Não temos lado — Artigo
Não importa se a notícia envolve a esquerda, a direita, o centro, um governante, um parlamentar, um empresário ou qualquer cidadão: os critérios de apuração dev

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Consulte formatos e valores disponíveisEm uma sociedade marcada pela polarização política, o exercício do jornalismo exige ainda mais rigor, independência e compromisso com a imparcialidade. Não importa se a notícia envolve a esquerda, a direita, o centro, um governante, um parlamentar, um empresário ou qualquer cidadão: os critérios de apuração devem ser os mesmos.
A notícia não pode ser moldada para agradar a quem governa, favorecer quem faz oposição ou atender aos interesses de grupos econômicos e políticos. Quando isso acontece, o interesse público cede espaço à conveniência particular, e a informação corre o risco de se transformar em instrumento de propaganda.
Isso não significa que o jornalismo deva ser neutro diante de fatos comprovados, ilegalidades ou violações de direitos. Significa que toda afirmação precisa estar sustentada em evidências, documentos, fontes confiáveis e critérios profissionais. Denúncias devem ser investigadas; acusações precisam ser atribuídas; versões conflitantes devem ser confrontadas; e erros, quando identificados, precisam ser corrigidos.
A imparcialidade não exige silêncio diante de uma irregularidade. Exige que a irregularidade seja demonstrada, e não presumida. Não significa dar o mesmo peso a uma informação comprovada e a uma alegação sem evidências. Significa aplicar critérios rigorosos, independentemente de quem esteja sob escrutínio.
A Constituição Federal assegura, em seu artigo 5º, inciso IX, a liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença. O artigo 220 protege a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação..
Essas liberdades são essenciais à democracia, mas o exercício do jornalismo também pressupõe responsabilidade. A liberdade de informar não autoriza a fabricação de fatos, assim como a crítica jornalística não pode ser confundida com perseguição pessoal.
O compromisso com o direito significa respeitar a presunção de inocência, a honra, a imagem, o contraditório e a ampla defesa, sem abrir mão da fiscalização dos atos públicos e da investigação de assuntos de interesse coletivo.
A lei não deve ser aplicada conforme a preferência política de quem noticia. Os princípios constitucionais e os critérios de apuração precisam orientar a cobertura de todos os personagens, sem privilégios ou perseguições.
O leitor tem o direito de saber quem está por trás de uma decisão pública, como o dinheiro público é utilizado, quais interesses estão envolvidos em determinada medida e quais consequências uma ação pode produzir na vida da população.
Esse trabalho exige independência editorial, fontes verificáveis, transparência e disposição para corrigir eventuais falhas. Exige também reconhecer que opinião e notícia são gêneros diferentes: o editorial expressa uma posição institucional, enquanto a reportagem deve apresentar os fatos com rigor, contexto e atribuição adequada das informações.
O jornalismo não deve determinar em quem o cidadão precisa votar, de qual partido deve gostar ou qual ideologia deve seguir. Sua missão é fornecer informação confiável para que cada pessoa possa decidir livremente.
É justamente por isso que a imprensa precisa manter distância dos interesses que pretende fiscalizar. A proximidade excessiva com o poder compromete a independência; a hostilidade automática contra determinados grupos também compromete a qualidade da apuração.
Não se trata de agradar a todos. Trata-se de não abandonar os princípios profissionais para agradar a alguém.
“Havendo fatos, cabe a notícia; diante de suspeitas, a investigação; identificados indícios, a apuração pelos meios legais; e, mesmo diante de eventual condenação, deve-se preservar o direito à informação responsável, respeitando o contraditório e a ampla defesa nos limites legais.”
Essa é a linha que deve orientar o exercício profissional: noticiar o que está comprovado, investigar o que ainda precisa ser esclarecido e tratar acusações com responsabilidade. Indícios devem ser examinados pelas autoridades competentes, sem antecipar conclusões ou apresentar suspeitas como provas definitivas.
O direito à informação e o direito de defesa não são incompatíveis. São garantias que precisam coexistir em uma sociedade democrática. A imprensa deve fiscalizar, questionar e investigar, mas também deve distinguir fatos, alegações, decisões judiciais e opiniões.
Conforme apuração dos redatores da Empire Cidades do Estado SC, defendemos um jornalismo comprometido com os fatos, a transparência, a responsabilidade e o interesse público. Isso significa questionar autoridades quando necessário, reconhecer ações devidamente comprovadas e tratar denúncias com a seriedade que merecem.
Não fazemos da preferência partidária um critério de publicação. Não transformamos divergência política em motivo para desqualificar pessoas. E não confundimos liberdade de expressão com licença para divulgar informações sem comprovação.
A credibilidade de um veículo de comunicação não nasce de sua capacidade de agradar a uma multidão, mas da confiança construída pela consistência de seu trabalho.
Em tempos de polarização, o jornalismo precisa reafirmar sua razão de existir: fiscalizar o poder, revelar fatos de interesse público, respeitar os direitos fundamentais e servir à sociedade.
Não temos lado partidário. Temos um compromisso profissional. Nosso lado é o dos fatos apurados, da Constituição, da legalidade e do direito.
Porque a informação responsável não pertence a um partido, a uma ideologia ou a um governante. Pertence à sociedade.
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