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Fique por dentro: Veja a íntegra da entrevista concedida por Luchsinger à CNN Brasil

Acompanhe os detalhes e principais informações apuradas sobre este caso.

Por CNN Brasil 18 de outubro de 2026 às 06:00
Via CNN Brasil
Fique por dentro: Veja a íntegra da entrevista concedida por Luchsinger à CNN Brasil
Foto: Foto: CNN Brasil
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A empresária Roberta Luchsinger, investigada no inquérito que apura sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e Fábio Luís Lula da Silva , o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concedeu entrevista exclusiva à CNN Brasil, exibida na noite deste sábado (17), no CNN Prime Time. Esta é a primeira vez que Luchsinger fala a uma emissora de televisão desde o início das investigações.

Na entrevista concedida por aos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco , a empresária rebate às críticas feitas por Lula e também aborda os encontros que diz ter presenciado entre o filho do presidente e integrantes do governo.

Nos últimos meses, Luchsinger foi alvo de mandados de busca e apreensão, teve bens e valores bloqueados e foi submetida à determinação de uso de tornozeleira eletrônica no âmbito da Operação Sem Desconto.

Após a repercussão do caso, houve um racha na relação entre a empresária e os políticos.

Após entrevista à CNN, Van Hattem pede proteção a Roberta Luchsinger Lula me colocou como "boi de piranha", diz Luchsinger à CNN Luchsinger diz que Lula precisa perguntar a Lulinha com o que ele trabalha Débora Bergamasco : Yuri Pitta e eu temos agora uma entrevista importante com a empresária Roberta Luchsinger. Roberta, obrigada por nos receber para essa entrevista. Tem muito tempo que nós estamos tentando entrevistá-la, assim como muitas pessoas da imprensa, e eu quero entender por que a senhora está recebendo a gente agora. Por que a senhora resolveu falar agora?

Roberta Luchsinger : Oi, Iuri, Débora, obrigado pelo espaço. Realmente tem muito tempo que a imprensa vem querendo falar comigo, e eu tenho colocado aí um limite desse diálogo. Concedi algumas entrevistas, mas nunca realmente vim a público a falar. Eu tenho buscado a responder todo esse processo desgastante, todo esse inquérito dentro da seara adequada, que é a seara jurídica, cumprindo, aí, todas as decisões judiciais que me foram impostas. Mas por que eu decidi falar agora? Bom, primeiro porque eu me sinto muito confortável falando com vocês devido toda a seriedade do trabalho, né? Que vocês fazem na mídia. E principalmente por você ser uma mulher e ser mãe. E isso é o que me levou a falar nesse momento. Porque durante todo esse processo eu venho sendo imensamente agredida. Imensamente agredida. Porém, no momento em que o presidente da República foi ao ar para mais de 200 milhões de telespectadores falar que eu era uma pilantra por uma, duas, três vezes. Eu tive que tomar a minha própria defesa. Porque eu venho sendo constantemente ameaçada de morte, eu venho sofrendo reprimendas, eu venho tentando ser calada, eu venho sofrendo o que os olhos atrás dessas câmeras não veem. E eu estou fazendo isso pelas minhas duas filhas, pela segurança das minhas duas filhas. Durante todo esse processo ao qual o presidente da República tem me equiparado com o maior criminoso da atualidade, que é o Daniel Vorcaro, eu tenho o dever de proteger minhas filhas. Todo santo dia eu sofro ameaça de morte, as minhas filhas sofrem ameaça, as minhas filhas sofrendo bullying. Porque, a partir do momento que um presidente da República marca na minha testa que eu sou uma pilantra, ele abre, ele dá um apito para todo esse tipo de agressão. Então, todas essas ameaças já estão dentro do inquérito. Os meus advogados já levaram isso às autoridades responsáveis. Porém, quero aproveitar essa oportunidade que vocês estão me dando justamente para deixar isso de uma maneira muito pública, muito notória. Todas essas ameaças avassaladoras. Se eu abrir meu celular, por dia, eu recebo em torno de 50 ameaças de morte. As minhas filhas tiveram as redes sociais invadidas, dizendo que seriam estupradas, esfaqueadas. São coisas pesadíssimas.

Débora Bergamasco : Mas como é que essa entrevista ajuda a senhora a ter decidido falar?

Roberta Luchsinger : Ajuda pelo seguinte, como o presidente usou da máquina pública, usou de um horário nobre, de espectadores, para me agredir, para me chamar de pilantra e para me colocar como um boi de piranha ali, fazendo um X na minha testa. “Ataquem, está aí, é pilantra, é isso”. Eu tenho que também publicizar a minha defesa. Então, assim, a gente sabe que a justiça é lenta. Mas hoje com as redes sociais, com a velocidade das coisas que se tornam, eu queria deixar colocado, classificado que qualquer coisa que acontecer comigo ou com as minhas filhas vai ter a digital do presidente da República, vai ter a mão do presidente da República, vai ter o X de sangue que ele fez na minha testa. Porque ele me chamou de pilantra, eu não sou pilantra, eu sou uma mulher sozinha. Com duas filhas, que está enfrentando um processo que eu tenho certeza que 1% não aguentaria o que eu estou passando. Com duas filhas, com gente tentando me calar, com Justiça me bloqueando todos os bens possíveis e inimagináveis. E eu cheguei no meu limite. Que se eu não defender a minha integridade e das minhas filhas, ninguém vai defender. Um presidente que usa a máquina pública para pegar uma cidadã que está sendo investigada ainda e já me condena a todo tipo de crime como ele fez. Por uma, duas, três vezes. Ele está me jogando dentro de um círculo com leões para eu ser devorada. E junto comigo eu tenho duas filhas. Uma atitude canalha, uma atitude covarde, uma atitude de mau caráter, que é o que ele é, quando ele faz isso. E eu tenho que vir a público, sim, me colocar. Eu estou sofrendo o que ninguém imagina.

I uri Pitta : Roberta, você tem colocado essa sensação de injustiça e de pré-julgamento, mas há investigações em curso. A primeira delas no âmbito das investigações do INSS, pelas suas relações com o empresário Antônio Antunes, que ficou conhecido como careca do INSS. E pelas suas relações com o filho do presidente Fábio Luiz Lula da Silva. Queria começar do começo sobre esta primeira investigação à qual você responde com todos os limites de sigilo que são impostos pela decisão judicial. Mas você já admitiu que foi você quem apresentou o filho do presidente para o empresário. Por que foi feita esta apresentação, o que disso é o seu trabalho e qual foi a remuneração por essa primeira apresentação e o que se desenvolveu depois disso?

