 anos longe de uma final internacional poderiam ter fim e marcariam o possível início de uma nova era no clube. Mas em noite irreconhecível, diante de um Maracanã lotado, o Cruzmaltino não mereceu quebrar o tabu.
Em menos de quatro minutos já tinha perdido a vantagem construída com tanta luta em solo argentino. Levou o segundo gol ainda na 1ª etapa e demorou bastante a mostrar algo que se aproximasse de uma produção ofensiva aceitável. Mesmo assim diminuiu o placar e, quando levava a decisão para os pênaltis, amargou a eliminação com um frango de Léo Jardim.
Pedro Emanuel não pôde contar com Colídio e Andrés Gómez. Adson foi mantido na ponta-direita e David foi o ponta-esquerda. Cuesta seguiu fora. Saldívia formou dupla de zaga com Robert Renan novamente.
Rodolfo Arruabarrena fez três trocas na equipe em relação ao que havia posto em campo semana passada. Villa e Merentiel, que entraram bem em Buenos Aires, começaram jogando. Carlos Palacios e Enner Valencia foram para o banco. No meio, Battaglia foi o volante mais recuado. Alarcón foi barrado. Recuperado de lesão, Leandro Paredes iniciou entre os reservas.
Perder a vantagem mínima construída em Buenos Aires em apenas três minutos estava longe dos planos do Vasco. Mas isso aconteceu. E premiou a disparidade de comportamento inicial entre as equipes. Enquanto o Boca começou agressivo e ciente do que fazer para entrar na defesa cruzmaltina, o time brasileiro esteve sem ação diante da postura adversária.
Di Lollo ganhou de Sosa e concluiu de cabeça o escanteio cobrado por Blanco pela esquerda. Córner fruto daquilo que os argentinos mais buscaram nos primeiros instantes. Acionar rapidamente os seus pontas. Estratégia que fez o time melhorar na 2ª etapa na Bombonera. Villa, desta vez pela direita, foi mais preciso do que Flores, que atuou em seu lado preferencial, o flanco canhoto.
Battaglia dava bons suportes para circular a bola junto ao quarteto defensivo do Boca. Blanco era agressivo ao avançar pela esquerda, e começou a jogada que quase gerou um precoce segundo gol xeneize ainda aos cinco minutos. Robert Renan bloqueou Flores no último momento.
O Vasco não jogava! Atônito para marcar, sem gatilhos para pressionar a saída rival, e altamente inseguro ao trocar passes em seu próprio campo ou combater nas proximidades da área. Mesmo assim, se aproveitou do arrojo nos passes adversários para ficar com algumas bolas e encaixar contragolpes. Poderia ter empatado a partida não fosse a trapalhada entre Adson e Bruno Duarte.
O ponta, herói em Buenos Aires, se enrolava constantemente com a bola e parecia uma criança combatida pelos intensos argentinos. Sosa não era nem sombra do bom distribuidor de passes. Se postou um pouco mais a frente da dupla de zaga, e teve muitas dificuldades ao ser combatido por Delgado ou Ascacibar. Saldívia arriscava como se fosse um zagueiro de extrema categoria, e errava.
O Boca deixou de forçar tantos passes aos seus pontas como nos minutos iniciais, e passou a trocar bolas mais curtas, irritando a torcida vascaína, que via sua equipe sem poder de marcação no campo rival. A esta altura os donos da casa já tinham mais a bola, só que esbanjavam afobação, apesar do bom posicionamento para circular a posse. Um resquício da organização que costuma ter.
Thiago Mendes assustou Montero duas vezes. Primeiro ao receber na entrada da área em rebote de escanteio, e depois ao cabecear para fora um bom córner cobrado por Lescano. Os problemas do Gigante da Colina, no entanto, continuavam, e numa sequência de erros o Boca chegou ao segundo gol. Primeiro de Sosa e depois de Saldívia. Villa lançou Merentiel em contragolpe. Ele não perdoou.
Pedro Emanuel esperou o intervalo para tirar seus pontas. Adson e David deram lugar a Marino Hinestroza e Brenner. Os dois perderam menos bolas em relação aos titulares, foram ativos, mas isso não significou um aumento na produção ofensiva anfitriã, que seguia pobre. Paulo Henrique e Cuiabano avançavam bem abertos e tentavam gerar volume, mas os ataques não eram terminados.
Leandro Paredes entrou antes dos 15 minutos da 2ª etapa no Boca. Battaglia, ex-Atlético, saiu. No Vasco, Paulo Henrique, o melhor do time até então, precisou deixar o gramado para Puma Rodriguez entrar. Arruabarrena queria quebrar qualquer ímpeto que o Cruzmaltino pudesse ter para encaixar uma pressão de fato. E por isso a entrada de Paredes, que qualificou a troca de passes dos argentinos.
Mesmo que o Vasco trabalhasse a bola na intermediária ofensiva diante de um Boca Juniors bem fechado, o jogo ganhou momentos de valorização da posse por conta dos visitantes. A insistência dos cariocas, mesmo com pouca eficácia, deu resultado, porém, aos 20 minutos. Cuiabano cruzou e Di Lollo cortou mal. Puma Rodriguez emendou de primeira e acordou o Maracanã ao balançar a rede.
A parada para hidratação não esfriou o Vasco, que contava com Marino Hienstroza e Brenner participativos. Lescano e Robert Renan subiram de produção. Cuiabano voltou a descer com agressividade em outra boa jogada pela esquerda. O Boca apostava em reter a bola, sem, tantas ações no campo rival. Tinha Paredes no centro de tal estratégia e buscava tirar a posse dos pés cruzmaltinos.
Pouco depois dos 30 minutos, Arruabarrena fez mais duas trocas. Velasco e Enner Valencia substituíram Flores - em noite pouco inspirada - e Merentiel. Lescano chegou a assustar em batida da entrada da área, mas a precisão estava do lado xeneize. Leandro Paredes aproveitou a extrema liberdade que teve na intermediária e bateu de longe para vencer Léo Jardim, que falhou feio no lance.
Já com Spinelli na vaga de Lescano, a equipe de Pedro Emanuel tentou o gol que a manteria viva até a disputa por pênaltis, mas não conseguiu sequer ameaçar a meta de Montero. Eliminação justa pela atuação paupérrima do Gigante da Colina.
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