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Flávio virou "favorito vulnerável" e eleição está aberta; Vídeo — Lavareda

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Metrópoles 19 de outubro de 2026 às 22:33
Via Metrópoles
Flávio virou "favorito vulnerável" e eleição está aberta; Vídeo — Lavareda
Foto: Foto: Metrópoles
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Reprodução / Internet Flávio Bolsonaro continua favorito, mas já não tem a vantagem que levou o cientista político Antônio Lavareda a estimar suas chances de vitória em 70% no início do segundo turno. Em entrevista ao programa Agora Metrópoles, conduzida por este colunista e pela jornalista Natália André, Lavareda afirmou que a reação da campanha de Lula nas redes sociais e nas ruas mudou a disputa: o senador passou de “favorito absoluto” a “favorito vulnerável” .

Para Lavareda, Flávio conserva duas vantagens: terminou o primeiro turno na liderança e tem um eleitorado com maior disposição para comparecer às urnas. Lula, por sua vez, precisa combater a abstenção e sustentar a reação. A pesquisa Nexus divulgada nesta segunda-feira (19/10) apontou uma distância de 0,6 ponto entre os candidatos na intenção de voto estimulada e empate numérico na espontânea.

Sobre o debate de domingo (18/10), Lavareda disse que ainda é preciso esperar as pesquisas para saber quem ganhou. Para ele, porém, já é possível apontar quem perdeu: o eleitor, que assistiu a um confronto semelhante a “uma rinha de galo”, sem esclarecimentos sobre as propostas dos candidatos.

Coluna — O que o senhor achou do debate? Minha avaliação é que o presidente Lula ganhou, e a enquete do programa também aponta isso. Mas quem entende do riscado é o senhor. Quem ganhou o debate de ontem?

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Antônio Lavareda — As próximas pesquisas vão ajudar a responder essa questão. Hoje há alguns levantamentos, sobretudo qualitativos. Como costumo dizer, pesquisas quantitativas são números sem juízo, e qualitativas são juízos sem números. Precisamos aguardar. As qualitativas já indicam hipóteses de desgaste ou de ganho de crédito de cada candidato. Agora, as quantitativas vão dizer se houve de fato deslocamentos associados ao debate, ou se o movimento se deve às redes sociais, a um processo que já vinha da semana anterior ou às manifestações de rua.

Mas respondo diretamente: não sei, neste momento, quem ganhou o debate. Sei quem perdeu. Quem perdeu, em grande medida, foi o espectador, o público. Fui eu, por exemplo, que assisti ao debate e não vi praticamente nenhuma proposta, nenhum esclarecimento sobre as diferenças entre as políticas públicas dos dois candidatos. O debate parecia uma luta de MMA ou, para ficar nos trópicos, uma rinha de galo. Aliás, lembrei a uma amiga ontem à noite que isso agradaria ao Duda Mendonça, o famoso marqueteiro político, que adorava brigas de galo.

Coluna — Duda Mendonça foi marqueteiro do presidente Lula na campanha em que ele conquistou o primeiro mandato. Falando da sua pesquisa, divulgada no sábado: Flávio tem 51,2% dos votos válidos no segundo turno, e Lula, 48,8%, segundo o levantamento Ipespe/Abrapel. Como o senhor vê esse resultado? Nos dias finais as coisas se movimentam muito no eleitorado: os indecisos tomam sua decisão, e há a questão da abstenção. Essa diferença pode ser revertida? Flávio Bolsonaro saiu na frente no primeiro turno e continua na frente, como mostra a sua pesquisa. Vale lembrar que na sexta-feira houve a entrevista de Roberta Luchsinger, que pode ainda não aparecer na pesquisa. No fim de semana houve manifestações da esquerda e também da direita e, no domingo, o debate. Os reflexos desses acontecimentos devem aparecer nos próximos dias. Faltam seis dias para o segundo turno, e tudo pode acontecer em se tratando de Brasil.

Antônio Lavareda — É um ótimo adendo, e eu mesmo ia chamar a atenção para isso. Nossa pesquisa foi feita em parceria entre o Ipespe e a Abrapel, a Associação Brasileira dos Pesquisadores Eleitorais. Ela foi divulgada no sábado, mas o trabalho de campo terminou na quinta-feira ao meio-dia. Ou seja, não captou o efeito das entrevistas dos dois candidatos, a de Lula na quinta e a de Flávio na sexta. Também não captou a entrevista de Roberta Luchsinger, as grandes manifestações da campanha de Lula em todo o país, a grande manifestação de Flávio na Avenida Paulista, em São Paulo, e, obviamente, o debate.

Por isso disse que teremos uma sinalização melhor nas pesquisas de quarta-feira, que já vão pegar os primeiros efeitos do debate. Agora, sem considerar o debate, a pesquisa Nexus divulgada hoje, realizada na sexta, no sábado e no domingo, já captou as entrevistas dos candidatos, a de Roberta Luchsinger e boa parte das manifestações.