Roberta Luchsinger : Yuri, muitos desses dados que você está colocando, eles estão dentro do inquérito que corre sob segredo de justiça, mas já vim a público outras vezes e também já vazaram algumas partes do meu depoimento, algumas partes do inquérito. Eu conheci o Antônio Camilo para prestar um serviço para ele. Eu não conheci o careca do INSS. Quando eu o conheci, eu conheci o empresário Antônio Camilo. Um empresário do ramo da saúde, do ramo de farmacêutica, do ramo… Um empresário de sucesso em todo o circuito nacional. Eu apresentei ele ao Fábio Luiz, vulgo Lulinha, em caráter social. Fábio, Antônio, enfim, nada para negócios. Se após aquilo se desvencilhou em algum negócio, não foi comigo, foi entre eles. O que eu fiz para o Antônio foi uma prestação de serviço, buscando viabilidade de uma readequação, de uma reestruturação das RDCs da Anvisa, que eram muito antiquadas e só permitiam que o canabidiol fosse, no Brasil, comercializado via medida judicial, que até hoje é a RDC 660. A mídia e, enfim, vazamentos, trechos falam que era sobre uma venda de canabidiol para o Ministério da Saúde. Isso não existe, porque o Ministério da Saúde só adquire via demanda judicializada. O meu trabalho com o Antônio foi a revisão de uma RDC para trazer melhorias e efetividade para o sistema de saúde dentro da área farmacêutica no Brasil.

Iuri Pitta : Mas onde que entra o filho do presidente nessa questão? E depois, já quero te perguntar, porque houve também o envio de uma minuta de um contrato para o chefe, o então chefe de gabinete da Presidência da República. Mas, primeiro, onde que entra Fábio Luiz Lula da Silva nesta discussão de normativas da Anvisa?

Roberta Luchsinger : Eu nunca discuti normativas da Anvisa com Fábio Luiz. É, Brasília, como vocês bem sabem, é um local onde todo mundo se conhece. Você vai num jantar, você vai numa festa, você vai num encontro, as pessoas estão circulando, uma apresenta a outra. O Antônio era o meu cliente, o Fábio Luiz, meu amigo. E nenhum desses encontros, que eu também não sei me precisar, não sei dizer ao certo, não me lembro agora onde foi, como se deu, mas foi encontro social, se apresentaram, se conheceram. E trocaram o contato e daí em diante não tenho eu como te falar o que eles fizeram, o que eles deixaram de fazer. Isso daí, inclusive, conta dentro do inquérito. E uma injustiça e crueldade muito forte que vem colocando como se eu fosse operadora de algum esquema de INSS, coisa que eu nunca fui, nunca soube e, quando eu tive conhecimento, Antônio e eu rompemos ali o contrato devido a tudo que estava acontecendo ali com ele. Eu não tive conhecimento prévio disso, eu tive conhecimento quando a mídia noticiou. E, obviamente, ele levou de forma pública, até mesmo por questões de compliance da empresa dele com a minha.

Débora Bergamasco : A gente sabe que em Brasília, nos órgãos públicos, chegam milhares de pedidos de revisão, de contato, de RDCs e tudo mais, de atualizações. O fato de Antônio Camilo ter se aproximado de Lulinha facilitou, cortou um caminho para conseguir que esse tema fosse avaliado, tirado lá da pilha e avaliado?

Roberta Luchsinger : Olha, aí eu acho que a empresa tem que falar com o Lulinha. O meu serviço foi prestado pro Antônio Camilo.

Roberta Luchsinger : O que eu sei é o que toda a imprensa sabe. Ficaram amigos, que viajaram etc. Isso é até onde eu sei. O que está no inquérito é segredo de justiça. Não sei o que consta no inquérito ali que tem o Fábio, o Antônio. Eu sei o que consta no meu. E o que consta no meu inquérito, que já é público isso, é que a Polícia Federal deixa muito claro que eu, Roberta, não tenho absolutamente nada a ver com esse escândalo do INSS. Tanto que existe, dentro da Operação Sem Desconto, uma sub-operação, digamos assim, que é onde investiga a relação do Antônio Camilo comigo devido à Anvisa, Ministério etc, que também até agora corre em segredo de justiça. Eu venho colaborando de forma muito efetiva e pretendo sempre, todas as vezes que requisitada, colaborar ainda mais.

Iuri Pitta : E é no âmbito dessa investigação que aparece aquela mensagem, que Antônio Camilo faz menção ao “filho do rapaz”. Você, pelo que você conhece, pelo seu trabalho, quem é este filho do rapaz?

Roberta Luchsinger : A mensagem não é para mim. A mensagem é do Antônio para o interlocutor dele. Então eu não posso responder nem pro Antônio, nem pelo interlocutor.

Roberta Luchsinger : A hipótese que eu tenho é uma conversa do Antônio com o funcionário dele, e quando você vê o restante de toda a mensagem, tem várias outras referências, várias outras colocações que ele faz com o nome de outra pessoa, é um diálogo dele com o funcionário dele. Eu não tenho como formar uma opinião através de algo que é um recorte. Enfim, eu não posso ser leviana de falar algo que não foi enviado para mim. Isso daí, quem vai poder desvendar esse mistério é a Polícia Federal, que está investigando. Inclusive, o presidente fala que não vai bloquear inquérito, que a polícia está aí para investigar. Mas é um termo tão simples que acho que a polícia, se for a fundo, vai chegar ao filho do rapaz, né?

Débora Bergamasco : Agora, o seguinte, o presidente Lula falou publicamente que o Fábio Luiz, Lulinha, filho dele, nunca sentou com ministro do governo dele. Você estava sempre com o Lulinha, inclusive em Brasília. Você já presenciou Lulinha sentado com o ministro de governo?

Roberta Luchsinger : Eu não vou detalhar porque a gente tem uma linha, por mais que eu queira colaborar com o trabalho de vocês. Eu também tenho uma decisão judicial a ser cumprida. Mas é público, é notório que o Fábio Luiz, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros. Inclusive viajou para a casa de ministro, ministro Camilo, no Ceará, inclusive. Então o Lula é um grande mentiroso quando ele fala. “Ela é uma pilantra, mas meu filho, não. É, meu filho jamais sentou com algum ministro”. O filho dele sentava semanalmente com o ministro, seja pra trocar figurinha, seja pra trocar qualquer outro tipo de diálogo. Eu sentava com ministros pra discutir pautas relativas, pautas firmes, relativas à política pública. E isso tá aí no meu celular, que toda hora é vazado os dados brutos.

Débora Bergamasco : E a senhora já sentou como profissional para discutir políticas públicas, como a senhora está dizendo, a senhora, ministro e Lulinha também discutindo política pública?

