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Mensagens extraídas do celular de Cariani indicam amizade com policial na tentativa de frear analisação, diz MP

Reprodução/Instagram; e reprodução/TV Globo O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou, nas alegações finais do processo em que pede a condenação de Rena

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 06:00
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Mensagens extraídas do celular de Cariani indicam amizade com policial na tentativa de frear analisação, diz MP
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Renato Cariani é dono da empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande SP, alvo da Operação Hinsberg em dezembro de 2023. — Foto: Reprodução/Instagram; e reprodução/TV Globo

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) afirmou, nas alegações finais do processo em que pede a condenação de Renato Cariani, que mensagens extraídas do celular do influenciador indicam que ele manteve conversas com um policial civil enquanto acompanhava uma investigação anterior sobre sua indústria química.

Segundo o MP, o policial André Dziuba atuou para conter o avanço dessa apuração a pedido de Cariani. O g1 questionou a Secretaria da Segurança Pública (SSP), mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

De acordo com o documento, Cariani recebia informações privilegiadas sobre diligências, buscava detalhes sobre o inquérito e aparecia em conversas sobre o encerramento do caso.

🔎 As alegações finais são a última manifestação do Ministério Público antes da sentença em um processo criminal. O MP denunciou Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.

No documento, os promotores afirmam que a análise do celular de Cariani tem “especial relevância” porque, além de reforçar a acusação principal, indicaria uma atuação dele sobre uma investigação anterior da Polícia Civil que apurava operações ligadas à farmac AstraZeneca.

Mais adiante, o MP afirma que Cariani “atuou de forma contínua para proteger a associação voltada ao fornecimento de insumos ao tráfico” e que “acompanhou de perto” o inquérito da Polícia Civil.

Além dele, o MP também pediu a condenação de Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Já em relação a Roseli Dorth e Andreia Domingues Ferreira, citados em outros documentos, a Promotoria pediu a absolvição por entender que não há provas suficientes para condená-las.

Em nota enviada conforme apuração dos redatores da Empire Cidades, a defesa de Cariani afirmou que o pedido de condenação “não representa nenhuma surpresa” e que vai demonstrar, “com base na prova produzida ao longo da instrução”, que as teses da acusação “são improcedentes”.

A apuração anterior mencionada pela Promotoria é um Inquérito Policial conduzido pela Polícia Civil e que, segundo o documento, tramitou na 2ª Vara Criminal de Diadema, e foi arquivado em 2023.

O MP afirma que esse arquivamento foi usado pela defesa como argumento a favor da inocência de Cariani, mas sustenta que o promotor do caso não tinha conhecimento das mensagens extraídas do celular.

Quando o policial informa sobre o encerramento do inquérito, os dois comemoram. Segundo o documento, o policial fala "Acabou, meu. É só tomar uma". Cariani ri e responde "Obrigado, Dezao! Bora tomar uma então?". O policial responde "Foi relatado em 19/01/2023 e arquivado":

Segundo o MP, um dos interlocutores de Cariani era o policial civil André Dziuba, descrito no memorial como servidor “vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos”.

A promotoria afirma que as mensagens revelam uma relação de proximidade entre os dois e que o policial recorria a Cariani para obter informações técnicas e comerciais ligadas a fiscalizações. Do outro lado, segundo o documento, o influenciador recebia informações sobre diligências, opinava sobre situações fiscalizadas e até sugeria empresas que poderiam ser alvo de verificação.

Para os promotores, isso mostra que ele “atuava não somente para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”.

As alegações citam mensagens de 2021 em que o policial tratava diretamente com Cariani sobre a necessidade de ele ser ouvido naquele inquérito. A grafia das mensagens está mantida como foram enviadas pelos autores.

“Me fala uma coisa, me fala quando você vai estar com os meus suplementos aí na empresa e outra coisa, o escrivão precisa te ouvir naquele inquérito da AstraZeneca, mas isso nos vamos fazer ao seu tempo, não tem pressa".

Em dezembro o tema foi retomado, e o policial teria perguntado como Cariani queria proceder em relação à oitiva e dito: “Se não der para você, deixa para outro dia, f... o escrivão”.

Para a Promotoria, esse conjunto de mensagens sugere interlocução fora do padrão entre investigado e agente vinculado à apuração.

Em 6 de julho de 2022, de acordo com o documento, o policial pediu a Cariani que verificasse placas relacionadas a um caso da AstraZeneca. O memorial diz que, na mesma conversa, o influenciador perguntou se o inquérito ainda não tinha sido encerrado.

🔎 Segundo o MP, os réus faziam vendas em nome da AstraZeneca; a farmacêutica nega ter realizado as transações.

“Então, creio que está tudo tranquilo, só vamos tentar localizar os veículos que fizeram a retirada e intimar os proprietários deles, mas acho que não vamos chegar a lugar algum. Só não acabou ainda por causa desses detalhes [...] Mas relaxa que estamos de olho e orientado o escrivão”.

Outro trecho citado pelo MP nas alegações finais aparece em conversa de 1º de setembro de 2022, em que Cariani pergunta novamente se o inquérito não seria encerrado. O policial então respondeu:

“Vai sim, o delegado emitiu uma ordem de serviço para identificar os carros que retiraram a mercadoria, mas como não conseguimos identificar as placas e as pesquisas que fizemos deu uns carros velhos. Assim fizemos um relatório induzindo o delegado a não fazer mais nada”.

