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Lago Sul ganhou 3,4 mil árvores em 2 anos; Recanto, só 8 — Racismo ambiental

Padrão se repete em outras regiões

Por Redatores da Empire Cidades 30 de outubro de 2026 às 06:15
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Lago Sul ganhou 3,4 mil árvores em 2 anos; Recanto, só 8 — Racismo ambiental
Foto: Divulgação / Redação Empire Cidades
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Google Earth Em dois anos, a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) realizou o plantio de apenas 8 novas árvores na região do Recanto das Emas. Em contrapartida, o Lago Sul recebeu, no mesmo período, 3.400 plantios.

No comparativo do tamanho da populacional das duas regiões administrativas, a população do Recanto das Emas é cerca de 74% maior que a do Lago Sul. A diferença chega a 78.649 pessoas de uma para outra. Na prática, isso quer dizer que o Lago teve 124,94 plantios a cada 1.000 habitantes, enquanto o Recanto teve menos de 1 plantio a cada 1.000 moradores.

Os dados obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que a discrepância entre as duas cidades não é exclusivo. Ceilândia, mesmo sendo a maior RA do Distrito Federal, teve 335% menos plantios do que o Plano Piloto, que recebeu 11.693 contra 2.668.

A cada 1.000 moradores, são elas: Gama, Água Quente, Santa Maria e Recanto das Emas. As regiões receberam, respectivamente, 63, 5, 18 e 8. Para o mestre em planejamento urbano e sociólogo, Raphael Sebba, na capital federal, “árvore é um indicador de renda e de raça”.

“Essa diferença de arborização é um sinal de desigualdade socioespacial no DF. O Brasil como um todo tem uma interseção muito grande entre a questão racial e a questão social, a questão de classe. Aqui no Distrito Federal não é diferente. E conectado a esses aspectos, você tem uma dimensão espacial da organização urbana”, disse.

“Populações majoritariamente negras também são populações majoritariamente de menor renda. Nos espaço urbanos são populações que ocupam as periferias, regiões com menos infraestrutura em geral, com menos infraestrutura verde e com menos arborização”, explicou Sebba.

De acordo com o mestre, a distribuição desigual se relaciona diretamente ao racismo ambiental — tratamento diferente dado a cada região de acordo com o perfil populacional. “O sol bate do mesmo jeito na cidade inteira, a chuva cai na cidade inteira, mas a forma como os fenômenos do clima e do tempo afetam as populações dependem de infraestrutura. Se você está num lugar coberto, você não vai se molhar. Se você está em um local que tem drenagem, a sua casa não vai alagar. Se você está em um local que é bem arborizado, que tem parques, refúgios climáticos, o efeito das ondas de calor serão menores”. detalha o especialista.

“E quando a gente pensa a priorização do poder público, a gente consegue observar um padrão muito direto em relação ao perfil da população e os locais que recebem mais atenção em relação aos fenômenos do meio ambiente “.

De acordo com a Novacap, a distribuição de plantios por região é “estritamente” correlato à disponibilidade física das cidades, com o espaçamento mínimo de 6m x 6m entre mudas.

“Assim, a meta total por região é estritamente correlata à disponibilidade física das áreas validadas e à capacidade do programa. O volume de execução do planejamento de plantio em todas as RA é totalmente correlato à disponibilidade financeira e orçamentária do período correspondente, sendo o Programa Anual de Arborização Urbana a nossa ferramenta atual para nortear e executar esses serviços”, disse a companhia, em nota.

Segundo os dados obtidos via LAI, apenas em 2024 foram investidos mais de R$ 6 milhões e meio apenas em arborização. De 2024 a 2026, o montante já chega a R$ 13.130.000.

A companhia informou, ainda, que no Distrito Federal há regiões que foram “planejadas desde sua origem, com áreas públicas reservadas para arborização” e outras que foram feitas de forma irregular, o que limita a realização dos plantios.

“É importante destacar que o Distrito Federal possui realidades urbanas distintas. Existem regiões planejadas desde sua origem, com áreas públicas reservadas para arborização, e outras que surgiram de forma não planejada ou passaram por processos de ocupação irregular ao longo dos anos. Nesses casos, muitas vezes há limitações físicas para a realização de plantios, como ausência de canteiros, calçadas inadequadas, ocupação irregular de áreas públicas, redes de infraestrutura subterrânea e conflitos com edificações”, informaram.

Segundo Raphael Sebba, cidades que receberam baixa distribuição de árvores também são fruto de planejamento, são elas Santa Maria, Recanto, Gama, Ceilândia, Samambaia. Ainda de acordo com o especialista, “não existe uma correlação entre planejamento ou falta de planejamento na origem da cidade e arborização urbana”, uma vez que o Jardim Botânico não foi planejado e tem arborização e enquanto as que foram não possuem a mesma proposta de florestamento.

“Então, era possível e é possível ainda fazer adaptação de infraestrutura para garantir soluções adequadas para cada contexto. É evidente que espaço é necessário para você ter uma grande quantidade de árvores, mas mesmo com pouco espaço é possível ter soluções adequadas que permitam permeabilidade de água, evapotranspiração, redução das ondas de calor. E é isso que um trabalho técnico deve fazer. Ele deve olhar a realidade, olhar a cidade e pensar soluções. É curioso falar que cidades que não recebem arborização são fruto de ocupação irregular”, explicou

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