Roberta Luchsinger : Com certeza ele já participou, ele ficava comigo junto o tempo inteiro, como é de sabença geral, com certeza em algum momento ele já ouviu alguma discussão, já ouviu alguma troca de ideia, principalmente do tema que eu mais batalhei, que foi a questão do canabidiol no Brasil. Então, provavelmente, com certeza, ele já participou, já ouviu e já esteve ali presente. Agora, o que ele conversa com outros ministros, que o pai diz que não, que nunca sentou, que ele [Lula] mente em rede nacional, numa entrevista, dizendo: “ela é a ruim. Meu filho é um santo”. Aí eu já não sei. Eu só sei que Lula continua mentindo e sendo mau caráter, aproveitando da imprensa nacional para induzir o telespectador, o eleitor, seja lá como ele queira chamar, ao erro.

Iuri Pitta : Lulinha já te descreveu ou relatou como foi alguma dessas conversas com qual ministro, em que momento aproximadamente que você não esteve, mas que fazia parte dos negócios que vocês faziam, da atuação profissional de vocês?

Roberta Luchsinger : Eu não tenho atuação profissional com o Lulinha, isso a mídia fala muito, as pessoas, criou-se em volta de mim essa história, a Roberta tem acesso, tem poder, a Roberta tem isso porque ela é sócia do Lulinha. Quando falam tudo isso, de todo esse poder, de todos esses bilhões, de todo esse acesso, de todo esse contrato. Eu digo, bom, então eu não sou sócia do Lulinha, eu sou sócia do Lula. Porque quem tem a autoridade que eu tinha, que dizem, quem tem o acesso que eu tinha, quem é colocada hoje como a maior inimiga do Brasil hoje, então, realmente, ou eu ocupava o lugar do Lula ou era sócia do Lula, não do Lulinha.

Débora Bergamasco : Mas só para eu entender, por que a senhora participava de reuniões com ministros e Lulinha do seu lado, eventualmente? A senhora falou que já aconteceu. Não sempre, nem toda vez, mas já aconteceu. Por que ele estava do seu lado, reunido, discutindo políticas públicas? Quais? Por exemplo, a história do canabidiol, que era de interesse dele, público e notório, que a gente já sabe.

Roberta Luchsinger : Sim, demonstrou muito interesse no canabidiol.

Débora Bergamasco : Mas ele já discutiu com o ministro? Já sentou em reunião?

Roberta Luchsinger : Na minha presença, não. Demonstrou muito interesse, sim, no assunto, tanto que é público, notório, que ele viajou para conhecer fábricas etc. Porque ele estava comigo o tempo inteiro. Embora eu seja pilantra na visão do pai dele, para ele eu não sou a pilantra. Para ele, eu sou uma amiga, ou era, eu já não sei. E ele estava ali diariamente do meu lado, o quarto dele na frente do meu, a mesma casa, o mesmo ambiente. Na casa de Brasília, viagens entre família, filhos etc. Sempre juntos, não foi uma vez, não foi duas, não foi três, não foi quatro.

Débora Bergamasco : A senhora recebia lá na casa de Brasília ministros também?

Roberta Luchsinger : Recebia. Eu nunca procurei muito ninguém. As pessoas me procuravam.

Roberta Luchsinger : Inúmeros ministros, ministros de Educação, ministro da Saúde, o ex-ministro, o atual ministro, Léo, ministro de comunicação.

Débora Bergamasco : Mas quais, porque foi mudando, né?

Iuri Pitta : Só para ser objetivo, quais nomes?

Roberta Luchsinger : Frederico, da Comunicação. O Barchini, da Educação. Como é público e notório, eu me aconselhava, buscava muito entender como era o funcionamento dessas questões do canabidiol, que é muito confusa, dentro da Anvisa e dentro do Ministério, com o Berge, o próprio Marcola, inúmeros outros ministros.

Roberta Luchsinger : O Fábio tinha relação com o ministro Camilo, não eu.

Iuri Pitta : E ele te contou o que era essa relação, ou o que eles conversavam?

Roberta Luchsinger : Nunca me contou, e também nem cabe a mim perguntar.

Débora Bergamasco : Mas aí quando a senhora fala que essas pessoas, que a senhora nomeou alguns aqui, te procuraram. Para quê?

Roberta Luchsinger : Me procuravam para pedir favores, para conversar, para pedir ajuda.

Débora Bergamasco : Mas que tipo de favor, por exemplo?

Roberta Luchsinger : Tive assessora que já pediu para ficar na minha casa, que faria uma cirurgia. O outro já pediu minha ajuda que precisa pagar uma conta. O outro, o que você acha desse projeto e tal. Eu também procurava, sempre às vezes com alguma questão profissional para discutir, dentro de total institucionalidade e isso, assim, o que não falta, eu digo, é prova, porque o meu celular, os meus sigilos, tudo está escancarado para a polícia e para, infelizmente, uma parte da mídia que vai usando aquilo em trechos e divulgando.

Iuri Pitta : Para a gente, então, de novo, em nome da objetividade, Roberta... ministros, você citou o nome de alguns, que tipo de favores que esses ministros, até pelo papel que eles têm, público, institucional, que tipo de favores que eles te pediram? Você mencionou o atual ministro da Educação, o atual ministro das Comunicações, quais outros ministros e quais favores que eles te pediram?

Roberta Luchsinger : Muitos pediam apoio, principalmente em relação ao chefe de gabinete. Acho que devido à dificuldade que a maioria dos ministros têm hoje ao presidente, ou tinha naquela época, eles recorriam muito ao Fábio, a mim, para que ajudasse com Marcola a conseguir uma agenda ou a conseguir prioridade em algum projeto.

Iuri Pitta : Quer dizer, um ministro de Estado, precisando discutir quaisquer questões que fossem com o Presidente da República, precisavam passar por você para conseguir ter acesso ao presidente?

Roberta Luchsinger : Eles não precisavam passar por mim, porque eles, óbvio, como ministro de Estado, têm a relação direta com o presidente da República. Dada a dificuldade e dada a amizade, a intimidade, sim, eles pediam ajuda, às vezes não conseguiam falar com Marcola, pediam ajuda e assim era, esse jeito meio, talvez até bagunçado e amador no agir.

Débora Bergamasco : O presidente Lula sabia que você ajudava a fazer esse contato? Ajudava a conseguir essas agendas?

Roberta Luchsinger : Eu acho que um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele, ou ele é um mentiroso ao dizer que não sabe, ou ele está senil, esclerosado, como disse o Ciro Nogueira outro dia. É obrigação do presidente da República cuidar do país, cuidar da própria agenda.

Débora Bergamasco : Mas ele sabe que você existe?

Roberta Luchsinger : Ele sabe que eu existo. Óbvio que ele sabe que eu existo.

Roberta Luchsinger : Eu acho que ele sabe que eu existo há muitos anos. Eu não nasci agora. Então ele sabe que eu existo há muitos anos.

Débora Bergamasco : Qual era a sua relação com ele e o que ele sabe sobre o seu trabalho e o seu acesso?

