o que modelo do interior de SP diz ter ganhado como 'sugar baby' — Viagem para a Itália, despesas pagas e celular
Esses são alguns dos benefícios que uma modelo de 30 anos, moradora do interior de São Paulo, afirma ter recebido ao longo de relacionamentos iniciados em uma p
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Consulte formatos e valores disponíveisUma viagem para a Itália com todas as despesas pagas, um celular iPhone e dinheiro. Esses são alguns dos benefícios que uma modelo de 30 anos, moradora do interior de São Paulo, afirma ter recebido ao longo de relacionamentos iniciados em uma plataforma do tipo sugar.
Há cerca de três anos, ela decidiu entrar no aplicativo em busca de um parceiro maduro e de uma relação em que não precisasse se preocupar constantemente com dinheiro. A modelo preferiu não se identificar.
"Tinha acabado de sair de um relacionamento em que eu basicamente bancava tudo. Aí acabei saindo endividada. Saí com o nome sujo da relação, estava cansada de me relacionar com homens imaturos e vi no site uma oportunidade de ter um relacionamento mais leve", contou conforme apuração dos redatores da Empire Cidades. Ela pediu para não ser identificada.
🔍O relacionamento sugar é uma modalidade em que pessoas estabelecem vínculos com diferentes expectativas afetivas, que podem envolver apoio financeiro, presentes e experiências, conforme os acordos entre os parceiros.
"O relacionamento sugar é uma relação como qualquer outra", afirmou a modelo.
Ela critica o preconceito em torno do tema e considera uma "ignorância" o julgamento social contra quem busca estabilidade financeira e valorização mútua. "Quando um homem se relaciona com uma mulher, a primeira coisa que ele olha é a aparência, obviamente. A mulher deveria olhar para o bolso do homem na mesma medida", completou.
Para rebater a associação frequente entre o universo sugar e a prostituição, a modelo afirma que a intimidade física nunca foi tratada como obrigação nos encontros que teve.
“O sexo nunca foi um pré-requisito e eles também nunca cobraram. Acho que vai muito de conexão e atração mesmo", afirmou.
Por segurança, a jovem mantém regras das quais não abre mão: marca os primeiros encontros sempre em locais públicos, compartilha a localização em tempo real com uma amiga de confiança e nunca dorme com o parceiro no primeiro dia.
Embora as amigas próximas acompanhem sua rotina no aplicativo, a família ainda não sabe. Para ela, o uso da plataforma tem prazo para acabar.
"Tudo na vida são fases. Eu pretendo sair sim da plataforma, mas só quando eu encontrar o meu futuro marido", disse.
São José dos Campos e Taubaté somam mais de 115 mil usuários cadastrados em uma plataforma de relacionamentos do tipo sugar, modalidade em que pessoas estabelecem relações com diferentes expectativas afetivas e que podem envolver apoio financeiro.
Os dados fornecidos pela empresa e que não são auditáveis apontam que São José dos Campos tem 80.007 usuários cadastrados, enquanto Taubaté reúne 35.523.
💰 Nesse tipo de relacionamento, os termos sugar daddy e sugar mommy são usados para identificar pessoas que, em geral, têm maior poder aquisitivo e buscam esse tipo de vínculo.
🍭Já sugar baby é a denominação utilizada para quem procura uma relação que pode envolver benefícios financeiros, presentes, experiências ou outras formas de apoio, conforme os acordos estabelecidos entre as pessoas.
Em São José dos Campos, a plataforma informa 8.940 perfis de sugar daddies, 49.738 de sugar babies femininas, 19.778 de sugar babies masculinos e 1.552 de sugar mommies.
A idade média dos sugar daddies cadastrados na cidade é de 39 anos. Entre as principais ocupações declaradas estão empresários, diretores e executivos industriais.
Em Taubaté, são 3.969 perfis de sugar daddies, 22.083 de sugar babies femininas, 8.781 de sugar babies masculinos e 689 de sugar mommies.
A idade média dos sugar daddies na cidade é de 40 anos. Empresários e executivos industriais estão entre as principais ocupações informadas.
Segundo o levantamento, a proporção nas duas cidades é de seis sugar babies para cada sugar daddy.
Os números são referentes aos dados disponibilizados pela empresa e não representam, necessariamente, a quantidade de relacionamentos efetivamente existentes nas cidades.
Na avaliação da psicóloga Renata Gonçalves, especialista em comportamento humano e relacionamentos, todo vínculo possui expectativas e combinados, mas o modelo sugar explicita desde o início o que costuma ficar subentendido nos namoros tradicionais.
"No modelo sugar, o 'contrato claro' certamente contribui para uma maior previsibilidade e segurança em relação ao que foi acordado entre os parceiros, considerando que esses acordos podem ser revistos ao longo do tempo", explicou a especialista.
Sobre o perfil dos provedores que buscam esse formato de relacionamento na região, a terapeuta destaca que a escolha não tem uma causa única, mas permite a empresários e executivos conciliar companhia, desejo, reconhecimento e autonomia.
Do lado dos babies, também não há como pontuar um único motivo, mas a busca por ascensão ou segurança financeira geralmente varia conforme a história e a necessidade de cada um.
Segundo a psicóloga, o fato de haver suporte material combinado não impede que surja sentimento real entre o casal, já que o afeto depende de fatores como convivência, vulnerabilidade, confiança e respeito.
Por outro lado, caso uma das partes se apaixone no meio do caminho, a dinâmica exige cautela.
"O risco de uma das partes se apaixonar existe, pois nem tudo o que é combinado deixa de produzir consequências emocionais. Nesse caso, o acordo precisará ser renegociado", pontuou Renata.
A disparidade financeira entre quem provê e quem recebe exige atenção aos sinais de alerta para preservar a saúde mental e a independência.
"O fato de não se sentir confortável com seu lugar na relação e, sobretudo, não conseguir expressar esse desconforto é um dos principais riscos psicológicos, o que pode gerar perda da autonomia, além de dependência emocional e financeira", alertou a psicóloga.
Para Renata, o tabu que ainda cerca o tema reflete o apego social à ideia tradicional de amor romântico.
"Não existe um único modelo de amor, assim como não existe um único modelo de família. O desconforto provocado pelas relações sugar revela a dificuldade social de reconhecer que o amor tomou outros lugares. A questão não é defender ou condenar um modelo, mas compreender se a relação tem como base o respeito, a liberdade e a capacidade de diálogo", concluiu.
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