Nossa pesquisa tinha mostrado uma diferença de 2,4 pontos. A Nexus de hoje mostra uma diferença de 0,6 ponto na estimulada. Na espontânea, aparece algo que ocorre muito raramente: empate numérico até a casa decimal, 44,5% a 44,5%. A Nexus mostra que o movimento da campanha do presidente Lula, iniciado na semana passada, avançou. A diferença, que era de 2,4 pontos na nossa pesquisa, caiu para 0,6. Comparo essas duas pesquisas porque ambas são telefônicas e usam metodologias semelhantes.

Coluna — Desde a redemocratização, nenhum candidato a presidente que saiu atrás conseguiu virar no segundo turno. Tenho dito que, se alguém é capaz disso, é o presidente Lula, o político mais experiente da América Latina e o mais popular da esquerda no continente. No debate de ontem, achei que ele foi bem em vários momentos. Na sua visão, há caminho para essa virada e a eleição está indefinida, ou é muito difícil que Lula consiga esse feito inédito?

Antônio Lavareda — O segundo turno tem três semanas, e vamos dividi-lo assim, porque foi assim que o cronograma foi estabelecido. Na primeira semana, e eu disse isso em entrevistas na segunda-feira, Flávio Bolsonaro era o favorito. Praticamente não havia chance para a campanha do presidente Lula. Com rigor, as chances de vitória eram de cerca de 70% para Flávio e 30% para Lula.

O que aconteceu? Houve uma reação surpreendente da campanha de Lula em duas frentes. A primeira foram as redes sociais, onde as forças de esquerda, o governo Lula e a própria campanha no primeiro turno tinham um déficit histórico. A campanha reagiu, e há levantamentos que mostram que, em diversos momentos, ela teve mais interações e mais engajamento. No WhatsApp, o “exército do Lula” começou com algumas dezenas de milhares de pessoas e hoje tem mais de 5 milhões de inscritos no canal.

A segunda frente foram as manifestações de rua, outra surpresa. Há muitos anos a esquerda, os progressistas, não conseguiam fazer grandes manifestações e ocupar as ruas. As ruas tinham se tornado praticamente monopólio da direita, mais especificamente do bolsonarismo. De repente, vimos dezenas, centenas de milhares de brasileiros no fim de semana passado, em 145 manifestações em 72 cidades do país. Isso tem um grande efeito de demonstração.

Junto a isso, e na esteira disso, as intenções de voto do presidente de fato se mexeram. Na semana passada, a correlação de forças chegou a uma situação que chamei assim: Flávio deixou de ser o favorito absoluto para se tornar um favorito vulnerável. É nessa condição que ele começa a terceira semana. Ainda é o favorito, lidera, e essa liderança é importante. Ele tem duas vantagens estruturais em relação ao presidente Lula. Primeiro, saiu do primeiro turno na liderança, e vocês já mencionaram a vantagem que essa largada dá a um competidor. Segundo, e mais importante, ele tem um diferencial positivo de comparecimento em relação a Lula.

As curvas de intenção de voto já se encontraram na espontânea, segundo a Nexus, e estão muito próximas na estimulada, com diferença de 0,6 ponto. Flávio continua favorito, mas vulnerável. Vamos ver o que acontece nestes cinco dias, sobretudo os efeitos do debate de ontem, que teve uma audiência enorme na televisão, nas redes sociais e nos canais de internet.

Coluna – É muito interessante esse conceito de que o senador Flávio Bolsonaro passou, em pouco tempo, o intervalo entre o primeiro e o segundo turno, de favorito absoluto a favorito vulnerável. Isso mostra o quanto a eleição, por incrível que pareça, está aberta a seis dias da votação. As pesquisas também vêm mostrando uma tendência de melhora na avaliação do governo Lula, que pode ser resultado dessas movimentações nas ruas e nas redes sociais. Primeiro vieram os vídeos de deepfake do presidente Lula dançando e com o rosto dele em vídeos icônicos. Depois, principalmente, o “exército do Lula”, com o trabalho impressionante de Janones nas redes. E há a rejeição a Flávio Bolsonaro, que apareceu crescendo em algumas pesquisas…

Antônio Lavareda — Exatamente. Como sabemos, o segundo turno é uma eleição de rejeição. Perde o candidato que chegar ao momento final mais rejeitado pela maioria dos eleitores. A campanha do presidente Lula precisa estar atenta a duas frentes. Uma é a abstenção, porque Lula é o candidato prejudicado pelo diferencial de comparecimento, o que é natural, dada a concentração de seus eleitores na base da pirâmide. A outra é continuar avançando. Já a candidatura de Flávio precisa manter a liderança e evitar que, nestes últimos dias, surjam ou ganhem força dúvidas sobre a manutenção dos programas sociais.

A pesquisa Nexus de hoje traz um dado importante. Entre os eleitores de Flávio que defendem o fim da escala 6×1, 15% dizem que poderiam abandonar a candidatura se tiverem dúvidas consolidadas sobre o compromisso do senador com a manutenção da PEC que extinguiu a 6×1. Quantos eleitores de Flávio são favoráveis ao fim da 6×1? 40%. Quinze por cento de 40% dá 6% do total. Por isso Flávio defendeu ontem o fim da 6×1: se não o fizesse, arriscaria perder 6 pontos percentuais de seus eleitores, o que mudaria completamente o jogo às vésperas do segundo turno.

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