Roberta Luchsinger : Eu acho que a principal coisa que ele sabe, que ele tem certeza, é que a melhor amiga do filho dele sou eu. O filho dele vivia comigo, pra cima e pra baixo, para todo lado. Como ele não vai saber? Se eu tô no Natal, Ano Novo, Carnaval, festa, Roberta ali, Roberta aqui... como o presidente não vai saber? Então, ele esqueceu, talvez, vou te dizer novamente: acho que o presidente pode estar esclerosado e não se lembra, isso é normal, ele tá com 80 anos. Ele pode estar com alguma senilidade, ele não lembra. Ele não lembrava nem do Bolsa Família, ele não sabia, não lembrava. Ele nunca sabe de nada do entorno dele.

Débora Bergamasco : Mas só para eu entender, por exemplo, alguns ministros, assessores te pediam um favor. Inclusive você mencionou, às vezes, para pagar uma conta. Depois queria confirmar se está falando sobre o Marcola ou se tem outros também que te pediram.

Débora Bergamasco : Só o Marcola. Por outro lado…

Roberta Luchsinger: E, também, Débora, não te cortando, mas não vejo nenhum problema, porque existe uma linha muito tênue entre a amizade e entre, de fato, o cargo que ele ocupava. Isso, pra mim, é um amigo me chegando e me pedindo um favor. Talvez possa ser, da minha parte, amador ou imoral, não sei a palavra. Eu não sei aonde isso vira crime, porque um pedido de um amigo, um pedido pessoal que eu atendo. Eu não sei se isso é crime, mas pelo fato dele ser...

Iuri Pitta : Nunca houve nenhuma contrapartida da partida do Marcola?

Roberta Luchsinger : Nunca houve nenhuma contrapartida, eu não tenho um contrato público. Eu nunca tive, em toda a minha vida. A minha vida foi revisada, revirada, revisada, eu não tive um contrato público.

Débora Bergamasco : Sim, no seu nome. Mas, por exemplo, você era procurada. Você é empresária, não é de hoje, tem mais de 10 anos nesse ramo e não é vindo só de governo Lula, já tem essa atuação.

Roberta Luchsinger : Imagina, eu sempre atuei na área de saúde.

Débora Bergamasco : Tá, mas então, assim, só para a gente refazer. Os ministros te procuravam para ajudar em agenda, em prioridade de projeto, como a senhora colocou: “Olha, dá uma prioridade nesse projeto aqui que é importante para o ministério e não está conseguindo despachar para o presidente. Então, é esse caminho”. Por outro lado, a pessoa que é dona dessa agenda recebeu o dinheiro de você porque chorou as mágoas que estava sem dinheiro, que estava em dificuldade, não sei o quê. E você falou que pela amizade você ajudou. E que não foi uma parcela, ele mandou um boleto, como dizem as investigações, que isso já é público e vazado. Mas entende, quando a gente fala assim, uma contrapartida, uma coisa é que não tem contrato público. Outra coisa é, você ajudava os ministros a conseguirem uma agenda com uma pessoa que a senhora ajudou financeiramente. A minha pergunta é: o que você ganhava em ajudar os ministros?

Roberta Luchsinger : Não ganhava nada, ajudava por ajudar um projeto de país. Eu sempre gostei muito desse envolvimento com a política, sempre me manifestei muito sobre isso, não ganhava nada. Aliás, eu mais perdi isso tudo do que ganhei, porque quem perdeu dinheiro fui eu, quem está escorraçada por um presidente da República sofrendo todo tipo de retaliação e ameaça, inclusive, vou te falar, após essa entrevista, você pode ter certeza que de 100 ameaças, de 200 ameaças, vão virar 1000. Porque na hora que ele me coloca como a pilantra, ele vai reafirmar, “olha como ela é pilantra, olha como ela é vingativa. Foi lá falar de mim, do meu filho que é um santo”.

Débora Bergamasco : Mas a gente está falando dos ministros que te procuravam, né? Porque daí não é só uma ponta.

Roberta Luchsinger : Aí você tem que fazer o quê? A mesma coisa que vocês fazem comigo, buscar os ministros e perguntar por que eles me procuravam, porque hoje ninguém me conhece. Você tem agenda pública, você tem foto, você tem mensagem, eu nunca me opus em falar nada, inclusive vou fazer uma delação premiada. Porque não serei eu o boi de piranha que tanto querem colocar tudo em cima de mim. Então, assim, o que eu fiz, se for crime, eu vou responder. Na minha cabeça não existe crime. Se for crime, eu vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal. Que, aliás, é uma coisa que o presidente da República sempre disse muito sobre ele. Mas sobre os outros a gente vê que é o contrário. Porque eu, como investigada por ele, fui condenada. Um mau caráter, um canalha, um covarde, com uma mulher que tem duas filhas e nunca fez nenhum mal, nem para ele e nem para esse país. Porque se você pegar a minha vida e acompanhar, a minha vida é a mesma coisa. A polícia pegou lá os meus ganhos iguais, o meu sigilo. A minha vida é a mesma. Onde eu sempre frequentei, eu continuo frequentando. O que eu sempre comprei, aonde eu sempre fui, a minha vida continua a mesma, transparente. Agora, os ministros precisam se explicar. Hoje ninguém me conhece, por que não me conhece? Se na hora de ir na minha casa ia. Se na hora de se hospedar, ou na hora de me pedir algum favor, algum conselho, iam? E agora não me conhecem, por quê? Por que eu sou a pilantra?

Iuri Pitta : Roberta, para deixar claro também, objetivamente, sobre isso...

Roberta Luchsinger : Inclusive, mais um detalhe, eu, se fosse o presidente da República e tivesse um compromisso realmente com a verdade, eu falava: “opa, peraí, vem cá, quem sentou com essa pilantra”? “Eu sentei, eu sentei, eu sentei”. “Então, ó, afasta, afasta, afasta. Vão se defender, vão se explicar, isso tá mal explicado”. O que ele fez? “Ah, esse é um santo, esse é um santo, esse é um santo. Ela não. Ela é a pilantra. Ela ofereceu a maçã envenenada para os meus bons ministros”. Ou seja, um homem desse não pode falar sobre feminismo, sobre feminicídio, sobre machismo. Porque ele é o próprio machista. Ele preservou todos os homens e julgou a mim, a única mulher, aos leões.

Iuri Pitta : Roberta, você falou que está disposta a fazer uma colaboração com a justiça se o que você, nas investigações que você está respondendo, culminarem com algum tipo de punição a você ou alguma condenação. Que tipo de elementos que você poderia levar nessa colaboração? Claro que a gente sabe que não dá para adiantar tudo, mas quais questões que você acha que pode colocar? E aí já pergunto, por exemplo, você detalharia o que foram aqueles pagamentos para o Marcola? Que é, talvez, dentro dessa linha de pessoas que, pela relação com você, é a que saiu da chefia de gabinete da Presidência, não foi para a campanha como estava previsto para ir e que alegou que era um empréstimo pessoal. Mas por que ter feito esse empréstimo pessoal da forma como foi feito? Com pagamento de boletos, com presentes como joias e não, por exemplo, uma transferência bancária do valor e depois ele te pagar em parcelas. E por que depois esse empréstimo da parte dele foi pago da forma como ele disse, de forma imediata ali, já quitado?

