Panorama: Beth Carvalho tem joias menos óbvias da discografia reavivadas por Enzo Belmonte no álbum 'Obrigado, Madrinha!'
A prática se tornou tão recorrente que Beth ficou imortalizada com a alcunha de “A madrinha do samba”.
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Consulte formatos e valores disponíveisEnzo Belmonte lança álbum audiovisual 'Obrigado, Madrinha!' na sexta-feira, 6 de novembro, para celebrar Beth Carvalho (1946 – 2019) — Foto: Léo Queiroz / Divulgação
♬ Quando se firmou no terreirão do samba e se tornou nome referencial no gênero, a partir dos anos 1970, Beth Carvalho (5 de maio de 1946 – 30 de abril de 2019) passou a avalizar bambas em início de carreira, caso de Zeca Pagodinho, revelado pela cantora em álbum de 1983.
A prática se tornou tão recorrente que Beth ficou imortalizada com a alcunha de “A madrinha do samba”. Nascido e criado no Morro do Pinto – comunidade da Zona Portuária da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – e egresso da escola mirim Mangueira do Amanhã, o cantor e compositor carioca Enzo Belmonte se autodeclara o último afilhado artístico de Beth.
Testemunho do jornalista e roteirista Leonardo Bruno confirma a sentença e impede que a declaração seja percebida como mero golpe de marketing de Enzo para promover o álbum audiovisual “Obrigado, Madrinha! – Um tributo a Beth Carvalho”, programado para ser lançado na sexta-feira, 6 de novembro, com a gravação ao vivo do show apresentado pelo cantor em 12 de maio, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro (RJ), com participações de Dayse do Banjo, Lu Carvalho, Serginho Meriti e Velha Guarda Musical da Mangueira, além de ritmistas da já mencionada Mangueira do Amanhã.
Em 20 de abril de 2019, Leonardo Bruno visitou Beth Carvalho no hospital em que a artista estava internada – e no qual viria a falecer dali a dez dias – e ouviu de Beth que, sim, ela considerava Enzo Belmonte o último afilhado da linhagem de sambistas avalizados pela Madrinha.
É com essa moral que, aos 24 anos de idade e oito de carreira fonográfica iniciada com EP editado em 2018, Enzo Belmonte apresenta o tributo fonográfico a Beth Carvalho, ainda em tempo de celebrar os 80 anos que a artista teria festejado em 5 de maio.
Ao longo das 10 faixas do álbum “Obrigado, Madrinha! – Um tributo a Beth Carvalho”, o cantor encadeira 16 sambas que ganharam a voz de Beth e uma música em tributo à cantora, “Uma rainha no céu”, composta por André da Mata no dia da morte da artista.
Dos 16 sambas gravados por Beth, um deles, “O daqui, o dali e o de lá”, nem fez parte da discografia oficial da cantora, mas a parceria de Bira da Vila e Serginho Meriti foi gravada por Beth no álbum “O canto da Baixada”, lançado em 2010, seis anos após o samba ter sido lançado pelo grupo Toque de Prima no álbum “Daqui, dali, de lá” (2004).
Serginho Meriti se junta a Enzo na regravação do samba, pérola menos óbvia do repertório selecionado por Enzo para o show, sem evitar os sucessos de Beth, mas também sem se limitar a eles.
Uma das joias é “Meu sangue é Brasil”, parceria de Almir Guineto (1946 – 2017) – bamba que também teria feito 80 anos em 2026 – com Luverci Ernesto (1941 – 2007) gravada por Beth no álbum “Pagode de mesa ao vivo” (1999).
Da mesma dupla de compositores, Enzo pesca “Tem nada não” (samba de 1979 que também traz a assinatura de Jorge Aragão) e “É, pois é” (samba de 1981, também composto por Luís Carlos).
Sucessos e pérolas menos conhecidas do repertório de Beth Carvalho foram cantados por Enzo com arranjos de Luizinho Croset, diretor musical do show dirigido e roteirizado pelo próprio Enzo Belmonte com Renata Machado.
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