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novo exame chega ao país para ajudar na detecção da doença — Alzheimer na mira

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Redatores da Empire Cidades 31 de outubro de 2026 às 11:00
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novo exame chega ao país para ajudar na detecção da doença — Alzheimer na mira
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Priorize VEJA no Google Ler Resumo Um exame de sangue inédito para detectar Alzheimer foi aprovado no Brasil. Com mais de 90% de precisão, o teste Elecsys pTau217 busca marcadores da doença e revoluciona o diagnóstico precoce, tornando a investigação mais certeira e menos invasiva. Saiba como funciona e a quem se destina essa nova ferramenta. Este resumo foi útil?

Há uma década a medicina ainda estava no escuro para enfrentar uma doença que derrete a memória e outras habilidades cognitivas e ganha escala com o envelhecimento populacional. Nos dois últimos anos, porém, os brasileiros têm a sorte de viver uma nova fase no cerco ao Alzheimer. Depois de desembarcarem no país os primeiros remédios capazes de atuar numa das causas do problema, agora cidadãos com a suspeita do quadro neurodegenerativo poderão realizar um exame de sangue simples para saber se encaram a condição que afeta, por baixo, mais de 2 milhões de pessoas por aqui — um número que pode chegar a triplicar em 2030.

O teste inédito, aprovado pela Anvisa, caça na circulação uma das principais pistas do Alzheimer. Trata-se de uma forma da proteína tau que sobe no sangue quando existem placas no cérebro que destroem os neurônios e suas conexões, uma das marcas devastadoras do Alzheimer. “O exame tem mais de 90% de precisão ao indicar essa patologia associada à doença, mas não aponta a demência em si nem sua gravidade”, esclarece o neurocientista Eduardo Zimmer, head de pesquisa do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, primeiro centro do país a disponibilizar a tecnologia.

O método chega em momento oportuno. Primeiro porque ajuda, de maneira não invasiva, a apontar se sintomas como perda de memória, dificuldade de raciocínio e desorientação são provocados pelo Alzheimer em si, e não por outra enfermidade. Segundo porque, ao tornar a investigação mais certeira, propicia o início mais rápido do tratamento — o que faz diferença para o paciente e a família. “Recursos como esse, quando somados a outros exames, podem tornar o diagnóstico mais precoce e preciso”, diz a geriatra Claudia Suemoto, professora da Faculdade de Medicina da USP. Isso se torna especialmente importante quando se leva em conta que quadros iniciais de Alzheimer demoram a ser detectados apenas com base na história clínica e na análise neuropsicológica.

O novo exame, contudo, não se presta a um check-up de rotina. A ferramenta deve ser usada diante de sinais ou suspeitas da doença neurológica. “O teste é indicado a pessoas com comprometimento cognitivo leve ou demência, em geral a partir dos 50 anos e com sintomas compatíveis com Alzheimer”, afirma Zimmer. Ele é uma alternativa (ou pode se somar) a outros exames destinados a essa apuração. É o caso da punção lombar para avaliação do liquor, o líquido que banha o cérebro e a medula espinhal, a fim de flagrar proteínas relacionadas à debacle cerebral, e do PET-CT amiloide, método de imagem que aponta as placas por trás da degeneração dos neurônios.

Convém ponderar, no entanto, que o exame de sangue não pode ser interpretado como uma peça decisiva e isolada do quebra-cabeça do Alzheimer. “Nem todo indivíduo com biomarcadores positivos, mas sem sintomas cognitivos, necessariamente desenvolverá as manifestações da doença”, diz o neurologista Adalberto Studart Neto, coordenador do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia. É justamente por essa razão que o teste não pode ser visto como uma triagem. “Estabelecer o diagnóstico biológico em pessoas assintomáticas ainda é uma questão complexa, especialmente porque não dispomos de tratamentos estabelecidos para essa fase da doença”, afirma o médico. Outro dilema tem a ver com o fato de que, com o avanço da idade, outras patologias podem coexistir e causar ou potencializar desordens como lapsos de memória e alterações de comportamento.

Feitas essas devidas ponderações, o fato é que o Elecsys pTau217 representa uma evolução e tanto nos tratamentos da doença. Até porque, além de mais prático, poderá ser mais acessível em relação aos recursos disponíveis. “Na rede particular, onde é oferecido por ora, ele custa cerca de 3 000 reais, sendo que o de liquor sai mais de 4 000 e o PET entre 10 000 e 12 000 reais”, compara Zimmer. No momento, o exame não é coberto por convênios nem fornecido pelo SUS, mas há planos para que isso aconteça. Motivo existe de sobra. O Alzheimer já é um desafio de saúde pública.

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