Roberta Luchsinger : Iuri, isso tudo que você está colocando, grande parte disso já está dentro do inquérito ao qual sou investigada. E outra parte, eu não posso [falar], porque existe uma decisão judicial que me proíbe de falar sobre elementos investigativos. Decisão judicial a gente cumpre, eu não posso descumprir. Até porque eu tenho medidas cautelares que, se quebradas, eu vou presa. Então, uma medida descumprida acaba levando a essas consequências judiciais. Mas assim, tudo que a Justiça tem me perguntado, ela tem conseguido. Todos os meus sigilos a Justiça já tem acesso, a todo o meu celular, o WhatsApp, o que quiser. A minha vida, simplesmente, hoje, é um livro aberto. Embora saiam esses vazamentos que eu julgo como vazamentos criminosos, ilegais, porque são tirados do contexto, a polícia, como tem todo esse teor bruto vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém, pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande de um mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade. E a verdade, ela tem que ser dita, doa a quem doer. Em todo momento, eu tenho colaborado falando exatamente os fatos conforme aconteceram. Questão Marcola, está dentro dos autos, está dentro do inquérito já como ele foi requisitado e como foi devidamente explicado lá dentro. Eu não posso pegar e dizer o que está lá dentro, mas o inquérito é vazado. A mídia inteira tem.

Iuri Pitta : Sobre o filho do presidente, você falou que não pouparia o filho do presidente nem o presidente. Você teria elementos a mais para detalhar, por exemplo, da vida do filho do presidente na Espanha? Que você, inclusive, ajudou nesta mudança dele do Brasil para a Espanha?

Roberta Luchsinger : Isso no âmbito judicial, que é a seara adequada, é onde eu vou falar. Mas teria, sim, elementos factíveis. Ao contrário do que diz o presidente, que fala que eu sou uma pilantra que conta história. Não é isso que ele falou? A gente pode até depois pegar para ver. Quando eu falo alguma coisa é porque eu tenho como provar aquilo que eu estou falando. Eu ajudei sim, eu participei, eu estive ali. E agora eu te falo, o presidente da República falar que não sabia o que acontecia na vida do filho dele, que o filho é um santo... é um mentiroso.

Iuri Pitta : Você ajudou financeiramente o filho do presidente nessa mudança financeiramente? Com recursos, com dinheiro?

Roberta Luchsinger : Não, na mudança não ajudei financeiramente. Ajudei em todo sentido de viajar, de disponibilizar meu tempo, de buscar escola, buscar apartamento, de estar envolvida nesse processo da mudança. Inclusive, eu cheguei a ter um apartamento em Madrid, alugado também. E depois me desfiz desse apartamento. Era um projeto que eu tinha de querer ter um apartamento fora, sempre tive isso. Já foi falado em diversas conversas que eu tinha por objetivo, em determinado momento, ir para a Suíça. E isso foi muito distorcido pela mídia. A minha filha, o pai mora na Suíça, eu venho de família suíça. E a minha filha mais nova passou em provas em escolas suíças, e ela quer estudar na Suíça. Isso era um projeto meu de vida, estar com a minha filha lá, a minha filha menor. Já fazia parte da minha vida isso. E isso é colocado hoje de uma forma muito irresponsável, como se eu quisesse fugir de uma investigação em curso e ir para a Suíça. Eu nunca fiz isso. Isso era um projeto meu de lá e durante toda a investigação, mesmo antes das medidas cautelares que foram em dezembro, que teve busca e apreensão aqui nesse apartamento que vocês estão, eu busquei colaborar com tudo que me foi pedido. Eu nunca fugi, eu nunca saí, eu nunca fiz um pedido para o ministro para ir a Brasília, para ir a Rio ou para ir visitar o pai das minhas filhas. Eu fiquei aqui, de peito aberto, sendo metralhada diariamente por governo, por oposição, por tudo.

Débora Bergamasco : Roberta, você mencionou que estaria disposta, se a maneira que você atuou for considerada como crime, você estaria disposta a fechar uma delação premiada, se houver interesse da Polícia Federal, do Ministério Público, enfim. Porém, a minha pergunta é a seguinte: você disse que a sua vida é um livro aberto, no seu WhatsApp, no seu telefone, nas suas contas, etc. O que você teria para acrescentar?

Roberta Luchsinger : O que eu teria para acrescentar? Talvez detalhes que não estão ali dentro do WhatsApp, porque a vida da gente não é só no WhatsApp, a vida da gente é no mundo normal. Você conversa com as pessoas, fala sobre projetos. Você sabe das coisas, assiste coisas, vê coisas, tem como colaborar, muitas das vezes, com coisas que você não participou, mas assistiu. E isso, no momento que a Justiça julgar que é o momento adequado, porque existe um trâmite legal para isso, eu estarei lá. Pronta para colaborar. Eu quero fazer uma delação premiada, sabe por quê? Porque eu não tenho pai presidente, eu não tenho mãe presidente. Eu sou uma mulher com duas filhas e estou tendo uma máquina pública sendo movimentada em cima de mim, contra mim e contra duas filhas. Eu não sei o que vai ser de mim e dessas duas meninas amanhã. Eu tenho todas as piores medidas cautelares que você possa imaginar em cima de mim, que atacam direto a vida das minhas filhas. A minha filha sofreu acidente de carro em São Bernardo do Campo, há duas semanas e eu sequer pude ir lá, porque eu não posso sair de São Paulo. Até agora, é um mistério, a polícia está investigando esse acidente. Eu não sei o que aconteceu, eu não pude estar lá. Então, assim, na minha cabeça e no meu coração de mãe, eu vou fazer o que eu tiver que fazer para proteger minha filha, porque não vai ser só o presidente que vai proteger o filho dele. Eu vou proteger as minhas filhas também.

Iuri Pitta : Essas informações que você poderia oferecer nessa colaboração à justiça poderiam levar à abertura de investigação contra o presidente ou o filho do presidente, já que tem três investigações em aberto, levar à constatação de crimes da parte do filho do presidente?

