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Panorama: Bradesco tem 11 altas seguidas no lucro, mas inadimplência preocupa e ações caem

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 23 de outubro de 2026 às 13:32
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Panorama: Bradesco tem 11 altas seguidas no lucro, mas inadimplência preocupa e ações caem
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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O banco ainda encerrou o décimo primeiro trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, ainda que no menor ritmo da sequência, com avanço trimestral de 0,8%;

O retorno sobre o patrimônio (ROE) ficou em 15,6%, ou 16,1% ao se desconsiderar o aumento de capital de R$ 10 bilhões realizado no trimestre. O banco também manteve seu guidance para 2026.

Na visão do Itaú BBA, o resultado veio em linha, mas com uma “composição negativa” que deve pressionar as estimativas para 2027. Os analistas apontam que o crescimento das receitas foi modesto, enquanto a deterioração da carteira elevou as despesas com provisões. O banco manteve recomendação outperform, com preço-alvo de R$ 22 para o fim de 2027.

Já a XP classificou o trimestre como misto. Embora o controle de custos tenha continuado avançando e ajudado a sustentar os lucros, a corretora avalia que os custos de crédito continuam consumindo boa parte do crescimento das receitas, limitando uma expansão mais significativa da rentabilidade. A recomendação permaneceu neutra.

O principal ponto de preocupação dos analistas foi a evolução da inadimplência. O índice de empréstimos com atraso superior a 90 dias (NPL) subiu para 4,6%, avanço de 30 pontos-base frente ao segundo trimestre. A deterioração foi mais evidente nos segmentos de pequenas e médias empresas e de pessoas físicas, enquanto o índice de cobertura caiu para 143%, ante 152% três meses antes.

Segundo a XP, a piora foi impulsionada principalmente por linhas de crédito para pequenas empresas garantidas pelo governo e por operações rurais, levando as provisões a crescerem mais rapidamente que a margem financeira do banco. A margem financeira ajustada ao risco recuou de 4,5% para 4,2%.

O JPMorgan também chamou atenção para a elevação da inadimplência inicial e para a redução da cobertura, embora tenha destacado que grande parte da piora em pequenas empresas está associada a operações com garantia pública, que podem gerar recuperações futuras.

Na mesma linha, o Goldman Sachs ressaltou que a formação de novos créditos problemáticos continuou superando o ritmo de constituição de provisões, pressionando a cobertura e aumentando o custo de risco. A casa manteve recomendação neutra para as ações.

Por outro lado, o controle de custos continuou sendo um dos destaques positivos do trimestre. As despesas operacionais vieram abaixo das projeções de mercado, permitindo melhora dos indicadores de eficiência. O índice de eficiência gerencial caiu para 45,4%, um dos melhores níveis dos últimos anos.

O banco segue avançando em seu processo de transformação operacional, com racionalização da rede física e foco na digitalização. Para o Morgan Stanley, a disciplina com despesas foi um dos fatores que impediram um resultado mais fraco, compensando parcialmente a pressão observada nas receitas e na inadimplência.

Já a divisão de seguros foi um ponto de frustração, sendo que é tradicionalmente uma das principais fontes de rentabilidade do Bradesco.

Índices futuros dos EUA recuam com sell-off do setor de tecnologia

As receitas do segmento recuaram cerca de 9% em relação ao trimestre anterior, pressionadas por menores resultados financeiros e aumento da sinistralidade, especialmente nos ramos de saúde e vida. O desempenho ficou abaixo das expectativas de diversas casas de análise.

A leitura sobre o trimestre tenha sido predominantemente cautelosa, mas as avaliações para o futuro do banco são mais equilibradas. O JPMorgan afirmou que continuaria comprador do papel em eventuais quedas, argumentando que o Bradesco pode ser um dos principais beneficiários de um ambiente macroeconômico mais favorável em 2027, com juros menores, aceleração da atividade e melhora gradual da inadimplência. Para o banco americano, os problemas que limitaram a rentabilidade recentemente podem começar a perder força nos próximos trimestres.

O Morgan Stanley adotou visão semelhante e, apesar de considerar o trimestre decepcionante, a instituição mantém recomendação overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para os ADRs (recibo de ações negociados na Bolsa de Nova York) do Bradesco. O banco americano avalia que uma eventual melhora do ambiente econômico pode impulsionar crescimento, qualidade dos ativos e expansão de margens em 2027.

A Genial Investimentos também destacou que o Bradesco segue mostrando avanços operacionais relevantes, mas alertou que o banco entra em um momento mais desafiador do ciclo de crédito. A corretora avalia que a queda da cobertura e a alta da inadimplência reduzem a folga que o mercado enxergava para absorver choques adicionais, tornando a evolução da qualidade dos ativos o principal ponto de monitoramento para os próximos trimestres.

Entre os mais otimistas, o Itaú BBA segue vendo espaço para valorização das ações, apoiado na continuidade da reestruturação do banco e nos múltiplos considerados descontados, ainda que admita riscos de revisões negativas para lucros de 2027 caso a deterioração do crédito persista.

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