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Flávio Bolsonaro ataca Lula e traz projeto vago sobre ajuste fiscal que promete fazer — Análise

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por Exame 17 de outubro de 2026 às 02:40
Via Exame
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Análise: Flávio Bolsonaro ataca Lula e traz projeto vago sobre ajuste fiscal que promete fazer Em sabatina da TV Globo, candidato demonstrou confiança e citou o adversário mais de 25 vezes em pouco mais de 40 minutos O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, em sabatina na TV Globo (Manoella Mello/Globo/Divulgação)

Publicado em 16 de outubro de 2026 às 23h21 .

Priorizar nos meus resultados Google O senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , chegou à sabatina da TV Globo nesta sexta-feira, 16, com uma missão clara: atacar seu adversário, o petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição. E executou a estratégia à risca. Em pouco mais de 40 minutos, citou Lula mais de 25 vezes , sempre buscando desmontar quaisquer feitos de seu governo.

A tática marca uma diferença muito significativa da sabatina do petista na quinta, 15. Na ocasião, Lula não mencionou seu nome e o qualificou como "meu adversário".

Em todos os assuntos que pôde, o parlamentar do PL buscou fazer um contraponto com o atual presidente, ampliando uma narrativa de oposição à sua candidatura e num claro gesto de capturar a rejeição ao petista a seu favor .

Do ponto de vista imagético, Flávio foi bem: se mostrou seguro, eloquente, olhos para as câmeras e com disposição. Em alguns momentos, demonstrou confiança e brincou ao ser admoestado pela entrevistadora, Renata Lo Prete, por ter fugido a uma pergunta. "Falei algumas coisinhas a mais", disse, rindo.

"Para o desespero de quem achou que ia acabar com o bolsonarismo, está aqui Flávio Bolsonaro, que em nome de Jesus será o próximo Presidente da República", afirmou em determinado momento.

Lo Prete até tentou desarmar algumas narrativas, mas esbarrou em um candidato preparado para tergiversar, mudar de assunto e, quase sempre, atacar seu adversário quando sentia que as perguntas não caminhavam para o que ele queria comunicar.

Um dos pontos que o senador teve de explicar foi o ajuste fiscal que pretende fazer. Sua equipe promete cortes da ordem de R$ 200 bilhões e uma reorientação das curvas futuras de juros.

As medidas, segundo o consenso dos economistas, dificilmente serão atingidas sem uma mudança na regra de aumento real e da indexação do salário mínimo em benefícios sociais e nas mudanças das regras dos pisos constitucionais da saúde e da educação.

Flávio, por sua vez, trouxe um cardápio de medidas que não convencem. Falou em cortes, como em ministérios (ele até buscou fazer uma profilaxia ao dizer que não seria significativo), em uma eventual diminuição da corrupção e em melhor gestão de estatais que, segundo ele, poderiam preencher uma lacuna de R$ 54 bilhões se repetissem os resultados da gestão de seu pai.

"O maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula", afirmou.

Não houve palavra ao salário mínimo e o candidato tornou a repetir que não fará o "ajuste fiscal em cima do pobre".

No lado das receitas, Flávio falou em ampliar a arrecadação ao vender imóveis da União, uma medida amplamente propalada pelo governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e que não surtiu o efeito esperado. Citou uma agenda para securitizar dívidas, um potencial próximo de R$ 200 bilhões, segundo ele.

Também citou um possível aumento de receitas vindas da exploração de petróleo na Margem Equatorial -- ideia rechaçada por Lo Prete, que esclareceu que essa exploração só ocorreria em 2033, segundo a própria petroleira.

De maneira geral, o candidato segue na promessa de um ajuste fiscal -- necessário, diga-se -- sem indicar claramente de onde viriam os cortes e as receitas para tal.

Do ponto de vista de anúncios mais claros, Flávio negou que seu irmão , o ex-deputado federal condenado pelo Supremo Tribunal Federal, Eduardo Bolsonaro, vá assumir o cargo de chanceler caso vença as eleições no domingo, 25.

Foi um esclarecimento relevante diante de boatos de que ele poderia assumir a função, uma das mais importantes da Esplanada dos Ministérios. Flávio disse, porém, que ele é um perseguido da Justiça brasileira.

Quando perguntado se o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado, poderia assumir algum cargo em um eventual governo, desconversou. "Não está no radar", disse, em uma declaração calculada.

Ele aproveitou para afirmar que o pai foi condenado em uma "farsa", em referência ao julgamento do STF sobre tentativa de golpe de Estado que culminou na prisão de Jair Bolsonaro e outras 27 pessoas, além de centenas de pessoas envolvidas na depredação de prédios públicos em Brasília no 8 de janeiro de 2023.

O senador também voltou a defender sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cujas conversas de WhatsApp seguem a desmoralizar a República. No caso do filme Dark Horse, Flávio insistiu que apresentou toda a contabilidade da obra, o que não é verdade. Ele é investigado pela Polícia Federal no caso.

E defendeu novamente se tratar de uma relação privada.

"A diferença é devida a um contrato, que não foi cumprido, com os recursos aportados por ele (Vorcaro) e outros investidores conseguimos concluir o filme. Uma relação privada, um dinheiro totalmente lícito", afirmou, citando na sequência um contrato de Vorcaro e o apresentador da Globo, Luciano Huck.

Em outros temas, Flávio repetiu sua narrativa corrente e reafirmou um compromisso linha dura contra o crime. Ele prometeu classificar CV, PCC e milícias como narcoterroristas e intensificar o combate ao tráfico na Tríplice Fronteira

"O Brasil vai fazer parte do Escudo das Américas”, afirmou Flávio, ao defender uma aproximação com os Estados Unidos e com o presidente Donald Trump na área de segurança pública.

“O Porto de Santos, mais um recorde negativo do governo Lula, se tornou o segundo maior porto exportador de cocaína do mundo.”

Ao ser questionado sobre como seria sua relação com o Supremo Tribunal Federal (STF), o senador disse estar disposto a preservar a "instituição Supremo Tribunal Federal".

E, nesse tom, começou a dar os rumos do que pode se desenhar em um mandato. Ao ser questionado sobre a proposta para acabar com a reeleição de eleitos a cargos do Executivo, Flávio voltou a defender que batalhará por isso.

Segundo ele, não faltam na direita nomes para dar continuidade a um eventual governo seu. A proposta é naturalmente controversa pois, no processo, ele poderia ter um mandato mais longo dos que os quatro anos atuais.

"E a minha PEC diz o seguinte: acaba a reeleição para presidente da República e, no processo legislativo, vai depender de como é que o Senado e a Câmara vão se posicionar, decidir qual vai ser o tamanho do mandato, se vai continuar quatro anos, se não vai", disse na TV Globo.

Como favorito na corrida presidencial, todos os sinais de Flávio, dos mais convincentes aos mais incipientes, importam.

Ao fim, o candidato mostrou apetite para um duelo pesado com Lula. Eles se encontram no domingo, 18, no debate da TV Bandeirantes, o primeiro em que estarão frente a frente desde o início da campanha.

As falas ocorreram durante entrevista de Flávio Bolsonaro à jornalista Renata Lo Prete, da TV Globo

Candidato elogiou atuação internacional do irmão, mas descartou nomeá-lo para o Ministério das Relações Exteriores

Candidato do PL à Presidência também prometeu classificar CV, PCC e milícias como narcoterroristas e intensificar o combate ao tráfico na Tríplice Fronteira

Senador disse que vai apresentar PEC sobre o assunto; mandato poderia aumentar para além dos quatro anos

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