Roberta Luchsinger : Acho que o presidente tem que conversar melhor com o filho dele. Acho que o presidente tira muita conclusão da vida alheia, mas da vida dele, do entorno dele, ele resguarda, ele protege. Então ele fala, a polícia vai investigar a vida do meu filho, ele está lá pronto para colaborar. Vem aqui, pega um avião, estou aqui para colaborar. Eu, dentro dos meus inquéritos, fiz inúmeros requerimentos ao ministro, que eu queria falar, que eu queria prestar depoimento. Porque eu só tenho meu nome. Eu não tenho pai presidente, eu não tenho amigo de pai, eu não tenho nada. Eu tenho o meu nome. E o que estão fazendo comigo é destruindo o meu nome, destruindo a minha vida inteira. Você sabe o que é estar desde dezembro dentro de uma casa, tendo que lutar contra uma máquina pública que quer te calar?

Débora Bergamasco : O que é que quer te calar? Da onde? Baseado em quê?

Roberta Luchsinger : Baseado em quê? O que quer me calar? A partir do momento que a gente vê, tudo que o presidente colocou contra mim, ele está me coagindo. Um presidente da República te chamar: “Débora, você é uma pilantra”. Quantos dias você dura no seu emprego? Quem vai te contratar? Eu perdi todos os meus contratos. O presidente da República, através da irresponsabilidade dele e do mau caratismo dele, me fez perder clientes que eu tenho há mais de 10 anos de trabalho sério. Porque quem você perguntar dos meus clientes vai te falar. Ela trabalhou, ela entregou, ela se dedicou e tudo mais. Agora, aonde está o crime nisso? Com o que o filho dele trabalha? Ele já foi perguntar? Pergunta isso para o presidente. Ele sabe responder? Ele não sabe. Então, se ele quer emitir opinião sobre a minha vida, a minha moral e a minha conduta, ele tem que começar pela casa dele.

Débora Bergamasco : Deixa eu te perguntar o seguinte. É importante o ponto que você acaba de colocar, porque você avalia que, na sua percepção, toda ação que você fez ali dentro do Palácio do Planalto, independentemente de fora dos seus negócios... na sua visão, você disse algumas vezes aqui nessa entrevista que não vê como crime. Porém, você, na sua percepção, já não participou, mas assistiu a movimentos que justificariam uma delação premiada? Porque mesmo que você não tenha participado mas tenha presenciado, algum fato que interessaria a uma delação premiada, portanto, não seria legal? Porque numa delação premiada, não é uma questão de imoralidade, é uma questão de ilegalidade que você tenha presenciado.

Roberta Luchsinger : Quem vai avaliar isso vão ser os ministros relatores dos casos. Se é imoralidade ou não, não sou eu. Se o ministro ou se a Polícia Federal chegar a uma conclusão de “olha, a Roberto ter pagado uma conta do Marcola é crime”. Ou “não, não é crime. É imoral, mas não é ilegal”. Isso não sou eu que vou definir. E numa delação, quem define o que é colaborativo ou não, também não sou eu. É a polícia. Uma delação premiada, ela não é uma delação midiática, onde eu vou estar aqui, olha, Débora, eu vou falar isso, isso e isso. Não. É algo que vai vir entre a Justiça e eu, por isso que é o Instituto da delação.

Débora Bergamasco : A gente já obteve algumas informações de que o Fábio Luiz, Lulinha, teria participado e ajudado a fazer uma intermediação, uma interlocução com uma empresa, uma construtora, para fechar contratos dentro do governo. Eu queria saber se você tem essa informação.

Roberta Luchsinger : Tenho essa informação, tenho essa informação, sei dessa história. Como muitas pessoas sabem dessa história.

Débora Bergamasco : A gente está falando da Mota-Engil?

Roberta Luchsinger : Exato, não estou dentro dessa história, mas conheço essa história, inclusive.

Débora Bergamasco : Qual foi a participação do Lulinha nessa história?

Roberta Luchsinger : Bom, até onde sei, quem se tornou presidente dessa empresa no Brasil é o vizinho dele. Amauri, Amauri Pinha, vizinho do Fábio.

Roberta Luchsinger : Não, vizinho aqui no Brasil, onde ele reside aqui no Brasil. Então, a mídia faz muito má coisa comigo, que é interessante. Em todo lugar que eu frequentei na minha vida, Brasília, independente do governo que fosse, eles sabem exatamente quantas vezes eu entrei, a hora que eu entrei, com quem eu falei, através do acesso da informação. Sabe o que me chama a atenção? Vários personagens envolvidos com Lulinha, com Lula, com todo mundo... o único personagem que todo mundo vai atrás sou eu. Da minha vida sabem tudo. Agora, quantas vezes esse presidente dessa empresa, Amauri Pinha, entrou no Palácio do Planalto, entrou no DNIT, entrou na Petrobras, entrou nos órgãos? É público, é dever informar. O governo tem que informar. Se você teve uma reunião e você perde o acesso, tem que informar. O governo tem que informar. Você teve reunião, você teve o acesso, ele tem que informar.

Débora Bergamasco : Eu pronunciei o nome certo?

Roberta Luchsinger : Sim, Amauri Pinha e Mota Engil. E a EBC é o nome... no Brasil, o Amauri é o presidente.

Débora Bergamasco : Essa EBC que você está mencionando não tem nada a ver com a TV estatal, certo? São só as mesmas siglas.

Débora Bergamasco : Esse Amauri Pinha, vizinho de Lulinha, tinha esse acesso? Esse acesso, que você saiba, era franqueado pelo Lulinha, pelo vizinho, pela amizade?

Roberta Luchsinger : Bom, o presidente, a todo momento, fala que o filho dele está à disposição da Justiça para falar. Por que não questiona? Ele tem que questionar o filho. Porque de mim ele não questionou, não nomeou, não falou que eu sou uma pilantra? Ele tem que questionar as outras amizades também. Porque eu não tenho como te dizer “olha, eles foram lá conversar isso e isso e isso”. Mas alguma conversa houve. É fato, tá aí, é publicizado isso, todo mundo sabe.

Iuri Pitta : O que você está nos contando é que você sabe que eles conversaram e que houve...

Roberta Luchsinger : São amigos, já esteve na minha casa com ele. O que eu estou dizendo é o que todo mundo sabe.

Débora Bergamasco : Mas aqui [em São Paulo] ou lá em Brasília?

Roberta Luchsinger : Lá em Brasília. O que eu estou dizendo é o que todo mundo sabe, é o que a mídia sabe. É o que todo mundo pergunta, tem que perguntar para ele. A polícia tem que fazer o trabalho dela igual fez comigo. A Polícia Federal veio aqui, revirou a minha casa com a minha filha de 15 anos aqui dentro, levou o que quis, o que não quis, pegou, bloqueou etc. Eu estou sozinha nesse inquérito? Por que não fizeram isso na casa do filho do presidente? Por que ele é filho do presidente, então nós não vamos fazer? Tinha que ter feito. Se ele é investigado, por que não foi feito? Só foi feito comigo. Por que comigo é feito todo esse trabalho da máquina pública?

