‘Nosso futuro está sendo roubado’ — Greta Thunberg se junta a protestos estudantis na França
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Consulte formatos e valores disponíveisPriorize VEJA no Google Ler Resumo Greta Thunberg se une a estudantes franceses em Paris contra a falta de investimentos na educação. Há semanas, o movimento cresce, com greves e bloqueios em escolas e universidades, denunciando a escassez de professores e turmas lotadas. O governo Macron enfrenta pressão em meio a acusações de violência policial. Uma leitura essencial para entender a crise. Este resumo foi útil?
A ativista sueca Greta Thunberg engrossou os protestos de estudantes franceses nesta terça-feira, 13, ao visitar Paris em mais um dia de demonstrações em todo o território nacional. Há mais de três semanas, alunos inundaram as ruas e bloquearam escolas contra a escassez crônica de professores, turmas superlotadas e problemas estruturais graves nos colégios, um movimento que rapidamente ganhou reforços de professores, sindicatos, universitários, agricultores — e só faz crescer.
“Os jovens não estão sendo incluídos na conversa”, declarou Greta em frente ao liceu Paul Éluard, no subúrbio parisiense de Saint-Denis, fechado pelos alunos. “Nosso futuro está sendo roubado de nós e, como vimos aqui, as escolas não estão recebendo os investimentos de que precisam”, completou, enquanto advogados de toga formavam uma corrente humana para proteger os jovens após múltiplas denúncias de violência policial.
A sueca ganhou fama ainda criança, quando liderou o movimento Fridays For Future (FFF), em que estudantes ao redor do mundo deixaram de ir às aulas às sextas-feiras para protestar e exigir que lideranças políticas adotassem medidas urgentes contra as mudanças climáticas. Agora aos 23 anos, Greta se juntou ao movimento estudantil que demanda investimentos públicos urgentes na educação, pressionando o governo do presidente Emmanuel Macron, que tenta cortar gastos para reduzir o preocupante déficit da França.
Na semana passada, manifestações levaram mais de 260 mil pessoas às ruas na terça-feira e outras 75 mil na quinta-feira. A previsão é que cenas semelhantes se repitam nesta terça, 13, em várias grandes cidades francesas, incluindo a capital. Além de 200 das 3.700 escolas do país terem fechado, de Paris a Marselha, 90% das universidades aderiram ao protesto.
“Eles não estão nos ouvindo, então nós vamos até eles”, publicou nas redes sociais o sindicato estudantil universitário UE.
Havia expectativa entre autoridades francesas de que o movimento arrefecesse durante as duas semanas de recesso escolar que começam no último final de semana. O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou que mobilizaria 3 mil professores substitutos em escolas onde a escassez de funcionários é mais crítica, em vitória para os estudantes. No entanto, não foi suficiente.
Na segunda-feira 12, o presidente Macron pediu moderação, afirmando que as principais demandas estudantis são questões que “exigem tempo, consultas, discussão e respeito” para serem solucionadas.
Desde o início das manifestações, mais de 6.800 pessoas — em sua maioria menores de idade — foram detidas. Segundo o Ministério da Justiça francês, cerca de 1.500 pessoas estão sendo processadas, enquanto 24 denúncias de violência policial contra manifestantes estão sob investigação. Mais de 200 adolescentes, 100 funcionários de escolas e 700 policiais ficaram feridos.
Um adolescente perdeu a mão devido a uma granada de efeito moral disparada pela polícia — o que levou o governo a proibir o uso desses artefatos nos protestos —, enquanto outro perdeu a visão de um olho e um terceiro perdeu vários dentes (os dois foram atingidos por bombas de gás lacrimogêneo disparadas à queima-roupa).
Grupos de defesa de direitos e estudantes acusaram a polícia de uso desproporcional da força. A seis meses de uma eleição presidencial decisiva para escolher o sucessor de Macron, políticos rivais disputam espaço para tirar proveito político dos protestos.
A líder da extrema direita e favorita nas pesquisas, Marine Le Pen, destacou os danos causados às escolas e defendeu que os pais arquem com os custos dos reparos, ao passo que seu oponente da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, elogiou os manifestantes, classificando-os como “incríveis”, e condenou a violência policial.
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