Para o Ministério Público, esse diálogo sustenta a tese de que houve atuação para reduzir o fôlego da investigação.

“Fica evidente aqui a razão pela qual o inquérito policial na Polícia Civil foi arquivado, sendo um dos argumentos suscitados pela defesa de Renato”, escreveram os promotores.

Outro episódio descrito pelo MP ocorreu em 27 de janeiro de 2023. Segundo o documento, um interlocutor pediu a Cariani o número do inquérito, afirmando precisar da informação para “arquivar aquilo”.

“Eu preciso do número do IP, tá? Daquele que precisa ser arquivado, eu tô com a pessoa aqui agora, tá? Eu preciso do número do IP pra gente já arquivar aquilo”.

Segundo o MP, Cariani então procurou o policial civil para obter os dados do procedimento. O policial enviou o número do inquérito e informou que o caso estava encerrado. A Promotoria afirma que Cariani repassou essas informações ao interlocutor e que, na sequência, recebeu a resposta: “Tudo em andamento”.

Além das conversas sobre o andamento da investigação, o MP também destacou mensagens que, segundo o órgão, mostram conhecimento de Cariani sobre o uso de insumos químicos em drogas. Em uma troca de 11 de abril de 2019, segundo o memorial, o policial perguntou se determinada substância seria controlada pela Anvisa. A resposta atribuída a Cariani foi:

“É sim Andrezão... Controlado pela ANVISA e utilizado para aumentar o rendimento da cocaína".

Na quarta-feira (21), o MP apresentou suas alegações finais e pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani pelos crimes de associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de drogas e lavagem de dinheiro.

Em caso de condenação, a pena de Cariani pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Atualmente, ele responde ao processo em liberdade.

O influenciador é suspeito de participar de um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas, especialmente crack e cocaína; Ele foi indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023; E a Justiça tornou Cariani réu no processo em fevereiro de 2024.

Além de Cariani, a promotoria pede a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Além de ser responsável pela venda dos produtos químicos, Fábio é apontado como intermediador no fornecimento das substâncias, sendo o elo entre a empresa e os compradores de crack e cocaína.

Já Rodrigo, segundo o documento, exerceria funções relacionadas à movimentação e circulação de recursos ilícitos, "realizando depósitos em espécie e promovendo operações para dar aparência de licitude ao produto dos crimes".

O advogado criminalista Anderson Almeida explicou que, se a Justiça aceitar integralmente o pedido do Ministério Público, cada réu poderá receber uma pena de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão, além de multas.

O cálculo considera a possível condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos para a fabricação de drogas e 59 crimes de lavagem de dinheiro; A pena final também depende do reconhecimento de que os crimes de tráfico de insumos e lavagem de dinheiro teriam sido cometidos em uma sequência de infrações relacionadas.

Almeida apontou que o cálculo considera o aumento de dois terços da pena pela continuidade delitiva, conforme a Súmula 659 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ressaltou que o limite de cumprimento de pena é de 40 anos, independentemente da soma das penas aplicadas na condenação.

Com mais de 11 milhões de seguidores no Instagram, Cariani foi um dos alvos da Operação Hinsberg, que em dezembro de 2023 desmontou um esquema que desviava produtos químicos para produção de drogas.

Na época, a Polícia Federal apontou que uma empresa da qual Cariani era sócio fraudava a venda de insumos a empresas farmacêuticas, e que o material era desviado para o refino de cocaína. O nome da empresa é Anidrol Produtos para Laboratórios, sediada em Diadema, na Grande São Paulo.

Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), por 59 vezes a empresa de Renato Cariani simulou a venda de produtos para empresas que não tinham pedido os produtos e ele mesmo simulou pedidos fictícios para justificar os desvios.

O MP também pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.

Segundo o Gaeco, mensagens extraídas do celular de Cariani indicam que ele mantinha uma relação muito próxima com o policial civil Anadré Dziuba, vinculado à área de controle e fiscalização de produtos químicos usados para refino de drogas.

Renato recebia informações acerca de diligências realizadas pelo policial, opinava sobre determinadas situações e chegava a indicar ou sugerir empresas que poderiam ser objeto de fiscalização, fato que, segundo o Gaeco, “evidencia que ele atuava para proteger a associação para o tráfico, como também para prejudicar eventuais concorrentes que vendiam produtos químicos”.

“As conversas revelam que Renato tinha absoluta ciência do emprego dos insumos químicos no preparo de droga. Em 11/04/2019, consultado pelo policial civil sobre o controle de determinada substância, respondeu que ela era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”, diz o Gaeco.

“As mensagens do celular de Renato exteriorizam que ele sabia do controle pífio das retiradas da própria empresa”, argumentam os promotores.

Por meio de nota, o advogado Aldo Romani Netto, que representa Cariani, diz “receber com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público”.

“Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa. O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes”, disse Romani.

“Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, declarou.

O g1 também tenta contato com a defesa de Fábio Spínola Mota e Rodrigo Gomes Pereira.

Apesar de pedir a condenação dos três réus, o Gaeco pediu à Justiça a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol, e Andréia Domingues Ferreira, que também foram citadas nas investigações da Polícia Federal.

#São Paulo#Belém#Polícia#Justiça
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