Roberta Luchsinger : Eu queria saber o porquê. Por que comigo sim e com ele [Lulinha] não. Quando o presidente da República fala: “direitos iguais, a polícia vai investigar e vai fazer” ele continua mentindo. Um homem desse não pode continuar na presidência de um país. Ele mente em coisa pequena, mente em coisa grande, mente o tempo inteiro. E isso me dói falar porque eu já acreditei muito nele, defendi muito ele o tempo inteiro, lutei muito por ele quando ele estava, inclusive, preso. E eu acreditava na inocência dele, fui das poucas pessoas que se expôs de maneira pública e notória na defesa dele, inclusive contra o próprio Sergio Moro, que quem entrou com a ação do domicílio eleitoral fui eu.

Débora Bergamasco : Quando ele queria se candidatar em São Paulo.

Roberta Luchsinger : Então quem mais lutou por ele fui eu. E o que eu recebi em troca? Nem um muito obrigada. Eu recebi em troca “pilantra, mau caráter, falastrona, Vorcaro feminino”. Eu recebi em troca uma comparação com o maior criminoso financeiro do Brasil. Se eu sou pilantra e toda essa turma andava e frequentava a minha casa, eles são tão pilantras como eu. Ou seja, o presidente tem que chamar e falar: “E aí?”.

Iuri Pitta : Sobre o filho do presidente. Você falou que a Polícia Federal, os investigadores, deveriam fazer o que fizeram contigo também com ele. Questionar, por exemplo, o conhecimento e o envolvimento dele com a assinatura de contratos públicos, e, eventualmente, algum tipo de vantagem sobre isso. Quando você fala que todo mundo sabe dessa relação, o que exatamente é que todo mundo sabe sobre essa relação?

Roberta Luchsinger : É o que a gente vê todo dia na mídia. São vazamentos que a gente acompanha. São matérias jornalísticas de empresários que tiveram, depois dessa amizade, ou empresas que tiveram lucros devido a essa amizade de não sei quantos mil por cento. Ou seja, não vão questionar isso para ele? Tem que questionar.

Roberta Luchsinger : Óbvio. Por que vai só me questionar? O que eu vou dizer do que eu não sei? Nada. Assim, se ela não sabe disso, ela não está nesse contrato. Ela está nessa relação? Não está. Então, assim, pra quem tem que perguntar? Pra quem está, quem está nesse contrato? Tá Lulinha, tá não sei quem... tem que ir lá e tem que perguntar pra ele [Lulinha]. O presidente não pode proteger o filho dele por trás das câmeras, e na frente das câmeras falar: “meu filho está aí à disposição”.

Débora Bergamasco : Mas por que você diz que ele [Lula] protegeria o filho por trás das câmeras?

Roberta Luchsinger : Porque é visível. Ele como pai...

Débora Bergamasco : Você acha que ele controla a Polícia Federal para não fazer o que fez contigo?

Roberta Luchsinger : Aí eu não sei te dizer se ele [Lula] controla ou se ele não controla. Isso eu adoraria poder te dar essa informação, mas isso daí eu não sei te dizer. Agora, quem indica a Polícia Federal é ele. São concursados. Se ele controla ou se ele não controla, eu não sei te dizer. Acredito que ele, como pai, como presidente da República, tem que separar o pai do presidente.

Iuri Pitta : Roberta, você fez menção a empresas que têm contratos com o setor público e você mencionou o nome de pelo menos uma delas: Mota-Engil. De que contrato exatamente a gente está falando?

Roberta Luchsinger : O que a mídia todo dia me pergunta, o que todo dia divulgam em relação ao nome de Fábio [Lulinha]. Já saiu, salvo engano, até em matéria da Veja ou algum outro [veículo]. Acho que, salvo engano, foi a Veja, mas posso estar errada. De construtoras cujo vizinho e amigo é o presidente. Tem contrato de R$ 2 bilhões no Brasil. Durante este governo, e a partir do momento em que o amigo, o vizinho, entra na presidência da empresa, isso é questionável. Isso tem que ser questionado. O Presidente da República tem que questionar. O Presidente da República tem que falar: “Vem cá, polícia ou equipe, quero ver o contrato dessa empresa. O que está acontecendo aqui? Estão falando muito sobre isso, eu quero ver”. Isso é uma coisa normal, o que não é normal é ele querer colocar tudo isso em cima de mim. Isso não é o normal. Como é isso, dois pesos, duas medidas?

Iuri Pitta : Mas você tem informação ou suspeita de irregularidade nesse contrato de R$ 2 bilhões?

Roberta Luchsinger : Eu não tenho que suspeitar de nada porque eu não sou investigadora. E eu também não tenho informação nenhuma privilegiada, porque eu também não sou um agente que faz parte desses contratos, nem tenho interesse nisso. O que eu estou dizendo é o que a mídia está dizendo, é o que está saindo toda hora. A cada momento a gente vê, igual vê meu nome, que conversou com o embaixador, conversou com o ministro, fez isso, fez aquilo. Eu estou disposta, sempre tive, a responder. Por tudo e qualquer imposição ou colocação que a justiça queira. E eu estou aqui de coração aberto, de corpo e alma, com ameaça. Sei que amanhã vou ter mais ameaça. Quero deixar mais uma vez claro que se alguma coisa acontecer comigo e com as minhas filhas, a culpa é do Lula. Ele me riscou como esse alvo.

Débora Bergamasco : A gente está encaminhando para o fim, estamos quase concluindo a entrevista. Quero perguntar para você sobre o presidente Lula, esse “X” que a senhora está falando, mas só para a gente fechar esse assunto dessa empresa com contrato bilionário. Você não é investigadora, você não é agente federal, mas você convivia dentro da casa do Lulinha, do Fábio Luiz, você é muito amiga da família, isso é inegável. Então você tem uma vivência de dentro da casa dele. E eu te pergunto, nessa vivência que você tem dentro da casa dele, que é a terceira ponta dessa situação, e você viu essa amizade, eles foram na sua casa, esse Amauri Pinha que você disse, já esteve na sua casa. Com Lulinha, eles tratavam de negócios? Já trataram de negócios alguma vez que você tenha visto ou ouvido?

Roberta Luchsinger : Não sei, porque era em porta fechada e eu não fazia parte disso. Então eu acho que quando duas pessoas entram para uma reunião... alguma coisa elas estão tratando, porque se fosse algo social, sentava aqui, conversava, tomava um drink.

Débora Bergamasco : Mas já aconteceu deles irem na sua casa?

Roberta Luchsinger : Já fizeram, já tiveram reunião sim.

Débora Bergamasco : Na sua casa, sem a sua presença?

Roberta Luchsinger : Sim... não, com a minha presença, mas eu na sala, eles ali fazendo reunião. E não cabe a mim ouvir, se eu não for chamada, eu não vou escutar. Mas uma coisa que eu falo e eu repito, é essa história do presidente Lula a todo momento dizer que não sabe de nada. Que não viu nada, que não sabe de nada. Isso é uma coisa absurda, porque o presidente da República sabe sim de tudo que acontece no governo dele. Como não vai saber se ele é o presidente?

Débora Bergamasco : Mas isso acaba sendo uma ilação, dizendo que ele tem que saber.

Roberta Luchsinger : Ilação é o que ele fez comigo. O que eu estou dizendo é que o presidente da República, por obrigação e por dever ao cargo dele, tem que saber. A gente não está falando de um contrato ou de alguma coisa pequena, não é o cafezinho ali, a gente está falando de dinheiro público, de gasto público, a gente está falando de relações às quais, inclusive eu estou sendo investigada por manter relações com o ministro, com o filho, com o pai etc.

Débora Bergamasco : Na sua relação com o presidente Lula, ele sabia? Porque eu quero entender qual era a sua relação ou o quanto ele sabia da sua atividade. Qual era a sua relação com o presidente Lula?

Roberta Luchsinger : A minha relação com o presidente Lula nunca foi uma relação profissional, uma relação comercial. Até porque ele é presidente da República. As relações que as pessoas de bem, como eu, e não pilantra, têm com o presidente da República são relações institucionais. E isso está mais que provado, visto e amparado por fotos, por matérias, por vídeos etc. Agora, o presidente dizer que não sabe o que acontecia na vida do filho. Ou na vida de ministro ou na vida de ninguém, isso é a maior mentira. O presidente da República sabe tudo o que acontece, o que se passa na antessala dele, ele tem que saber, porque se ele não sabe, ele não deveria estar no cargo. Se outra pessoa está ocupando esse espaço, que deveria ser o dele ocupar, ele não deveria ser presidente da República, porque a função dele é governar, ver o que está acontecendo. E se ele desconfia que tem algo acontecendo, não é para a mídia que ele tem que ir. É para a polícia relatar, falar, olha, alguma coisa de errada está acontecendo. Não é passar a mão, Marcolinha, como um filho. Por que pediu dinheiro emprestado? Como foi isso? Manda investigar. “Meu filho, não sei como vive”. Como vive o filho dele? É mais fácil me chamar de pilantra. É mais fácil pegar todos os apaixonados por ele, igual eu já fui um dia, e colocar contra mim. Que não tem como me defender diante da máquina pública. Aliás, isso é criminoso, a máquina pública usada contra um cidadão. Que é o que estão fazendo, usando dinheiro público, tempo público, para moer a minha reputação. Para cada vez mais eu sofrer retaliações, ameaças etc. Daqui a pouco minhas filhas vão definhar. E ele, de um mau caratismo de marca maior, está fazendo, não só comigo, mas também com duas meninas. Ele está tirando o provento da mãe que sustenta duas meninas e que ajudou muito, inclusive, a família dele. Vocês até me desculpem, Yuri e Débora, eu estou muito revoltada. Estou muito chateada porque... É muito difícil passar o que eu estou passando e passar sozinha e ser colocada como a inimiga número um de um presidente da República. Porque ninguém tem coragem de vir aqui e falar o que eu estou falando. Ninguém tem coragem de falar que ele é um mentiroso, porque ele é um mentiroso e eu provo que ele é um mentiroso. Prova maior disso é quando ele diz: “meu filho nunca sentou com ministro”. Mentira. Sentou, frequentou casa, viajou. Tem como provar? Tem como provar. Pede a companhia aérea para ver a viagem, para onde foi, o dia que foi. Faz igual fizeram comigo. O meu celular marca todo lugar que eu tive. Está lá na polícia. Lula é um mentiroso, está usando do mau caratismo e da canalhice contra uma mulher com duas filhas. Ele não pode, não tem o direito de falar que defende as mulheres. Eu não tive nenhuma hora apoio de nenhuma mulher ligada a ele. Pelo contrário, eu tive o coro de mulheres ligadas a ele me chamando de pilantra. Para não dizer que eu não tive um apoio, eu tive da nora dele, dizendo: “ela não é pilantra”. Aliás, eu tive as duas noras dele dizendo que eu não era pilantra, mas ele, não. Em momento nenhum dessa investigação a gente viu ele falar de homem algum. Em momento nenhum a gente viu envolvidos nesse caso sendo chamado de lobista, sendo chamado de bandido, sendo chamado de pilantra. Hora nenhuma. Agora, a todo momento, eu sou chamada de lobista, eu sou chamada de pilantra, eu sou chamada de vagabunda, eu sou chamada de tudo. E o presidente da República colocou milhares e milhares de pessoas contra mim. Eu não estou falando por falar. Eu estou falando de iniciativa própria, sem ter advogado, sem ter nada aqui do meu lado me consultando sobre o que eu posso falar, o que eu não posso falar. Se eu tiver que ser responsabilizada pelo que estou falando, serei. E provarei que estou falando a verdade, porque a verdade é uma só. E ele [Lula] colocou milhares de pessoas contra mim ao ponto de eu estar aqui pedindo ajuda para que não façam nada com com as minhas filhas e nem contra mim.

Iuri Pitta : Roberta, acho que você já deixou muito claro todos os sentimentos que você tinha e tem pelo presidente. Em relação ao Fábio Luís Lula da Silva, o teu sentimento com relação a ele, que você já falou várias vezes que ele é seu melhor amigo, você é a melhor amiga dele. Hoje, qual o teu sentimento com relação a ele? A mulher dele te protegeu. E ele?

Roberta Luchsinger : A partir do momento que o pai dele me chama de pilantra e me culpa por “N” coisas, que não sou eu falando, tem o vídeo, ele que foi lá falar. E ele [Lulinha] não se manifesta, não se pronuncia, ele é um covarde como o pai, porque o papel do amigo é ligar e falar a verdade. “Olha, pai, ela não é uma pilantra. A polícia tá investigando, se ela fez alguma coisa errada, se eu fiz alguma coisa errada, isso daí vai ser provado, a polícia está aí pra investigar” . A partir do momento que ele [Lulinha] se cala, ele não foi meu amigo, eu fui amiga dele, eu sou a vítima nessa história toda. Eles são cúmplices, eu sou a vítima. Eu não tive uma pessoa me ligando pra saber se minha filha estava viva ou morta. Eu não tive uma pessoa vindo aqui estender a mão pra saber se eu estava precisando de ajuda, todo mundo sabendo que eu estou com bens bloqueados, dinheiro bloqueado etc. Eu sou amiga das pessoas, porque se algum amigo meu está passando por dificuldade, como é o caso do Marcola, eu sou a primeira a oferecer ajuda. Eu não tive isso.

Débora Bergamasco : Roberta, quero te agradecer imensamente pela entrevista, por nos receber aqui no seu apartamento em São Paulo. Obrigada pela entrevista.

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